Machado de Assis

Atas da Academia Brasileira de Letras (1896-1908)

   (Mantida a grafia original)

 

Servirá este livro para a transcripção das actas da Academia Brasileira de Letras ilegível por mim autorizados.

Rio de Janeiro 10 de dezembro de 1896


1o Secretario
Rodrigo Octavio

 

 

I - ATAS DAS SESSÕES PREPARATÓRIAS
de 15 de dezembro de 1896 a 28 de janeiro de 1897

Acta da sessão de 15 de dezembro de 1896 [1]
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis [2]
 

Aos quinze dias do mez de dezembro de mil oitocentos e noventa e seis, na sala da Redacção da "Revista Brasileira"[3], ás 3 horas da tarde presentes os Srs.[4] Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, José Verissimo, Filinto de Almeida, Lucio de Mendonça, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Pedro Rabello, Rodrigo Octavio, Silva Ramos,[5] Valentim Magalhães e Visconde de Taunay é aclamado presidente da reunião o Sr. Machado de Assis. Este convida para Secretarios os Srs. Rodrigo Octavio e Pedro Rabello.

O Sr. José Verissimo communica que o Sr. Coelho Netto o autorizou a declarar que acolhe as resoluções tomadas na presente reunião.

O Sr. Olavo Bilac faz identica declaração em nome do Sr. Luiz Murat.

O Sr. Lucio de Mendonça communica que está autorizado a fazer a mesma declaração em nome do Sr. Urbano Duarte.

O Sr. Presidente dá a palavra ao Sr. Lucio de Mendonça que expõe os fins da reunião e declara que, conforme é sabido, ella se destina á fundação da Academia de Lettras.

Recorda o pensamento que tinham os iniciadores da ideia de a ver aceita pelos poderes da Republica, partindo do governo o acto da creação do Instituto. Essa creação encontrou, porém,[6] embaraços, o que determinou a presente reunião para que os escriptores sympathicos á creação da Academia se constituissem livremente. Assim, communica que tem em seu poder um projecto de estatutos organisado pelo Sr. Inglez de Souza e d'elle dá conhecimento á Assemblea. Concluindo pede a nomeação de uma commissão que estudando o projecto em breve praso imita sobre elle a sua opinião para a definitiva instalação da Academia de Lettras.

O Sr. Presidente nomea para essa commissão os Srs. Joaquim Nabuco, José Verissimo e Inglez de Souza.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão marcando a proxima reunião para o dia 23 de dezembro no mesmo local e hora.

 

 

Acta da sessão de 23 de dezembro de 1896
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos vinte e tres de dezembro de 1896 presentes os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Visconde de Taunay, Lucio de Mendonça, José Verissimo, Valentim Magalhães, Silva Ramos, Guimarães Passos, Filinto de Almeida e Inglez de Souza, o Sr. Presidente abre a sessão.

Não se encontrando sobre a mesa a acta da sessão anterior o Sr. 1o Secretario passa á leitura do expediente que consta apenas de uma carta do Sr. Tristão de Alencar Araripe Junior adherindo ás ideias da fundação da Academia. O Sr. Presidente manda archivar a carta.

Não se achando ainda impresso o projecto de estatutos, o Sr. Presidente levanta a sessão designando o dia 28 de dezembro no mesmo local e hora para a proxima reunião.

 

 

 

Acta da sessão de 28 de dezembro de 1896
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos vinte e oito de dezembro de mil oitocentos e noventa e seis presentes os Srs. Machado de Assis, Pedro Rabello, Rodrigo Octavio, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Jose Verissimo, Silva Ramos, Inglez de Souza, Visconde de Taunay, Joaquim Nabuco e Lucio de Mendonça, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

São lidas, postas em discussão e desse debate approvadas as actas das duas ultimas sessões.

O Sr. 1o Secretario dá conta do seguinte expediente:

Carta do Sr. Ruy Barboza apresentando os motivos porque não poude comparecer á sessão de instalação da Academia de acordo com o convite que para esse fim opportunamente recebeu. Inteirado.

Communicação do Sr. Filinto de Almeida de que lhe não é possível assistir á sessão convocada para hoje. Inteirado.

Carta do Sr. Valentim Magalhães communicando que por inconveniente de saude é forçado a ausentar-se desta capital e offerecendo á Academia um exemplar da sua obra "Flor de Sangue".

O Sr. Presidente communica que se vae proceder á discussão e votação do projecto de estatutos elaborados pela respectiva commissão especial.

São sucessivamente lidos, postos em discussão, e ilegível, approvados com as emendas enviadas á mesa os differentes artigos do projecto. Vae ser redigido de accordo com o acolhido para os appontamentos submetidos á Academia.

Nada mais havendo a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão marcando o dia 4 de janeiro para a proxima reunião em que será approvada a redacção definitiva dos estatutos e se procederá á eleição da mesa.

 

 

 

Acta da sessão de 4 de janeiro de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Pedro Rabello, Olavo Bilac, Arthur Azevedo, Visconde de Taunay, José Verissimo, José do Patrocinio, Lucio de Mendonça, Joaquim Nabuco, Silva Ramos, Guimarães Passos, Inglez de Souza e Filinto de Almeida é lida e approvada a acta da sessão anterior.

É approvada a redacção dos estatutos de que faz a leitura o Sr. Rodrigo Octavio.

Procede-se á eleição da mesa e administração para o anno de 1897, sendo eleitos: Presidente o Sr. Machado de Assis com 13 votos, obtendo 1 o Sr. Joaquim Nabuco. Secretario Geral o Sr. Joaquim Nabuco com 8 votos, obtendo 5 votos o Sr. Rodrigo Octavio e 1 voto o Sr. Pedro Rabello, e Thezoureiro o Sr. Inglez de Souza com 12 votos, obtendo os Srs. Lucio de Mendonça e José Verissimo 1 voto cada um.

Em seguida toma posse a directoria eleita.

O Sr. Presidente nomeia os Srs. Lucio de Mendonça, Visconde de Taunay, Rodrigo Octavio, Olavo Bilac e Pedro Rabello para formalizarem o Regimento Interno, marcando para 11 de janeiro a sessão para a Academia tomar conhecimento do projecto.

 

1o Secretario

Rodrigo Octavio de Langgaard Menezes [7]

 


Acta da sessão de 11 de janeiro de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Inglez de Souza, Visconde de Taunay, Coelho Neto, Olavo Bilac, Medeiros e Albuquerque, José Verissimo, Pedro Rabello, Rodrigo Octavio, Guimarães Passos, Filinto de Almeida, Araripe Jr., Lucio de Mendonça e Silva Ramos, o Sr. Presidente abre a sessão.

Lida a acta da sessão anterior é approvada.

O Sr. José Verissimo apresentou uma indicação para que a Academia firmasse o modo de escrever a palavra Brazil, opinando, contra a opinião do Sr. Capistrano de Abreu a quem se refere, que Brazil se escreva com z e não com s. O Sr. Presidente nomeia uma commissão composta dos Srs. José Verissimo, Araripe Jr. e Visconde de Taunay para darem parecer sobre a questão.

O Sr. Rodrigo Octavio apresenta uma proposta sobre a commemoração do centenário de Gregório de Mattos, que fica sobre a mesa.

Em seguida é lido o projecto do Regimento Interno, que é approvado com emendas, voltando á Commissão para modificar-lhe a redacção no sentido do que se ilegível.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão marcando a proxima sessão para o dia 18 do corrente dando para ordem do dia a approvação da redacção definitiva do Regimento Interno e eleição do 1º e 2º Secretarios.

 

 

Acta da sessão de 18 de janeiro de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 18 dias do mez de janeiro de 1897, ás 3 horas da tarde na sala da Redacção da "Revista Brasileira", presentes os Srs. Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Inglez de Souza, José Verissimo, Rodrigo Octavio, Filinto de Almeida, Luiz Murat, Visconde de Taunay, Teixeira de Mello, Graça Aranha, Coelho Netto, Pedro Rabello, Lucio de Mendonça, Guimarães Passos e Silva Ramos, o Sr. Presidente abre a sessão.

Tendo sido dada para ordem do dia a approvação da redacção definitiva do Regimento Interno, o Sr. Rodrigo Octavio, como relator da respectiva commissão procede á leitura do mesmo. Depois de breve discussão que versou principalmente sobre os artigos 14 e 25 é approvada a redacção definitiva do Regimento.

O Sr. Inglez de Souza propõe que se convoque uma sessão especial para a assignatura dos Estatutos, entendendo-se que renunciam ao logar de socios da Academia aqueles que não tendo tomado parte nas sessões preparatorias não estiverem presentes áquela reunião, salvo se pedirem novo prazo. É approvada a proposta.

O Sr. Presidente observa que determinam os Estatutos no arto 3o que a "administração da Academia compete a um Presidente, um Secretario Geral, um 1º Secretario, um 2º Secretario e um Thezoureiro, e faltando eleger o 1º e 2 Secretarios, se vae proceder á eleição para estes cargos.

Corrido o escrutinio verifica-se haverem obtido maioria de votos: para 1º Secretario o Sr. Rodrigo Octavio treze votos, para 2º o Sr. Silva Ramos onze votos, tendo também alcançado votos para 1º os Srs. Graça Aranha e Guimarães Passos, para 2º o Sr. Pedro Rabello.

