Machado de Assis

As.

Alfredo Pujol, referindo- se à "tendência para o trato das coisas divinas", manifesta nos primeiros trabalhos literários de Machado de Assis, afirma que pertence a este um estudo sobre Monte Alverne, dado à luz, em 1856 ( Machado de Assis, S. Paulo, 1917, p. 9).

Ora, em 1856, Machado de Assis colaborava apenas na Marmota Fluminense. O referido estudo, realmente, aí se encontra, nos números 768 e 769, de 4 e 6 de set. de 1856. Intitula-se Idéias Vagas __ Os contemporâneos __ Monte Alverne, e está subscrito por  As.

Certamente essa informação, como tantas outras, obteve-a Pujol de Ramos Paz. Íntimo amigo de Machado de Assis desde os primeiros tempos da vida literária de ambos.

Da mesma forma estão subscritos mais alguns trabalhos, no mesmo periódico, em 1856 e 1858.

M.-as.

Desta forma subscreveu Machado de Assis diversos trabalhos de colaboração em O Espelho ( Rio, 1859-1860 ).

Num deles, intitulado "Revista de Teatros" (n. 9, 30-10-1859 ), diz : "Abra-se segunda-feira, a Ópera Nacional com o Pipelé opera em 3 actos musica de Ferrari, e poesia do Snr. Machado de Assis, meu intimo amigo, meu alter ego, a quem tenho muito affecto, mas sobre quem não posso dar opinião nenhuma."

Estando tais palavras subscritas por M.as., cremos não ser necessária outra prova, uma vez que é o próprio autor quem esclarece a questão.

M. A.

Com estas iniciais subscreveu o autor : um trabalho em O Espelho ( Rio, 1859 ); alguns em  A Marmota ( Rio, 1860 ); grande parte de sua colaboração no Diário do Rio de Janeiro (os COMENTÁRIOS DA SEMANA, as CONVERSAS HEBDOMADÁRIAS, os folhetins  AO ACASO, etc.), entre 1861 e 1865: uma poesia em A PRIMAVERA ( Rio, 1861 ) ; um conto no Jornal da Famílias ( Rio,1864 ) ; quatro poesias ( duas originais e duas traduzidas ) na Semana Ilustrada ( Rio, 1869) ; uma poesia em A Luz ( Rio, 1872 ) , e alguns trabalhos em A Estação ( Rio, entre 1882 e 1885 ).

Quanto à colaboração subscrita por M. A ., em A LUZ, não padece dúvida que seja de Machado de Assis, porque não só o seu nome figura na relação de colaboradores do periódico, mas também há, no mesmo, colaboração assinada.

O conto subscrito por M. A ., no Jornal das Famílias, é "Frei Simão", incluído pelo autor em Contos Fluminenses ( 1870 ) .

Das poesias publicadas na Semana Ilustrada, o autor recolheu duas ( "Cegonhas e Rodovalhos" e "Menina e Moça" ) ao volume Falenas (1870 ).

O fato de trabalhar ele na redação do Diário do Rio de Janeiro, aduziremos as seguintes provas :

a) Todos os folhetins AO ACASO estão subscritos por M. A .,

Com exceção de dois únicos: o de 25-7-1864, por M. de A., e o de 3-1-1865, por Machado de Assis. Não seria sensato admitir que crônica semanal (subordinada, aliás, sempre ao mesmo título) tivesse dois redatores: um M. A. ou M. de A., e outro Machado de Assis .

b) Feliciano Teixeira Leitão, na crítica que fez ao volume Crisálidas, diz: "A critica parcial do Dr. Caetano Filgueiras obrigou-nos a traçar essas considerações, fez merecer-nos menos o livro do autor dos folhetins AO ACASO do Diário do Rio de Janeiro . . ." (cf. Rev. Mens. Soc. Ens. Lit., Rio, junho de 1866, Vol. III, pp.378-384). É o testemunho de um contemporâneo, cuja crítica está datada de outubro de 1864.

c) No folhetim AO ACASO, de 1-8-1864, vem inserta uma poesia, "Horas Vividas", que é incluída depois, em Crisálidas (1864), pp. 101-103.

d) Joaquim Serra, em carta a Machado de Assis, datada de 16-11-1864, agradece as boas referências que lhe foram feitas, pelo destinatário no n. 293 do Diário do Rio de Janeiro (cf. Rev. Acad.Bras., n.5, de julho de 1911, pp.59-60). Tais referências encontram-se exatamente no AO ACASO de 24-10-1864, subscrito por M. A. .

e) No folhetim de 3-1-1865, assinado Machado de Assis, há diversas referências aos folhetins anteriores, igual título, entre as quais avulta a seguinte: "Para ligar esta revista á ultima que eu publiquei antes do intervalo de silencio, devera passar em resenha todos os acontecimentos que se produziram nesse intervallo".