O Sr. Presidente proclama 1º Secretario o Sr. Rodrigo Octavio treze votos e 2º o Sr. Silva Ramos, que passam a ocupar os seus lugares. Em seguida o Sr. Presidente declara que estabelecendo o Regimento que os socios usarão de uma insignia de sua qualidade, nomeia os Srs. Teixeira de Mello, Visconde de Taunay, Lucio de Mendonça, Filinto de Almeida e Pedro Rabello para em commissão organizarem um projeto de distinctivo que será presente á Academia.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente levanta a sessão, convocando para o dia 28 de janeiro ás 2 horas da tarde a sessão especial para assignatura dos Estatutos e eleição dos socios.

 

Sala das sessões em 18 de janeiro de 1897.

 

 

 

Acta da sessão de 28 de janeiro de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos vinte e oito de janeiro de 1897, ás 3 horas da tarde, presentes os Srs. Araripe Junior, Arthur Azevedo, Graça Aranha, Guimarães Passos, Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, José Verissimo, Lucio de Mendonça, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Pedro Rabello, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, Teixeira de Mello e Visconde de Taunay, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

Lida a acta da sessão anterior é approvada.

O 1º Secretario dá conta do expediente que consta de uma carta do Sr. Urbano Duarte, communicando que não pode comparecer á sessão, por motivo de força maior.

O Sr. Olavo Bilac propõe que sejam aclamados socios da Academia os 30 nomes constantes da lista inicial, observando-se o art. 22 do Regimento[8] que marca o praso de dois mezes para a posse. São elles os Srs. Affonso Celso, Alberto de Oliveira, Alcindo Guanabara, Araripe Junior, Arthur Azevedo, Carlos de Laet, Coelho Neto, Filinto de Almeida, Garcia Redondo, Graça Aranha, Guimarães Passos, Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, José Verissimo, Lucio de Mendonça, Luiz Murat, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Pedro Rabello, Pereira da Silva, Rodrigo Octavio, Ruy Barboza, Silva Ramos, Sylvio Romero, Teixeira de Mello, Urbano Duarte, Valentim Magalhães e Visconde de Taunay. São acclamados.

 

Em seguida, procede-se á eleição dos que faltam para prefazer os 40. Obtêm maioria absoluta os Srs. Magalhães de Azeredo 15 votos, Raymundo Corrêa 15 votos, Aluízio Azevedo 15 votos, Salvador de Mendonça 15 votos, Domicio da Gama 13 votos, Luiz Guimarães 12 votos, Eduardo Prado 12 votos, Barão de Loreto 11 votos, Clovis Bevilacqua 11 votos e Oliveira Lima 11 votos.

Obtiveram votação os Srs. Barão do Rio Branco 7 votos, Fontoura Xavier 7, Assis Brazil 6, Figueiredo Coimbra 5, Constancio Alves 1, Barão de Paranapiacaba 1, Augusto Lima 1, Domingos Olympio 1.

O Sr. Presidente annuncia que se acham eleitos membros da Academia os Srs. Magalhães de Azeredo, Raymundo Corrêa, Aluizio Azevedo, Salvador de Mendonça, Domicio da Gama, Luiz Guimarães, Eduardo Prado, Barão de Loreto, Clovis Bevilacqua e Oliveira Lima.

O Sr. Presidente convida os socios presentes a assignarem os Estatutos e em seguida levanta a sessão marcando o dia 3 de maio[9] para a proxima reunião, em que serão inaugurados os trabalhos da Academia.

 
II - ATAS DAS SESSÕES DA ABL
NO PERÍODO DA PRESIDÊNCIA
DE MACHADO DE ASSIS

 

de 20 de julho de 1897

a 1 de agosto de 1908

 

 

Acta da sessão inaugural de 20 de julho de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos vinte de julho de 1897, em uma das salas do Pedagogium[10], presentes os Srs. Araripe Junior, Arthur Azevedo, Barão de Loreto, Filinto de Almeida, Graça Aranha, Guimarães Passos, Joaquim Nabuco, José Verissimo, Machado de Assis, Olavo Bilac, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, Sylvio Romero, Teixeira de Mello, Urbano Duarte e Visconde de Taunnay, o Sr. Presidente abre a sessão. Justificaram ausencia por carta os Srs. Lucio de Mendonça e Valentim Magalhães; achavam-se ausentes desta cidade os Srs. Affonso Celso, Alberto de Oliveira, Aluizio Azevedo, Clovis Bevilacqua, Domicio Gama, Eduardo Prado, Garcia Redondo, Luiz Guimarães, Magalhães de Azeredo, Oliveira Lima, Raymundo Corrêa e Salvador de Mendonça; deixaram de comparecer os Srs. Alcindo Guanabara, Carlos de Laet, Coelho Neto, José do Patrocínio, Luiz Murat, Medeiros e Albuquerque, Pedro Rabello, Pereira da Silva, Ruy Barboza e Inglez de Souza.

Além do Sr. Presidente que proferiu uma elocução ao declarar aberta a sessão[11], o Sr. Rodrigo Octavio 1º Secretario leu a Memoria Historica dos trabalhos preliminares para installação da Academia e o Sr. Joaquim Nabuco, Secretario Geral, proferiu um discurso inaugural.

Em seguida, o Sr. Presidente encerra a sessão designando o dia 26 de julho para a proxima reunião e dando para ordem do dia a eleição de commissões[12].

 

Acta da sessão de 26 de julho de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 26 de julho de 1897, ás 8 horas da noite em uma das salas do Pedagogium, presentes os Srs. Arthur Azevedo, Graça Aranha, Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, José Verissimo, Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Silva Ramos e Visconde de Taunay, o Sr. Presidente declara aberta a sessão. Verifica-se não haver numero para se elegerem as comissões[13].

O Sr. Presidente declara que no intervallo das sessões houve uma reunião da Directoria e que nessa reunião foi por elle communicado haver recebido de pessoa que deseja ocultar o seu nome a quantia de cem mil réis[14], significando nesta contribuição a sua sympathia pela instituição.

O Sr. Jose Verissimo propõe que se nomeie uma comissão para estudar e apresentar um plano para a elaboração de um Diccionario Bibliographico Brasileiro.

Não havendo, digo, approvada a proposta, o Sr. Presidente nomeia os Srs. José Verissimo, Araripe Junior e Teixeira de Mello para a commissão indicada.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão marcando a proxima reunião para o dia 10 de agosto, dando para ordem do dia eleição de commissões e apresentação do processo da commissão do Diccionário Bibliographico.

 

 

Acta da sessão de 17 de agosto de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis [15]
 

Aos 17 de agosto de 1897, ás 8 horas da noite, presentes em uma das salas do Pedagogium os Srs. Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Rodrigo Octavio, José Verissimo, Graça Aranha, Teixeira de Mello e Barão de Loreto, o Sr. Presidente abriu a sessão.

Não se achando presente o Sr. Silva Ramos, 2º Secretario, o 1º Secretario leu a acta da sessão anterior que se achava sobre a mesa e foi approvada.

O expediente constou de uma carta do Sr. Silva Ramos comunicando não poder comparecer á sessão, de outra do Sr. Garcia Redondo declarando que escolhe para seu patrono o Sr. Julio Ribeiro.

O Sr. Director do Pedagogium offereceu para serem distribuidos pelos academicos exemplares da Revista de Ensino e Educação, orgão da instituição que dirige. O Sr. Presidente mandou agradecer.

Passando-se á ordem do dia foram eleitos para a commissão de bibliographia os Srs. Sylvio Romero, Lucio de Mendonça e Visconde de Taunay e para a commissão de contas os Srs. Araripe Junior, José Verissimo e Graça Aranha.

Depois de tomadas varias deliberações sobre a publicação do 1º boletim, o Sr. José Verissimo relator da commissão nomeada para organizar o plano para o diccionario bibliographico leu o parecer da commissão que foi approvado depois de discutido.

O Sr. Presidente nomeou para a commissão definitiva do Diccionario os Srs. José Verissimo, Araripe Junior e Teixeira de Mello, os mesmos da commissão provisoria.

Nada mais havendo a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão, marcando a seguinte para o dia 31 de agosto e dando para ordem do dia a discussão da forma por que terá de ser distribuído o trabalho na organização do Diccionario Bibliographico Brasileiro.

 

 

 

Acta da sessão de 31 de agosto de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Em 31 de agosto de 1897, ás 8 horas da noite, em uma sala do Pedagogium, presentes os Srs. Barão de Loreto, Graça Aranha, Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, José Verissimo, Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Silva Ramos e Teixeira de Mello, o Sr. Presidente abre a sessão.

Estando dada para ordem do dia a discussão da forma por que terá de ser distribuido o trabalho na organização do Diccionario Bibliographico Brasileiro, o Sr. Rodrigo Octavio lembra que se proceda por epocas, encarregando-se cada um dos membros da Academia de estudo de um certo periodo da vida de um dado citado e colligindo tudo quanto encontre digno de nota com referencia a cada nome.

O Sr. José Verissimo faz considerações em contrario, lembrando que o trabalho preliminar numa obra da natureza d'aquella que a Academia vai emprehender é um indice alphabetico dos nomes que têm de entrar no diccionario, e que o estudo das personalidades só pode ser feito com methodo e seguindo uma ordem.

Os Srs. Joaquim Nabuco, Graça Aranha e outros membros não veem incompatibilidades entre os dois planos, que segundo acreditam poderão harmonizar-se.

O Sr. José Verissimo entende que nenhuma resolução pode ser tomada com relação á forma pela qual terá de ser distribuido o trabalho antes de ser organizada a lista alphabetica dos nomes que têm de entrar no diccionario.