             A " ultima" (revista) é o folhetim de 29-11-1864, subscrito por M. A.

f) No AO ACASO de 24-1-1865, diz o autor: "Os leitores que me acompanham desde junho do anno passado . . .". Realmente essas crônicas começaram em 5-6-1864, tiveram sempre o mesmo título e foram subscrita por M. A., com exceção da de 3-1-1865, que, como dissemos atrás, foi assinada.

             A título de curiosidade, vale a pena transcrever o que contou

             O próprio autor, na crônica de 11-9-1864:

"Que querem dizer estas iniciais ?  perguntava-se em uma

casa esta semana.

Uma senhora, em quem a graça e o espírito realçam as mais

belas qualidades do coração, disse-me um amigo - respondeu:

M. A. quer dizer  primeiramente " Muito Abelhudo"

e depois " Muito Amável"."

M. de A.

Com estas iniciais aparecem subscrito alguns trabalhos, na Marmota Fluminense (Rio, 1859), no Diário do Rio de Janeiro ( Rio, 1860 e 1864), na Semana Ilustrada (Rio, 1875) , em A Estação (Rio, a partir de 1881), no Almanaque da Gazeta de Notícias ( Rio, 1885), em A Semana (Rio, 17-7-1885) e no Almanaque das Fluminenses (Rio, 1890).

O Almanaque das Fluminenses foi publicado pêlos editores de A Estação ( Lombaerts & Cia ), periódico em que Machado de Assis colaborou durante muitos anos. Em todos os outros periódicos mencionados, a colaboração assinada mostra que as iniciais são as do sobrenome.

Entretanto, Inocêncio, no Dic. Bibl. Port., citando a "Revista Dramática" de 29-3-1860 , a propósito do drama Mãe, de Alencar, mostra-se em dúvida: " D'elle falou com louvor o Diário do Rio, n.5, de 29 de março de 1860, no folhetim assinado com as iniciais M. de A .(Machado de Assis?)."


Dr. Semana

Com este pseudônimo estão subscritos diversos trabalhos na Semana Ilustrada ( Rio, 1860-1876), inclusive as crônicas sob o título de Baladas, que começam a aparecer no n. 445 do mesmo periódico ( 20-6- 1869) , e prosseguem até o fim da publicação.

Diz Max Fleiuss: " Foi propriamente na Semana Ilustrada (1860-1876) que Machado de Assis conquistou, com a maior galhardia, os foros de chronista, escrevendo as Baladas da Semana,e assinando-as Dr. Semana"  (A semana, Rio, 1915, págs. 96-97).

Isto da a entender que a autoria da totalidade dessas crônicas pertence a Machado de Assis.

Por outro lado, afirma D. Lúcia Miguel Pereira que esse pseudônimo " escondeu também os nomes de Pedro Luís , Varejão , Felix Martins , Quintino Bocaiuva e vários outros" ( Machado de Assis,3. ed., 1946, p. 102).

Gil

Foi usado nos primeiros COMENTÁRIOS DA SEMANA, no Diário do Rio de Janeiro ( Rio, 1861).

A partir de 16-12-1861, tais artigos passam a ser subscritos por M.A .

Entre uns e outros, não há diferença no estilo; nota-se em todos, até, o hábito que tem o cronista, de falar na 1. Pessoa singular. Alem disso, no primeiro artigo subscrito por M.A.,  encontra-se a seguinte passagem: " Depois  da minha ultima revista, nada se deu que mereça uma menção ou um comento". Essa"minha ultima revista" é justamente a de 11-12-1861, subscrita por Gil.

Temos ainda mais uma prova. Salvador de Mendonça no trabalho intitulado O Barbeiro de Sevilha (Diário do Rio de Janeiro , Rio, 9-9-1866), dirige-se a Machado de Assis, nestes termos:

" Conhecia-te o engenho múltiplo que deu á luz os Desencantos e os Comentários da Semana, as Chrysalidas e as Semanas Literárias"

Para concluir, lembremos que Teixeira de Melo consigna o pseudônimo, no seu trabalho Anônimos e Pseudônimos mencionados no Diário Bibliográfico de Inocêncio e em outros opúsculos e obras (manuscrito da B.N.).

M.

Com esta inicial estão subscrito alguns trabalhos na Semana Ilustrada ( Rio, em diversas épocas, entre 1862 e 1874).

A seguinte carta de Joaquim Serra a Machado de Assis, s.d., documenta a nossa afirmativa:

" Machado de Assis,

Aí fica o livro do Gentil; é uma linda cousa!

Escreve sobre ele; lembra-te que estás em falta para com o Gentil ( que é teu amigo) desde a publicação da Eloá!

Esse livro tem grande merecimento; as paginas intituladas O Caçador de Pacas; Carlotinha da Mangueira, e Singela recordação, são inimitáveis. Tudo o mais é bom e pede um bom artigo.

Escreve-o na próxima semana, como fizeste com os Corimbos.

E as Falenas?

Vai conversar na Reforma.

O am.º

Serra."

( cf. Ver. Acad. Bras.,n.5,julho de 1911, p.69).

De fato , aquela referência "como fizeste com os Corimbos" diz respeito ao trabalho " Um Poeta Fluminense ___ Carymbos" que figura subscrito por M., no n. 473 da Semana Ilustrada (2-1-1870).

Mais tarde, a 30-1-1870, n. 477 do mesmo periódico, encontramos a desincumbência do pedido de Joaquim Serra: " Um Poeta Entre o céu e a  Terra, por Flavio Reimar" , trabalho também subscrito  por M.

Sileno

Pseudônimo usado na correspondência que Machado de Assis escreveu para a Imprensa Acadêmica, Jornal dos Estudantes de São Paulo (S. Paulo, 1864). Com ele subscreveu cinco artigos ( não sabemos se mais, porque a coleção da B. N. é falha em alguns números) , de abril a setembro de 1864.

Disto nos dá testemunho Luís Guimarães Júnior, em carta a Machado de Assis, datada de S. Paulo ,29 de abril de 1864 :

"Estás até com mistérios para comigo ! Nem me disseste que és o Sileno, correspondente dum jornal do qual eu sou folhetinista !"

...................

A tua correspondência é um primor; todos tem admirado essa Pena séria e mimosa ao mesmo tempo." (cf. Rev. Acad. Bras., n. 140 , agosto de 1933, vol. XLII, p. 488 ).

J.

Esta inicial subscreveu o conto " Confissões de uma Viúva Moça", no Jornal das Famílias ( Rio, abril a junho de 1865). O Conto foi posteriormente incluído, pelo autor, em Contos Fluminenses (1870).

Job

Com este pseudônimo subscreveu o autor dez peças, no Jornal das Famílias ( Rio, entre out. de 1865 e set. de 1875), e duas "Cartas Fluminenses", no Diário do Rio de Janeiro (Rio, 5 e 12 de março de 1867).

Das peças escritas para o Jornal das Famílias, quatro foram incluídas, pelo autor, nos seus volumes de contos: " Linha Reta e Linha Curva" ( em Contos Fluminenses, 1870); "A Parasita Azul", " Ernesto de Tal", "O relógio de Ouro" , (em Histórias da Meia-Noite, 1873). Houve até confusão deste pseudônimo com J.J . Assim, o conto "Ernesto e Tal" figura naquele periódico, em  março 1873, subscrito por  J. J.  e, em abril, por  Job; " Valério" foi iniciado, em dezembro de 1874, por Job, mas termina, em março de 1875, por J.J.  A confusão, cuja responsabilidade parece caber mais ao autor que aos editores do periódico, serve para mostrar que Job e J. J. encobriam o mesmo nome.

Para as "Cartas Fluminenses" temos o testemunho de José Alexandre Teixeira de Melo que consignou o pseudônimo no seu trabalho Dicionário de Pseudônimos e Anônimos Português e Brasileiros (cf. Almanaque Brasileiro Garnier para 1906, pp. 191-196). Nem mais será preciso. Teixeira de Melo e Machado de Assis eram amigos, desde os tempos do Diário do Rio de Janeiro. Lembremos ainda que Inocêncio, no seu Dic. Bibl. Port., tomo XII, p. 107, consigna também o pseudônimo.


J. J.

Estas iniciais subscreveram vários dos contos aparecidos no Jornal das Famílias ( Rio, entre 1866 e 1875 ). De tais peças encontram-se incluídas, pelo autor, em Contos Fluminenses ( 1870), "A Mulher de Preto" e " Luís Soares".

Quanto a ter havido confusão entre este pseudônimo e Job,v. o que dissemos atrás.

Victor de Paula

Pseudônimo usado no Jornal das Famílias, em diversas épocas, entre 1868 e 1877. Com ele foi subscrito o conto " Uma Visita de Alcibíades" (Jornal das Famílias, Rio, out. de 1876), publicado posteriormente, em texto reformado, mas sob o mesmo titulo e com a assinatura de Machado de Assis, na Gazeta de Notícias (Rio, 1-1-1882) e incluído em Papéis Avulsos (1882).