 

Não havendo mais nada a tratar, o Sr. Presidente encerra a sessão, marcando a proxima reunião para o dia 14 de setembro, dando para ordem do dia leitura de trabalhos litterarios.

 

 

 

Acta da sessão de 14 de setembro de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

No dia 14 de setembro de 1897, ás 8 horas da noite, em uma das salas do Pedagogium, presentes os Srs. Barão de Loreto, Inglez de Souza, Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Silva Ramos e Visconde de Taunay, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O Sr. Visconde de Taunay lê um trabalho sobre a orthographia da palavra Brasil.

Não havendo mais nada a tratar, o Sr. Presidente levanta a sessão, dando para ordem do dia continuação da leitura da monographia apresentada pelo Sr. Visconde de Taunay e de outros trabalhos que porventura appareçam neste sentido, e marca a proxima sessão para o dia 28 de setembro.

 

 

 

Acta da sessão de 28 de setembro de 1897
 

Presidencia do Sr. Joaquim Nabuco
 

Ás 8 horas da noite, em uma das salas do Pedagogium, presentes os Srs. Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, Lucio de Mendonça, Rodrigo Octavio, Silva Ramos e Visconde de Taunay, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O Sr. Visconde de Taunay lê a continuação da sua monographia sobre a orthographia da palavra Brasil.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão, marcando a seguinte para o dia 14 de outubro e dando para ordem do dia leitura de trabalhos.

 

 

 

Acta da sessão de 30 de novembro de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 30 de novembro de 1897, ás 4 horas da tarde, em a sala da redacção da "Revista Brasileira", presentes os Srs. Araripe Junior, Arthur Azevedo, Barão de Loreto, Filinto de Almeida, Guimarães Passos, Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Machado de Assis, Rodrigo Octavio e Silva Ramos, o Sr. Presidente abre a sessão. Ordem do dia: eleição da directoria para 1898.

O Sr. Presidente pondera que, estabelecendo o art. 3o do Regimento Interno que as eleições só se farão com a maioria dos membros residentes na Cidade do Rio de Janeiro, e verificando-se que se não acham presentes academicos em numero sufficiente para prefazerem a maioria, convoca nova reunião para o dia 7 de dezembro proximo no mesmo local e hora, sessão em que a eleição se realisará nos termos do art. 3o com a presença de dez membros (art. 5o dos Estatutos), encerrando-se em seguida os trabalhos da Academia por este anno.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão e designa o dia 7 de dezembro próximo para a eleição da directoria que tem de funccionar no próximo anno de 1898, nos termos do art. 4 do Regimento.

 

 

 

 
Acta da sessão de 7 de dezembro de 1897
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 3 horas da tarde na sala da Redacção da "Revista Brasileira" presentes os Srs. Arthur Azevedo, Barão de Loreto, Filinto de Almeida, Guimarães Passos, Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, José Verissimo, Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, Visconde de Taunay, o Sr. Presidente abre a sessão.

O Sr. Presidente anuncia que nos termos do artigo 4º do Regimento, vae proceder á eleição da Directoria que tem de funccionar no proximo anno de 1898.

Realisado o escrutinio, verificou-se haver sido reeleita a directoria actual.

O Sr. Filinto de Almeida e Guimarães Passos propõem[16] para membros correspondentes da Academia o poeta portuguez Eugenio de Castro, residente em Coimbra e o escriptor francez Louis-Pilate de Brinn'Gaubast[17].

Os Srs. Joaquim Nabuco, Visconde de Taunay, José Verissimo propõem para membros correspondentes o General Bartolomeu Mitre e Rafael Obligado de Buenos Ayres e Garcia Mérou.

[18]

 

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão que é a ultima do anno convocando a proxima reunião para maio do anno proximo na forma do Regimento, dando para ordem do dia eleição de socios correspondentes.

 

 

Acta da sessão de 16 de maio de 1898
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 16 de maio, ás 3 horas da tarde, em uma das salas do Externato Gymnasio Nacional[19], presentes os Srs. Filinto de Almeida, Graça Aranha, Inglez de Souza, José Verissimo, Lucio de Mendonça, Machado de Assis, Silva Ramos e Valentim Magalhães, o Sr. Presidente abre a sessão.

Lida a acta da sessão anterior é approvada.

O Sr. Presidente declara que o Sr. Ministro do Interior concedeu á Academia uma das salas do Externato Gymnasio Nacional para ali realisar as suas sessões.

Por accordo dos socios presentes a Academia delibera agradecer ao Sr. Ministro do Interior essa concessão.

O Sr. José Verissimo propõe que se nomeie uma commissão para estudar as propostas para socios correspondentes apresentadas na anterior sessão.

O Sr. Presidente nomeia para este effeito os Srs. Graça Aranha, Lucio de Mendonça e Valentim Magalhães.

Os Srs. Valentim Magalhães e Lucio de Mendonça mandam á mesa uma proposta para que as biographias que têm de ser apresentadas por cada um dos membros da Academia do patrono da sua respectiva cadeira constituam propriedade da Academia que venderá as suas edições a quem mais vantagens offerecer.

Esta proposta deixa de ser votada por não haver numero legal de socios presentes.

Não havendo mais nada a tratar, o Sr. Presidente encerra a sessão, designando o dia 6 de junho para a proxima reunião, no mesmo local e hora, dando para ordem do dia eleição de socios correspondentes.

 

 

 

Ata da sessão de 6 de junho de 1898 [20]
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás tres horas da tarde, em uma das salas do Externato do Ginazio Nacional, prezentes os Srs. Barão de Loreto, Filinto de Almeida, Graça Aranha, José Verissimo, Lucio de Mendonça, Machado de Assis, Silva Ramos, Teixeira de Melo, Valentim Magalhães, o Sr. Prezidente abre a sessão.

Lida a ata da sessão anterior, é aprovada.

O 2º Secretario comunica haver sido recebida a doloroza notícia do falecimento do ilustre membro da Academia Luis Guimarães Junior.

O Sr. Valentim Magalhães interpretando os sentimentos dos seus colegas, propõe que se lance na ata um voto de pezar por tão infausto acontecimento.

O Sr. Filinto de Almeida propõe que a eleição de membros da Academia se efetue sessenta dias depois de declarada a vaga oficialmente em sessão. É aprovada.

Em seguida, entrando em discussão geral a maneira por que os candidatos deverão afirmar as suas qualidades, o Sr. Valentim Magalhães envia á meza a seguinte proposta:

"Proponho que só se possa considerar candidato á eleição da Academia quem oficialmente e por escrito comunicar á Academia a sua intenção e dezejo de concorrer á eleição."

É aprovada.

[21]

Estando dada para ordem do dia a eleição dos socios correspondentes a comissão encarregada de dar parecer pede adiamento para a proxima sessão.

Não havendo mais nada a tratar, o Sr. Prezidente levanta a sessão designando para a proxima reunião o dia 20 de junho e dando para ordem do dia eleição de socios correspondentes e discussão do parecer da comissão encarregada do projeto de distintivo dos membros da Academia.

 

 

 

Ata da sessão de 13 de julho de 1898
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás três horas da tarde, em uma das salas do Ginazio Nacional, prezentes os Srs. Machado de Assis, Joaquim Nabuco[22], Barão de Loreto, José Verissimo, Araripe Junior,[23] Valentim Magalhães, Teixeira de Magalhães, digo, de Mello, Lucio de Mendonça, Filinto de Almeida, Graça Aranha e Inglez de Souza, o Sr. Prezidente abre a sessão.

Lida a ata da sessão anterior, é aprovada.

[24]

O Sr. Inglez de Souza propõe que se nomeie uma comissão á[25] qual se dê o encargo de aprezentar parecer sobre a participação que a Academia deva tomar na celebração do quarto centenário do descobrimento do Brasil.

Aprovada a proposta, o Sr. Prezidente dezigna os Srs. José Verissimo, Valentim Magalhães e Ingles de Souza para comporem a comissão.

O Sr. Prezidente dá a seguinte ordem do dia para a sessão de 8 de agosto:

1º Eleição de um acadêmico na vaga de Luiz Guimarães Junior;

2º Eleição de socios correspondentes;

3º Votação do parecer da comissão sobre o emblema da Academia.

Nada mais havendo a tratar, o Sr. Prezidente levanta a sessão.

 

Ata da sessão de 8 de agosto de 1898
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

No dia 8 de agosto de 1898, ás 3 horas da tarde, em uma das salas do Externato do Ginazio Nacional, prezentes os Srs. Araripe Junior, Barão de Loreto, Filinto de Almeida, Graça Aranha, Guimarães Passos, Inglez de Souza, Joaquim Nabuco, José Verissimo, Lucio de Mendonça, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Pedro Rabello, Raymundo Corrêa, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, Sylvio Romero, Teixeira de Mello, Valentim Magalhães, Urbano Duarte e Visconde de Taunay, o Sr. Prezidente abre a sessão.

Lida a ata da sessão anterior, é aprovada.

O Sr. Filinto de Almeida observa que pelo Art. 19 do Rejimento Interno são necessários pelo menos tres mezes para se proceder á eleição de membro efetivo contados desde a vaga, e que assim sendo, não lhe parece regular que se proceda nesta sessão á eleição.

O Sr. Graça Aranha faz algumas considerações tendentes a justificar a dispensa do artigo do Rejimento.