É o próprio autor quem o declara, nesse volume, p. 300, nota : " Este escripto teve um primeiro texto, que reformei totalmente mais tarde, não aproveitando mais do que a idéia. O primeiro foi dado com um pseudônimo e passou despercebido."

Platão

Com esse pseudônimo subscreveu Machado de Assis cinco artigos de críticas a Adelaide Ristori, no Diário do Rio de Janeiro, em julho de 1869. Tais artigos, juntamente com os de outros autores, foram reunidos no volume Homenagem a Adelaide Ristori, Rio, 1869. Aí, na p. 18, em nota ao primeiro artigo subscrito por Platão, declara-se: " Estes artigos são do distinto litterato o Sr. Francisco (sic) Machado de Assis."

Tancredo de Barros Paiva ( Achegas a um Dicionário de Pseudônimos, Rio, 1829, pp. 178-179, n. 1.324) registrou a obra, em volume, consignou o nome de Machado de Assis, entre os dos colaboradores, mas não averbou o pseudônimo.

Y.

No Jornal do Comércio ( Rio, 29 de junho e 28 de agosto de 1870) foi publicada a poesia "Potira ___ (Fragmento de uma elegia americana)", subscrita por Y.

Recolhendo-a o autor ao volume de versos Americanos (1875), anotou (p.200), com referência aos versos "..... De não sabido bardo/ estes gemidos são .....": " Não sabido, ainda hoje digo sem armar à contestação dos benévolos. Mas havia uma razão mais para escrever aquelas palavras quando compus este pequeno poema; destinava-o á publicação anônima, o que se verificou nas colunas do Jornal do Comércio em junho e agosto de 1970, tendo por assinatura um simples Y.

Lara

Com este pseudônimo subscreveu Machado de Assis diversas peças, no Jornal das famílias (Rio, de1872 a 1878), entre as quais o conto " As Bodas do Dr. Duarte" (junho e julho de 1873), incluído em Histórias da Meia-Noite (1873), com o título de "As Bodas deLuís Duarte".

Manassés

Este pseudônimo foi usado em A Época (Rio ,1875) e na Ilustração Brasileira (Rio, 1876-1878).

Em  A Época, revista de efêmera duração, figuram dois contos: " A Chinela Turca" e o " O Sainete". O próprio autor, ao recolher o primeiro, em Papéis Avulsos (1882), anotou (p.294): "Este conto foi publicado, pela primeira vez, na Época, n.1, de 14 de Novembro de 1875. Trazia o pseudônimo de Manassés, com que assinei outros artigos daquela folha efêmera".

Na Ilustração Brasileira, firmou Machado de Assis, com o mesmo pseudônimo as crônicas intituladas HISTÓRIA   DE QUINZE DIAS ( posteriormente HISTÓRIA DE TRINTA DIAS),no período de 1-7-1876 a abril de 1878.

Quando não bastasse a coincidência de aparecer na imprensa o mesmo pseudônimo, em épocas muito próximas, teríamos o testemunho de Max Fleiuss ( Páginas de História, 2ª ed., Rio, 1930, p. 656): " O cronista da Ilustração Brasileira foi Machado de Assis que usava o pseudônimo ____ Manassés ."

Eleazar

Foi usado em O Cruzeiro (Rio, 1878 ).

Um dos trabalhos subscritos por este pseudônimos, " Na arca __  Três capítulos (inéditos ) do Gênesis", foi incluído, pelo autor, em Papéis Avulsos ( Rio, 1882).

Temos ainda outro testemunho interessante, a carta de Luís Guimarães Júnior a Machado de Assis, datada de Roma, 24 de Junho de 1878:

" Meu velho amigo,

Na minha ultima Carta romana, que seguiu daqui há três dias, cavaqueando sobre diversos escritores brasileiros citei ao pé um do outro, os nomes de Machado de Assis e de Eleazar.

Com esta quero dizer-te que li três folhetins teus no Cruzeiro, remetidos pelo Serra. O humor do que se intitula Um cão de lata ao rabo, era digno de ser vazado em molde em molde francês e lido em Paris, prática adotiva de H. Heine.

Quanto á tua crítica ao livro do Eça de Queiroz, só tenho que te dizer uma coisa e é que te beijo de todo o meu coração e com um glorioso entusiasmo."

...................

( cf. Rer. Acad. Bras., n. 140, agosto de 1933, vol. .XLII, p. 492).

O folhetim e a critica, a que se refere o signatário, saíramrealmente em O Cruzeiro, subscritos por Eleazar.