É aprovada a dispensa.

O Sr. José Verissimo lê uma comunicação, que remete á meza, do Sr. Arthur Azevedo declarando que se acha impossibilitado de comparecer á sessão por motivo de doença.

[26]

Em seguida, o Sr. Prezidente[27] anuncia que se vai proceder á eleição de um membro da Academia na vaga de Luiz Guimarães Junior.

Corrido o escrutinio, verifica-se haverem entrado em urna vinte cedulas, dezessete sufragando o nome do Sr. João Ribeiro e tres em branco.

O Sr. Prezidente proclama membro da Academia Brazileira de Letras o Sr. João Ribeiro e designa o Sr. José Verissimo para pronunciar o discurso de recepção na sessão solene que se realizará no dia 30 de novembro do ano corrente.

O Sr. José do Patrocínio entra depois de concluida a votação.

O Sr. Lucio de Mendonça requer a inversão da ordem do dia para o fim de se discutir o projeto de diviza e emblema distintivo da Academia. É aprovado o requerimento.

O Sr. Lucio de Mendonça lê o parecer da comissão encarregada do projeto.

O Sr. Pedro Rabello propõe adiamento da discussão do parecer. Posta a votar, essa proposta é rejeitada.

Entrando em discussão a diviza Litterarum vincitur pace [28], os Srs.[29] Machado de Assis, Filinto de Almeida e outros opinam por que seja adotada de preferencia a legenda indicada pelo Sr. José Verissimo: Mente ás muzas dada [30].

Procedendo-se á votação, é aprovada a legenda latina.

Dada (?) a hora adiantada, o Sr. Prezidente encerra a sessão marcando a proxima reunião para o dia 22 do corrente[31], dando para ordem do dia: 1º Discussão do emblema distintivo da Academia, 2º Eleição de socios correspondentes.

 

 

 

Ata da sessão de 26 de setembro de 1898
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 26 de setembro de 1898, ás 3 horas da tarde, na sala da redação da Revista Brazileira, prezentes os Srs. Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Rodrigo Octavio, Visconde de Taunay, Inglez de Souza, Lucio de Mendonça, Araripe Junior, José Verissimo, Arthur Azevedo, Teixeira de Mello e Raymundo Corrêa, o Sr. Prezidente declara aberta a sessão.

Na auzencia do Sr. Silva Ramos, o Sr. 1º Secretario lê a ata da sessão anterior que sem debate é aprovada.

É lido como expediente um ofício do Sr. Francisco G. da Silva Cabrita comunicando haver assumido o cargo de diretor do Externato do Ginázio Nacional, onde tem funcionado a Academia e pondo os seus serviços á disposição da mesma Academia. O Sr. Prezidente mandou agradecer.

Entrando-se na ordem do dia, foi dentre varios dezenhos escolhido para emblema da Academia um trabalho do Sr. Raul Pederneiras.

O Sr. Lucio de Mendonça propoz, e foi aceito, que se oficiasse não só ao Sr. Raul Pederneiras[32] como ao Sr. Rodolfo Amoedo[33] que tambem fez um esboço do emblema, agradecendo os seus respectivos trabalhos.

Os Srs. José Verissimo e Lucio de Mendonça aprezentaram para distico[34] das publicações da Academia o seguinte verso de Machado de Assis.

"Esta a gloria que fica, eleva, honra e consola".[35]

A Academia aprovou por unanimidade de votos.

O Sr. Prezidente comunica um pedido do Sr. Valentim Magalhães de venia para fazer a declaração de que é membro da Academia com um livro intitulado Alma e que está em via de publicação.

A Academia concede, bem como ao Sr. Arthur Orlando, digo, Azevedo que verbalmente o solicita para a sua comedia O Badejo.

O Sr. Prezidente informou que já passados tres mezes que faleceu o Sr. João Manuel Pereira da Silva era tempo de se proceder á eleição para preenchimento de sua vaga, nos termos do Rejimento[36] e para isso dezignou o dia 3 de outubro[37] ás 3 horas da tarde em local que será oportunamente anunciado.

[38]

Achando-se adiantada a hora e não havendo mais assunto a ser tomado em consideração, o Sr. Prezidente suspende a sessão, marcando para a proxima sessão a seguinte ordem do dia - eleição de um membro efetivo.

Ao que para constar lavro esta ata que assino.

 

O 1º Secretario

Rodrigo Octavio de L. Menezes [39]

 

 

 

Ata da sessão de 1 de outubro de 1898 [40]
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Em 1 de outubro de 1898, ás 3 horas da tarde, na sala da redação da Revista Brazileira, prezentes os Srs. Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, Inglez de Souza, Araripe Junior, Filinto de Almeida, José do Patrocinio, Guimarães Passos, José Verissimo, Visconde de Taunay, Eduardo Prado, Affonso Celso, Barão de Loreto, Graça Aranha, Arthur Azevedo, Raymundo Corrêa, Valentim Magalhães, havendo numero legal, o Sr. Prezidente declara aberta a sessão.

O 2º Secretario lê a ata da sessão anterior que sem debate é aprovada.

Não havendo expediente, passa-se á ordem do dia, anunciando o Sr. Prezidente que se vai proceder, por escrutinio secreto, á eleição de um membro efetivo na vaga aberta por falecimento do Sr. João Manuel Pereira da Silva.[41]

Antes de se proceder á eleição, o Sr. Prezidente lê uma carta do Sr. Ruy Barboza que, não havendo comparecido,[42] pede para se apurar o seu voto pelo Sr. Rio Branco, se lhe for permitido votar por essa forma. O Sr. Prezidente declara que não permitindo o Rejimento que se apurasse o voto expresso por carta, fazia constar da ata a carta do Sr. Ruy Barboza.

Providenciada a [43] eleição, são recolhidas vinte e uma cedulas que apuradas dão ao Sr. Barão do Rio Branco vinte e um votos. O Sr. Prezidente proclama o Sr. Barão do Rio Branco membro efetivo da Academia Brazileira de Letras, deixando de dezignar dia para recepção porque rezidindo o novo academico prezentemente no estranjeiro lhe era facultado tomar posse por ofício, nos termos do art. 22 do Rejimento.

Encerrada a ordem do dia, vem á meza e é lida uma proposta do Sr. Emilio Zola para membro correspondente da Academia, assinada pelos Srs. Lucio de Mendonça, Araripe Junior, Inglez de Souza, Guimarães Passos, José do Patrocinio, Rodrigo Octavio, Arthur[44] Azevedo, José Verissimo, Raymundo Corrêa, Visconde de Taunay, Barão de Loreto, Filinto de Almeida e Valentim Magalhães.

Aceita a proposta, o Sr. Inglez de Souza requereu urgencia para que fosse votada na prezente sessão. Sobre a urgencia falaram os Srs. Graça Aranha, Rodrigo Octavio, José do Patrocinio, Filinto de Almeida, Guimarães Passos, Joaquim Nabuco[45], Lucio de Mendonça, José Verissimo, sendo afinal concedida a urgencia por nove contra sete votos.

Posta a votar a proposta, é o Sr. Emilio Zola eleito, em escrutínio secreto, membro correspondente da Academia por 16 votos, tendo havido uma cedula em branco.

O Sr. Prezidente proclama o Sr. Emilio Zola membro correspondente da Academia Brazileira de Letras.

 

Vem á meza e é lida a seguinte declaração da voto:

- Eduardo Prado declara que não toma parte na votação porque este aplauzo tão acentuado a Zola no momento atual, por ser o defensor de uma vitima[46], pode parecer uma condenação ou um estigma de muitos escritores tanto estranjeiros como nacionais que em varias epocas têm deixado indefezas[47] ou mesmo atacado outras vítimas. Rio, 1 de outubro de 1898. Assinado. Eduardo Prado.

Não havendo mais nada a tratar-se, o Sr. Prezidente suspende a sessão, dando para ordem do dia da proxima sessão, que será oportunamente dezignada: eleição de membros correspondentes; o requerimento do Sr. Filinto de Almeida.

Do que para constar lavro esta ata que aqui assino.

 

Rodrigo Octavio de L. Menezes,

1º Secretario

 

 

 

Ata da sessão de 25 de outubro de 1898 44a
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos vinte e cinco de outubro de 1898, prezentes em uma das salas da Biblioteca Fluminense[48]b os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Joaquim Nabuco, José Verissimo, Visconde de Taunay, Graça Aranha, Lucio de Mendonça, Filinto de Almeida, Araripe Junior, Inglez de Souza e Teixeira de Mello, o Sr. Prezidente ás 3 ½ horas da tarde declara aberta a sessão.

Não havendo expediente, depois de lida e aprovada a ata da sessão anterior de 1 de outubro corrente, foi pelo Sr. Prezidente declarado que o fim daquella reunião era a eleição dos membros correspondentes da Academia e que já tendo sido o Sr. Emilio Zola eleito na sessão de 1 de outubro, deveriam os Srs. academicos eleger os 19 lugares restantes.

Depois de suscitar uma questão sobre o modo da votação, em que tomaram parte os Srs. Filinto de Almeida, Rodrigo Octavio e Joaquim Nabuco, procedeu-se ao escrutinio uninominal mediante propostas verbais que foram sendo feitas pelos Srs. Academicos e foram sucessivamente eleitos os Srs. Guerra Junqueiro, por 7 contra 4 votos, Teophilo Braga por 6 contra 5 votos, Eça de Queiroz por 9 contra 1, Eugenio de Castro por 8 contra 2, tendo havido uma cedula em branco, Elisée Reclus por 10 votos, havendo 1 em branco, D. José Echegeray por 11 votos, Herbert Spencer por 11 votos, Conde Leão Tolstoi por 11 votos, Paul Groussac por 7 contra 4, Bartholomeu Mitre por 11 votos, Garcia Merou por 10 votos contra 1, Guilherme Blest Gana por 9 votos, com 2 em branco, Giosuè Carducci[49] por 11 votos, Theodor Mommsen[50] por 11 votos e Henrik Ibsen[51] por 10 votos contra 1. E Rafael Obligado[52].

Achando-se a hora adiantada e faltando ainda proceder-se á eleição de 3 membros correspondentes, o Sr. Prezidente suspendeu a eleição, cuja conclusão ficou rezervada para sessão posterior.

Vem á meza e é lida uma proposta do Sr. Visconde de Taunay para que se considerem os atuais membros correspondentes como membros honorarios, elegendo-se mais 20 membros ilegível dos correspondentes. Depois de discussão é a proposta rejeitada.

E não havendo mais a tratar, o Sr. Prezidente suspende a sessão marcando o dia para a proxima sessão e dando para ordem do dia a eleição de membros correspondentes.

Do que para constar lavro esta ata, que no impedimento do 2º Secretario, subscrevo e assino.

 

Rodrigo Octavio de L. Menezes

1º Secretario

 

 

 

Ata da sessão solene de 30 de novembro de 1898 [53]
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 8 horas da noite, no salão de honra do Ministério do Interior[54], prezentes os Srs. Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, Inglez de Souza, José Verissimo, Arthur Azevedo, Barão de Loreto, Filinto de Almeida, Graça Aranha, Guimarães Passos, Lucio de Mendonça, Olavo Bilac, Pedro Rabello, Raymundo Corrêa, Salvador de Mendonça e Valentim Magalhães, o Sr. Prezidente declarou aberta a sessão e informando que se achava prezente o Sr. João Ribeiro recentemente eleito para a cadeira Pedro Luiz, vaga pelo falecimento de Luiz Guimarães, o qual nesta sessão devia ser recebido, convidou os Srs. Lucio de Mendonça e Graça Aranha a que o fossem buscar na ante sala[55].

Introduzido o Sr. João Ribeiro, o Sr. Prezidente deu-lhe a palavra.

Finda a leitura do discurso do Sr. João Ribeiro, teve a palavra o Sr. José Verissimo, que fôra dezignado para responder-lhe e que igualmente leu o seu discurso.

Terminada esta, o Sr. Prezidente declara encerrada a sessão.

Achavam-se prezentes muitas senhoras e cavalheiros, o Dr. Thomas Cochrane, Secretario e reprezentante do Prezidente da Republica,[56] e o Sr. Epitacio Pessoa, Ministro da Justiça e Negocios Interiores.

 

Ata da sessão de 21 de junho de 1899
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos vinte e um de junho de 1899, ás 3 ½ horas da tarde na sala de redacção da Revista Brazileira prezentes os Srs. Academicos Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Lucio de Mendonça, José Verissimo, Arthur Azevedo, Inglez de Souza, Aluisio Azevedo, Araripe Junior, Barão de Loreto e João Ribeiro, o Sr. Machado de Assis assume a prezidencia e declara aberta a sessão.

É lida e sem debate aprovada a ata da sessão ordinaria de 25 de outubro do ano passado e não havendo expediente a ler, o Sr. Prezidente anunciando a dolorosa perda que ilegível a Academia com a morte do Sr. Visconde de Taunay, ocorrida no dia 21 de janeiro p.p., designa o dia 10 de agosto p. futuro para se realizar a eleição de um academico que preencha a vaga.

Outrossim anuncia que o Sr. Joaquim Nabuco, Secretario Geral, se retira para Europa em comissão do Governo, a qual o deverá apartar por alguns anos dos trabalhos academicos, e que o Sr. Silva Ramos, 2º Secretario Geral, nomeado diretor do Ginazio Fluminense, transferiu a sua rezidencia para Petropolis; convindo que a Academia proceda á eleição para os cargos vagos.

Dezigna o dia 5 de julho para a proxima sessão, em que se deverão efetuar as eleições para os cargos de Secretario Geral e 2º Secretario.

Nada mais havendo a tratar, o Sr. Prezidente suspende a sessão, do que para constar lavro esta ata que assino.

Eu Rodrigo Octavio, Primeiro Secretario, servindo de segundo.

 

Ata da sessão de 10 de agosto de 1899
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 10 de agosto de 1899, prezentes em uma das salas da Biblioteca Fluminense os Srs. Academicos Machado de Assis, Ruy Barboza, José Verissimo, Silva Ramos, Teixeira de Mello, Medeiros e Albuquerque, Barão de Loreto, José do Patrocinio, Rodrigo Octavio, Urbano Duarte, João Ribeiro, Arthur Azevedo, Valentim Magalhães e Filinto de Almeida, sendo 3 ½ horas da tarde, o Sr. Prezidente declara aberta a sessão.

Aprovadas, sem discussão, as atas das sessões de 25 de outubro de 1898 e 21 de junho de 1899, e não havendo expediente, o Sr. Prezidente declara que de acordo com a ordem do dia vai se proceder á eleição de um membro da Academia na vaga aberta pelo falecimento do saudoso Visconde de Taunay. Comunica o Sr. Prezidente á Academia uma carta na qual o Sr. Dr. Francisco de Castro aprezenta a sua candidatura á cadeira vaga e assim convida os Srs. Academicos a enviarem á meza as duas cédulas. Correndo o escrutinio, foram recebidas 14 cedulas, que apuradas deram o seguinte rezultado. Dr. Francisco de Castro 13 votos, existindo uma cedula em branco.

O Sr. 1º Secretario informa que recebeu do Sr. Affonso Celso uma carta na qual comunica que não podendo comparecer á reunião declarava que se tivesse comparecido votaria no Sr. Francisco de Castro.

O Sr. Prezidente proclama o Sr. Francisco de Castro membro efetivo da Academia Brazileira e dezigna para a sessão solene da recepção o dia 10 de outubro, nomeando o Sr. Ruy Barboza para receber o novo eleito. O Sr. Ruy declara aceitar a dezignação.

Em seguida o Sr. Prezidente informando terem se ausentado do Rio de Janeiro os Srs. Joaquim Nabuco, Secretario Geral, e Silva Ramos, 2º Secretario, dezigna nos termos do art. 6 § 2º do Rejimento[57] Interno, para servir de Secretario Geral o Sr. Medeiros e Albuquerque e de 2º Secretario o Sr. João Ribeiro, tendo os Srs. Valentim Magalhães e Filinto de Almeida, antes dezignados, declinado da incumbencia.

Nada mais havendo a tratar, o Sr. Prezidente suspende a sessão, ficando de convocar outra oportunamente para tratar da recepção do Sr. Francisco de Castro.

 

 

 

Ata da sessão de 23 de junho de 1900
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 23 de junho de 1900, prezentes na sala da Revista Brazileira os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Inglez de Souza, José Verissimo, Lucio de Mendonça, Filinto de Almeida, Domicio da Gama, Barão de Loreto, Arthur Azevedo, Araripe Junior, Urbano Duarte sendo 3 ½ da tarde, o Sr. Prezidente declara aberta a sessão.

É lida e sem discussão aprovada a ata da sessão de 10[58] de agosto de 1899, e não havendo expediente o Prezidente convida os Srs. Academicos a procederem á eleição de dois membros correspondentes, que faltam para completar o numero legal. O Sr. José Verissimo propõe para preencher as duas vagas os nomes dos dois escritores norte-americanos John Fiske e John Hay e correndo o escrutinio são sucessivamente aprovados por unanimidade de votos os dois nomes propostos.

Em seguida o Sr. Prezidente anunciando a morte do poeta italiano Giosuè Carducci [59], que havia sido eleito membro correspondente, convida os Srs. Academicos a elegerem um novo membro correspondente em seu lugar. Corrido o escrutinio é eleito por 6 votos o Sr. Gabrielle d'Annunzio, cujo nome foi proposto pelo Sr. Filinto de Almeida.

E ainda verificando-se que há uma vaga a preencher é eleito por proposta do Sr. José Verissimo, o Sr. Henrik Sienkiewicz unanimemente. Terminada a eleição, o Sr. José Verissimo manda á meza a seguinte proposta:

Proponho que a Academia convide o nosso confrade Sr. Domicio da Gama, recem-chegado da Europa, a fazer em sessão publica o elogio de seu patrono Raul Pompeia, devendo o Sr. Prezidente incumbir um outro academico a lhe dar as boas vindas. Aceita esta proposta, ficará estabelecida a rezolução que nella se contem como regra para todos os cazos identicos.

Posta em discussão esta proposta, é ella aprovada, tendo o Sr. Prezidente nomeado o Sr. Lucio de Mendonça para responder ao discurso do Sr. Domicio da Gama e dezignado o dia 1º de julho para a sessão proxima, cujo local e hora serão oportunamente anunciados pelos ilegível.

O Sr. Inglez de Souza fazendo considerações acerca da conveniencia de se promover a arrecadação de quaisquer recursos para regularizar a existencia da Academia, propõe que se nomeie uma comissão para tratar do assunto.

Aprovada a proposta, o Sr. Prezidente nomeia para essa comissão os Srs. Inglez de Souza, Lucio de Mendonça e Rodrigo Octavio.