Acrescentamos ainda que Carlos de Laet, sob o pseudônimo de Sic, num de seus artigos intitulados Crônicas da Semana (O Cruzeiro, 7-4-1878), referindo-se ao trabalho Um Cão de Lata ao Rabo, escreveu: " A comédia intitula-se Um cão de lata ao rabo, e devemo-la á pena de Eleazar d' Assis."

Lelio

Com este pseudônimo subscreveu Machado de Assis as suas crônicas na seção BALADAS DE ESTALO da Gazeta de notícias (Rio, 1883-1886) e um trabalho que foi publicado, sob o título de " Antes a Rocha Tarpeia" no Almanaque da Gazeta de Notícias para 1887.

Em A Semana (Rio, n.6, 7-2-1885)na seção Revista das colegas , lê-se o seguinte: "Gazeta de notícias ___ no dia 3 públicou umas deliciosas "balas de estalo" de Lelio.___ Cremos que todos já sabem que Lelio  é o senhor Machado de Assis ...".Para maior documentação, v. adiante os pseudônimo João das Regras e Malvolio.

Não obstante, Antônio Simões dos Reis (Pseudônimos Brasileiros, 1ª série , Rio, 1941, p. 39,n. 106-A) escreve : "Lelio__ José   FERREIRA de  Souza ARAUJO. Na Gazeta de Notícias."

Nada mais acrescenta o ilustre bibliógrafo. Procuramo-lo pessoalmente para que nos adiantasse alguma informação comprobatória daquela afirmativa. Com toda a boa vontade que caracteriza seu espírito nobremente superior, prontificou-se a auxiliar-nos, procurando entre suas notas a documentação em que se tinha louvado. Infelizmente, acontecimentos diversos impediram até hoje a realização da sua promessa.

Assim sendo, é com alguma reserva que mencionamos, no índice Cronológico, as crônicas intituladas BALAS DE ESTALO.

Que Machado de Assis usou este pseudônimo não resta dúvida, em face das provas que colhemos. Se, de fato, Ferreira de Araújo também o usou, uma de duas : ou ambos adotaram o mesmo pseudônimo, ora um , ora outro, enquanto durou a seção, ou Ferreira de Araújo serviu-se dele, no princípio, Machado de Assis,posteriormente.

De qualquer modo, só um exame sério, no estilo das crônicas,poderá atribuir a cada um aquilo que lhe pertence.

João das Regras

Foi usado na seção " A+ B", crônicas dialogadas, da Gazeta de Notícias  (Rio, 1886).

Em A Semana ( Rio, n. 93, 9-10-1886, p. 327), na notícia do Banquete oferecido a Machado de Assis, em comemoração do 22º aniversário da publicação das Crisálidas, faz-se a seguinte referência ao homenageado: '..... o jornalista que tem ilustrado os pseudônimos de Eleazar, Lelio, e atualmente, na Gazeta de Noticias , o de João das Regras"  ."

Ainda mais . Valentim Magalhães , em carta a Lúcio de Mendonça , datada de 18-12-1886, referindo-se ao artigo do destinatário sobre o banquete de que falamos acima, diz: ' Obrigadíssimo pelo teu artigo a propósito do banquete ao João das Regras." ( cf. Rev

Acad. Bras., n.143, nov. de 1933, vol. XLIII,  p . 367).

Malvolio

Com este pseudônimo foram subscritas as crônicas rimadas, sob o título de GAZETA DE HOLANDA, na Gazeta de Notícias (Rio,1887-1888).

Em A Semana 9 Rio, n. 107, 15-1-1887,pp. 19-10), lê-se: "..... Ás perguntas de vários de nossos assinantes sobre quais sejam os escritores que na Gazeta de Notícias usam de pseudônimos satisfazemos com as seguintes informações: .........MALVOLIO ("Gazeta de Holanda") e  LELIO ( "Balas de Estalo") _ Machado de Assis."

Boas Noites

Machado de Assis usou este pseudônimo para subscrever as crônicas intituladas BONS DIAS!, na Gazeta de Notícias (Rio, de 5-4-1888 a 29-8-1889).

O pseudônimo está consignado no trabalho Portugal - Brasil - Anônimos e pseudônimos mencionados no Dicionário Bibliográfico de Inocêncio e em outros opúsculos e obras __ Organizado pelo Dr José Alexandre Teixeira de Melo___(A-I)__ Rio de Janeiro. Este trabalho acha-se, em manuscrito, na Biblioteca Nacional.


Fonte: SOUZA, J. Galante de. Bibliografia de Machado de Assis. MEC, Instituto Nacional do Livro, Rio de Janeiro, 1955.