Nada mais havendo a tratar o Sr. Prezidente suspende a sessão dezignando o dia 30 do corrente para uma reunião afim de tratar-se da sessão pública.

Do que para constar lavro esta ata que assino no impedimento do 2º Secretario.

 

Rodrigo Octavio de Langgaard Menezes

 

 

 

Ata da sessão de 30 de junho de 1900
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 30 de junho de 1900, prezentes na sala de redação da Revista Brazileira os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, João Ribeiro, Arthur Azevedo, Inglez de Souza, Araripe Junior, Lucio de Mendonça e Domicio da Gama, ás 3 ½ horas da tarde o Sr. Prezidente declara aberta a sessão.

Não havendo expediente, depois de lida e aprovada a ata da sessão anterior de 23 do corrente, foi pelo Sr. Prezidente declarado que aquella sessão tinha por fim tomar providencias acerca da sessão solene de recepção ao Sr. Domicio da Gama, a qual deve realizar-se no dia 1 de julho, na grande data do Gabinete Portugues de Leitura, graciozamente cedido por sua digna diretoria.

Informou mais o Sr. Prezidente que a diretoria da Academia havia providenciado para a realização da solenidade mandando imprimir os convites e alugando as cadeiras necessárias para guarnecer o salão e como não havia fundos tornava-se mister que houvesse uma pequena contribuição de 10$000 paga por cada academico para atender ás despezas.

Entrando em discussão a proposta do Sr. Prezidente foi aprovada ficando o Sr. Thezoureiro encarregado de fazer a arrecadação das contribuições, prestando oportunamente contas.

Tendo o Sr. João Ribeiro se escuzado de exercer o cargo de 2º Secretario, para que fôra designado na sessão de 10 de agosto do ano passado, o Sr. Prezidente anunciou que o Sr. Silva Ramos 2º Secretario efetivo, tendo deixado o lugar de diretor do Ginazio Fluminense e voltado a rezidir nesta cidade, reassumia a efetividade de seu posto na Academia.

Nada mais havendo a tratar o Sr. Prezidente suspende a sessão ás 4 ½ horas da tarde, deixando de dezignar dia para a proxima sessão que será em tempo convocada.

Do que para constar lavro a prezente ata que assino no impedimento do 2º Secretario.

 

Rodrigo Octavio de L. Menezes

 

 

 

Ata da sessão de 1 de julho de 1900
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis [60]
 

A 1 de julho de 1900, ás 8 horas da noite, prezentes no grande salão da biblioteca do Gabinete Portugues de Leitura[61] os Srs. Machado de Assis, Lucio de Mendonça, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, João Ribeiro, Filinto de Almeida, Medeiros e Albuquerque, Barão de Loreto, Inglez de Souza e Guimarães Passos, o Sr. Prezidente abrindo a sessão declara que ella tem por fim receber do Sr. Domicio da Gama, eleito membro da Academia em 28 de janeiro de 1897, mas que pela circunstancia de rezidir no estranjeiro, onde fez parte de nosso corpo diplomático, só agora voltou ao Brasil.

Introduzido no recinto e tomando lugar á meza, o Sr. Domicio da Gama leu o seu discurso, respondendo-lhe em seguida o Sr. Lucio de Mendonça.

Assistiu á sessão numerozo auditório, achando-se reprezentado o Sr. Prezidente da República pelo seu Secretario.

 

 

 

Ata da sessão de 11 de abril de 1901 [62]
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Prezentes os Srs. Barão de Loreto, Guimarães Passos, Inglez de Souza, João Ribeiro, José Verissimo, Lucio de Mendonça, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Pedro Rabello, Rodrigo Octavio e Silva Ramos, o Sr. Prezidente declara aberta a sessão.

Reassumindo o lugar de 2º Secretario o Sr. Silva Ramos.

É lida e aprovada a ata da sessão anterior.

A meza toma conhecimento de uma comunicação do Sr. Urbano Duarte de que não comparece á sessão por motivo de doença.

Tendo sido tomada em consideração uma proposta do Sr. Magalhães de Azeredo sobre a necessidade de obter recursos para a Academia e tendo a mesma servido para baze do debate, foi afinal aprovada a seguinte proposta do Sr. Lucio de Mendonça:

"Fica o Thezoureiro autorizado a atender os pedidos da Secretaria de objetos necessarios ao expediente da Academia, procedendo-se em seguida ao rateio."[63] Em virtude da prezente proposta ficou aprovado, digo, rezolvido que do material necessario para o expediente da Academia o 1º Secretario enviará um pedido ao Thezoureiro que orçando a despeza necessaria fará o rateio entre os Academicos rezidentes no Rio de Janeiro afim de atender á despeza. Feito o rateio, remetel-o-á á Secretaria que por sua vez transmitirá a cada membro a respectiva nota com a quota consignada.

Em seguida o Sr. Rodrigo Octavio aprezenta a seguinte proposta, que foi aprovada unanimemente:

"Proponho que a Academia em homenagem ao Gabinete Portugues de Leitura, cuja diretoria tão gentilmente permitiu a celebração das nossas sessões magnas no magnífico salão da Biblioteca, ofereça ao mesmo Gabinete as obras dos Academicos, devendo a Secretaria oficiar a cada um delles pedindo a remessa urgente de seus respectivos livros."

Propos ainda o Sr. Rodrigo Octavio que o Prezidente designasse tres membros da Academia para escreverem respectivamente os traços biográficos de João Manuel Pereira da Silva, Luis Guimarães e Visconde de Taunay, falecidos membros da Academia, afim de serem publicados no Boletim. Discutida a proposta, rezolveu a Academia que suas biografias sejam feitas pelo Secretario Geral no seu discurso inaugural anual.

Não havendo mais nada a tratar, o Prezidente encerra a sessão marcando a seguinte para 25 de abril.

 

 

 

Ata da sessão de 25 de abril de 1901
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Prezentes os Srs. Barão de Loreto, Inglez de Souza, José Verissimo, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Rodrigo Octavio e Silva Ramos, o Prezidente declara aberta a sessão.

O Sr. Rodrigo Octavio comunica que tendo requerido ao Ministério da Fazenda o cumprimento da lei no que respeita á impressão dos boletins, já foi expedido aviso á Typografia Nacional nesse sentido. Egual comunicação fez o Sr. Machado de Assis relativamente á franquia ilegível.

Rezolveu-se que a sessão solene da Academia se realizaria no dia da inauguração do busto de Gonçalves Dias.

Não havendo mais nada a tratar, o Prezidente levanta a sessão.

 

 


Acta da sessão de 2 de junho de 1901
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos dois de junho de 1901, prezentes ás 8 horas da noite, no salão da biblioteca do Gabinete Portugues de Leitura os Srs. Machado de Assis, Valentim Magalhães, Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Silva Ramos, José do Patrocinio, Rodrigo Octavio, Guimarães Passos, Arthur Azevedo, Barão de Loreto, Filinto de Almeida, José Verissimo, Pedro Rabello, Medeiros e Albuquerque e Olavo Bilac, o Sr. Prezidente declara aberta a sessão e dá a palavra ao Sr. Rodrigo Octavio, 1o Secretario.

O Sr. Rodrigo Octavio lê a memoria historica dos trabalhos da Academia. Em seguida o Sr. Medeiros e Albuquerque, Secretario Geral interino, lê o elogio dos academicos falecidos: Pereira da Silva, Visconde de Taunay e Luiz Guimarães Junior.

O Sr. Prezidente dá então a palavra ao Sr. Olavo Bilac, que faz o elogio de Gonçalves Dias, patrono de sua cadeira.[64]

Terminada a leitura do discurso do Sr. Olavo Bilac, o Sr. Prezidente declara encerrada a sessão.

Esteve prezente, alem de numerozas autoridades, o Prezidente da Republica o Sr. M. F. de Campos Salles acompanhado de seu secretario Sr. Thomas Cochrane.

 

 

 

13 de junho de 1901 [65]
 

Rua da Quitanda, 47 [66]

Presentes: Medeiros e Albuquerque, José Verissimo, Inglez de Souza, Machado de Assis, Silva Ramos e Rodrigo Octavio.

 

 

 

29 de agosto de 1901
 

Rua da Quitanda, 47

Presentes: Machado de Assis, Silva Ramos, Olavo Bilac, Arthur Azevedo, Guimarães Passos e Rodrigo Octavio.

 

 

 

Acta da sessão de 12 de setembro de 1901 [67]
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos doze de setembro de mil novecentos e um, presentes os senhores Arthur Azevedo, Inglez de Souza, João Ribeiro, José Verissimo, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque e Rodrigo Octavio, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

Lida e approvada a acta da sessão anterior.

O expediente consta de uma carta espaço remetendo á Academia o seu folheto: Gonçalves Dias e a Academia Brazileira. É approvado unanimemente com voto de agradecimento.

O Sr. Rodrigo Octavio communica o fallecimento do academico Eduardo Prado, occorrido a 30 de agosto ultimo e diz que telegraphou a Garcia Redondo para representar a Academia no acto do enterro, do que ele se desempenhou conforme communicou por carta.

É approvado unanimemente um voto de sentimento pela perda de tão illustre membro.

O Sr. José Verissimo propõe que se altere o Regimento Interno na parte respectiva á forma da eleição dos membros da Academia, afim de que possam os academicos auzentes votar em cedula fechada.

O Sr. Rodrigo Octávio oppõe algumas considerações em contrário; depois de ligeiro debate, é approvada a proposta do Sr. José Verissimo.

Em seguida, o Sr. Presidente marcou o dia 31 de dezembro para a eleição de um novo membro em substituição de Eduardo Prado, fixando o prazo até 31 de outubro para a apresentação do candidato.

Não havendo mais nada a tratar o Presidente levanta a sessão.

 

 

 

24 de outubro de 1901 [68]
 

Presentes: Machado de Assis, Lucio de Mendonça, Olavo Bilac, Guimarães Passos, José Verissimo, Silva Ramos, Rodrigo Octavio e João Ribeiro.

 

 


Acta da sessão de 31 de dezembro de 1901
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis [69]
 

Eleição para a vaga de Eduardo Prado.

Rua da Quitanda, 47.

Presentes: Machado de Assis, Olavo Bilac, Guimarães Passos, Carlos de Laet, José do Patrocinio, Teixeira de Mello, Alberto de Oliveira, Barão de Loreto, Pedro Rabello, José Verissimo, Lucio de Mendonça, Valentim Magalhães, Luiz Murat, Inglez de Souza, Silva Ramos, Filinto de Almeida, Arthur Azevedo, João Ribeiro, Medeiros e Albuquerque, Alcindo Guanabara, Araripe Jr. e Rodrigo Octavio.

Havendo o Sr. Assis Brasil retirado a sua candidatura, o pleito para eleição de um novo membro corre entre os Srs. Affonso Arinos, Martins Junior e Luis Guimarães Filho.

Affonso Arinos obtem 21 votos e Martins Junior 7.

Votaram por carta Nabuco, Graça Aranha, de Londres; Magalhães de Azeredo, de Roma; Domicio da Gama[70], de Bruxellas; Coelho Netto, de Campinas; Raymundo Corrêa, de Petrópolis; e Garcia Redondo, de S. Paulo.

 

 

 

5 de fevereiro de 1902 [71]
 

Presentes: Machado de Assis, Barão de Loreto, Valentim Magalhães, José Verissimo e Rodrigo Octavio.

 

 

 

Acta da sessão de 15 de março de 1902
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis.
 

Ás três horas e meia achando-se presentes os Srs. Machado de Assis, José Verissimo, Alberto de Oliveira, Teixeira de Mello, Arthur Azevedo, João Ribeiro, Lucio de Mendonça, Pedro Rabello, Guimarães Passos, Olavo Bilac, Valentim Magalhães e Silva Ramos, o Presidente abre a sessão.

É approvado que se lance na acta um voto de sentimento pelo fallecimento de Urbano Duarte.

O Sr. Presidente declara que com a perda do socio Urbano Duarte se acha vaga a cadeira França Junior, pelo que começa a correr o prazo para apresentação das candidaturas.

Por proposta do Sr. Pedro Rabello insere-se um voto de pesar pela morte do almirante Augusto Severo.

Em seguida procede-se á eleição para a vaga de Francisco de Castro; verificado o escrutinio foi eleito Martins Junior por quinze votos, obtendo dois votos o candidato Augusto de Lima.

Tendo-se levantado algumas duvidas sobre a forma de apresentação das candidaturas, o Presidente nomeia uma commissão composta dos Srs. José Verissimo, Olavo Bilac e Pedro Rabello afim de apresentar um projecto definitivo.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente levanta a sessão.

 

 

 

9 de setembro de 1902 [72]
 

Rua da Quitanda, 47

Presentes: Lucio de Mendonça, Arthur Azevedo, José Verissimo, Machado de Assis, Barão de Loreto, Silva Ramos.

Foram designados Olavo Bilac e Sylvio Romero para receberem respectivamente os novos Academicos Affonso Arinos e Martins Junior.

 

 

 

Acta da sessão de 4 de dezembro de 1902
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis.
 

Ás três e meia horas da tarde, na sede da Secretaria, á Rua da Quitanda, 47, presentes os Srs. Machado de Assis, Arthur Azevedo, João Ribeiro, Inglez de Souza, José Verissimo, Silva Ramos e Rodrigo Octavio, o Sr. Machado de Assis assumindo a presidencia declara aberta a sessão. Não havendo acta a ser approvada, nem havendo expediente, o Sr. Presidente communica que, achando-se nesta cidade o academico Sr. Magalhães de Azeredo, desejava ser solemnemente recebido lendo nessa occasião o elogio de Gonçalves de Magalhães[73], o patrono de sua Cadeira.

O Sr. Presidente designa para responder ao discurso[74] do Sr. Azeredo, o Sr. Raymundo Corrêa e sobre o dia para a sessão autorisa o Sr. Secretario a se entender com o Sr. Azeredo.

Igualmente o Sr. Presidente communica que havendo terminado o prazo para apresentação das candidaturas ao lugar vago por morte do Sr. Urbano Duarte e havendo se apresentado candidato somente o Sr. Augusto de Lima, designava o dia cinco de fevereiro para realizar a eleição.

Havendo o Sr. Rodrigo Octavio ponderado a conveniencia de ser nomeado um academico para auxiliar o Secretario na confecção dos boletins, foi designado o Sr. João Ribeiro que aceitou a incumbencia.

 

Nada mais havendo a tratar o Sr. Presidente suspende a sessão convocando outra para cinco de fevereiro para eleição de um novo acadêmico.

Do que lavrei esta acta no impedimento do Sr. Secretario.

 

(a) Rodrigo Octavio

1o Secretario

 

 

 

5 de fevereiro de 1903 [75]
 

Rua da Quitanda, 47.

Eleição de Augusto de Lima na vaga de Urbano Duarte.

Presentes: Machado de Assis, Arthur Azevedo, Filinto de Almeida, Raymundo Corrêa, João Ribeiro, Silva Ramos, Barão de Loreto, Rodrigo Octavio.

 

 

 

Acta da sessão de 27 de maio de 1903
 

Presidencia de Machado de Assis
 

Ás três e meia da tarde presentes os Srs. Machado de Assis, Domicio da Gama, José Verissimo, Filinto de Almeida, Arthur Azevedo, Raymundo Corrêa, João Ribeiro, Araripe Junior, Rodrigo Octavio, o Sr. Presidente abre a sessão e communica á Academia o fallecimento de Valentim Magalhães.

Declarada vaga a cadeira, é fixado até 30 de junho o prazo para apresentação das candidaturas e para meado de setembro a eleição de um novo membro.

O Sr. Rodrigo Octavio declara haver sido nomeado escripturario da Academia Mario Pinto de Souza e accusa o recebimento de um officio da Federação dos Estudantes Brazileiros dando pesames pelo fallecimento de Valentim Magalhães.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente levanta a sessão.

 

 

 

Acta da sessão de 17 de julho de 1903
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás oito e meia da noite no Salão do Gabinete Portuguez de Leitura, presentes os Srs. Machado de Assis, Inglez de Souza, Medeiros e Albuquerque, Rodrigo Octavio, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Raymundo Corrêa, Filinto de Almeida, Lucio de Mendonça, Domicio da Gama, José Verissimo, Barão de Loreto, Guimarães Passos, Arthur Azevedo, Alberto de Oliveira, Sylvio Romero, Martins Junior e Silva Ramos, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O Sr. Oliveira Lima faz o elogio de Francisco Adolpho de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro, ao que respondeu o Sr. Salvador de Mendonça.

 

 

 

Acta da sessão de 12 de setembro de 1903
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás três e meia horas da tarde presentes os Srs. Machado de Assis, Affonso Arinos, Oliveira Lima, Lucio de Mendonça, José Verissimo e Rodrigo Octavio, o Sr. Presidente abre a sessão, designando o dia 18 do corrente para a sessão solemne de posse do Sr. Affonso Arinos e o dia 21 para a eleição do membro que tem de occupar a cadeira vazia pelo fallecimento de Valentim Magalhães.

Em seguida nomeia uma commissão composta dos Srs. José Verissimo e João Ribeiro para solicitar da directoria do Gabinete Portuguez de Leitura a cedencia de seu salão.

Não havendo mais nada a tratar, encerra-se a sessão.

 

 


Acta da sessão de 18 de setembro de 1903
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás oito e meia horas da noite no salão do Gabinete Portuguez de Leitura, presentes os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Barão do Rio Branco, Barão de Loreto, Carlos de Laet, Inglez de Souza, Olavo Bilac, Medeiros e Albuquerque, Filinto de Almeida, José Verissimo, Oliveira Lima, Domicio da Gama, Arthur Azevedo, João Ribeiro, Alcindo Guanabara, Lucio de Mendonça, Raymundo Corrêa e Silva Ramos, o Sr. Presidente abre a sessão e acto continuo nomeia uma commissão composta dos Srs. Rodrigo Octavio e espaço para irem receber na ante sala o Sr. Affonso Arinos.

Introduzido no recinto o novo membro faz o elogio de Eduardo Prado alludindo por vezes á personalidade do Patrono da cadeira Visconde do Rio Branco.

Em seguida o Sr. Presidente concede a palavra ao Sr. Olavo Bilac que respondeu em nome da Academia.

Encerra-se a sessão ás 10 ½..

 

 

 

21 de setembro de 1903 [76] [77]
 

Rua da Quitanda, 47.

Eleição para a vaga de Valentim Magalhães.

Presentes: Machado de Assis, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Araripe Junior, Silva Ramos, Inglez de Souza, Oliveira Lima, Affonso Arinos, José Verissimo[78], João Ribeiro, Domicio da Gama, Luis Murat, Filinto de Almeida[79], Lucio de Mendonça[80], Raymundo Corrêa[81], Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Teixeira de Mello, Alcindo Guanabara[82], Barão de Loreto[83], Rodrigo Octavio.

Ausentes: 10.

Resultado: Euclydes da Cunha - 24 votos; Domingos Olympio - 4 votos; Silvino Amaral - 2 votos; Xavier Marques - 1 voto.

 

 

 

Acta da sessão de 1 de agosto de 1904
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, José Verissimo, Filinto de Almeida, Raymundo Corrêa, Barão de Loreto, Araripe Junior, Oliveira Lima, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, o Sr. Presidente abre a sessão.

O Sr. Presidente communica que o Sr. Ministro do Interior dando cumprimento ao artigo 1o da Lei no 726 de 8 de dezembro de 1900 acaba de dar installação permanente a esta instituição na ala do edifício do Cais da Lapa [84] fronteiro ao Passeio Público. Pondera em seguida que não sendo possível tornar-se effectiva essa installação, enquanto a Academia não adquirir a mobilia de que necessita, compete aos Srs. membros accordarem na maneira de obter recursos para aquelle fim. Depois de varios alvitres, a assembléia encarrega a [85] meza de agradecer ao Sr. Ministro do Interior e de se entender com o Poder Legislativo e ao qual pedirá seja votada uma pequena subvenção afim de que possa dar completo cumprimento á lei que autoriza a installação da Academia.

Em seguida resolve que fique constando da acta a correspondencia trocada entre o Sr. Presidente da Academia e o Sr. Ministro do Interior sobre a installação da Academia.

Consiste essa correspondencia nos quatro officios: Copia no 27. Rio, 2 de agosto de 1904. Ilm e Exm Sr. Ministro da Justiça e Negocios Interiores. Tive a satisfação de dar á Academia Brazileira em sessão de hontem a noticia de que V.Exa, em nome do Governo, havia designado no edificio do Cais da Lapa a ala fronteira ao Passeio Publico para installação daquele instituto em cumprimento do disposto no acto 1o da Lei 726 de 8 de dezembro de 1900. A Academia tomando conhecimento desse facto autorizou-me a apresentar a V. Exa o seu profundo agradecimento esperando corresponda a confiança nella depositada pelos Poderes Publicos da Nação. Cumprindo a deliberação da Academia tenho a honra, Sr. Ministro, de offerecer a V. Exa o meu protesto de alta estima e consideração. (a) Joaquim Maria Machado de Assis. Resposta. Copia. Gabinete Ministerio da Justiça e Negocios Interiores. Rio de Janeiro, 4 de agosto de 1904. Recebi o officio em que V. Exa. se serviu communicar em ter dado á Academia Brazileira de Letras em sessão de ante hontem a notícia de que esse Ministério havia designado no edifício da Praia da Lapa a ala fronteira ao Passeio Publico para a installação daquele instituto. Folgo de que ella tivesse agradado á Academia Brazileira, cujo reconhecimento recebo com satisfação porque me foi realmente grato poder cumprir o disposto no art. 1o da Lei no 726 de 8 de dezembro de 1900, o qual autorizou o Governo a dar-lhe permanente installação em Predio Publico de que pudesse dispor. Executei essa autorização, convencido de que prestava serviço valioso ás letras nacionaes, servindo aos que com mais brilho as cultivam e representam, os illustres membros da Academia Brazileira. Faço votos pela prosperidade da Academia e tenho a honra de renovar a V. Exa. os protestos da minha grande consideração e particular estima. p/ J. J. Seabra. Ilm e Exm Sr. Joaquim Maria Machado de Assis. Muito digno Presidente da Academia Brazileira de Letras.

Não havendo mais nada a tratar, o Sr. Presidente levanta a sessão.

 

 

 

Acta da sessão de 6 de setembro de 1904
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, Affonso Arinos, José Verissimo, João Ribeiro, Araripe Junior, Raymundo Corrêa e Rodrigo Octavio, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

Em seguida communica a vaga da cadeira "Francisco Octaviano" occasionada pelo fallecimento de Martins Junior.

É fixado o dia 30 de novembro como limite do prazo para apresentação das candidaturas e a primeira quinzena de fevereiro para se effectuar a eleição.

É lida e approvada a seguinte indicação: "Considerando que a Academia Brazileira começou a ter despezas permanentes desde que lhe foi concedida definitiva installação no edifício do Cais da Lapa e que a Academia ainda não tem uma subvenção nem outro meio de obter recursos para suas despesas, propomos que se adopte a seguinte indicação: Art. Único: Fica instituida como medida transitoria uma contribuição mensal para os membros da Academia que quizerem concorrer para as despesas do seu expediente. § 1o A contribuição será enviada até o dia 5 de cada mez, directamente ao Thesoureiro. § 2o A presente revelação será communicada por carta a todos os membros da Academia e em seguida archivada sem ter publicidade. Rio 9 de agosto de 1904. (a) Machado de Assis. Arthur Azevedo. Rio Branco. Rodrigo Octavio. Domicio da Gama. Medeiros e Albuquerque. M. de Oliveira Lima. João Ribeiro. Filinto de Almeida. T. A. Araripe Junior. José Verissimo. Inglez de Souza. Lucio de Mendonça. Raymundo Corrêa. Barão de Loreto. Affonso Arinos. Approvada em sessão de hoje 6 de setembro de 1904. (a) Machado de Assis. Está conforme o original. (a) Rodrigo Octavio.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão designando o dia 8 [86]do corrente para uma sessão extra ordinaria, afim da Academia ouvir a leitura do trabalho de Affonso Arinos "O Contratador de diamantes".

 

 

 

9 de setembro de 1904 [87]
 

No salão nobre do andar superior do Gabinete Portuguez de Leitura, ás 4 horas da tarde.

Presentes: Machado de Assis[88], Affonso Arinos[89], Barão de Loreto[90], Rodrigo Octavio[91], Arthur Azevedo, Coelho Netto, Silva Ramos, Oliveira Lima[92], Filinto de Almeida[93].

Ordem do dia: leitura da peça de Affonso Arinos "O Contratador de diamantes".

A sessão terminou ás 8 horas da noite.

Assistiram á sessão o Ministro de Portugal e a Directoria do Gabinete.

 

 

Acta da sessão de 15 de fevereiro de 1905 [94]
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis [95]
 

Em 15 de fevereiro de 1905, na sede da Secretaria, rua da Quitanda 47, presentes os senhores Machado de Assis, Domicio da Gama, Guimarães Passos, Filinto de Almeida, Coelho Netto, Luiz Murat, Graça Aranha, Inglez de Souza, Araripe Junior, Pedro Rabello, Barão de Loreto, Affonso Arinos, José Verissimo, Medeiros e Albuquerque, Raymundo Corrêa, Alberto de Oliveira, Arthur Azevedo, Teixeira de Mello, Rodrigo Octavio, o Sr. Presidente declara aberta a sessão. Lidas e approvadas as actas das sessões de 1 de agosto e 6 de setembro de 1904, annuncia a leitura do expediente que consta de um officio do Sr. Euclydes da Cunha[96] communicando que tendo de se ausentar desta cidade por tempo indeterminado, tomava posse da cadeira por esse officio nos termos do art. 22 do Regimento Interno.

O Sr. Rodrigo Octavio, Primeiro Secretario, communica que transmittiu á Commissão dos festejos realisados no Maranhão em honra da memoria de Gonçalves Dias o seguinte telegramma: "A Academia Brazileira apresenta á nobre terra maranhense a manifestação de seu apreço no momento em que commemora o quadragesimo anniversario de morte de Gonçalves Dias, dilecto filho e uma das mais puras glorias das letras nacionaes", e que a Commissão se dignou responder nos seguintes termos: "Agradecemos homenagem prestastes glorificação Gonçalves Dias. Joaquim Alfredo Fernandes, Adolpho Marques, Hermilio Pereira Reis, Vespasiano Ramos, Corrêa de Araujo."[97] O Sr. Filinto Almeida communica um telegramma do Sr. Vicente de Carvalho desistindo da candidatura á vaga da cadeira de Martins Junior, no que a assemblea acquiesceu, considerando retirada a candidatura.

Sendo a ordem do dia o preenchimento da vaga da cadeira de Martins Junior, procedeu-se á eleição e foram recolhidas trinta e uma cedulas, sendo por carta os votos de Affonso Celso, Aluizio Azevedo, Clovis Bevilacqua, Garcia Redondo, Joaquim Nabuco[98], Magalhães de Azeredo, Oliveira Lima, Barão do Rio Branco, Salvador de Mendonça, Sylvio Romero, Augusto de Lima e Euclydes da Cunha. Apurando-se as cedulas recolhidas e nomeados os escrutinadores deu a eleição o seguinte resultado: Souza Bandeira, quinze votos; Ozorio Duque Estrada, quatorze votos; Vicente de Carvalho, dois votos. Verificando-se não haver nenhum dos candidatos obtido maioria absoluta designou-se para se effectuar novo escrutinio entre os dois mais votados um dia da segunda quinzena de maio proximo que será fixado pela mesa. Não havendo mais nada a tratar, o Sr. Presidente encerra a sessão.

 

 

 

Acta da sessão de 27 de maio de 1905 [99]
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

No dia vinte e sete de maio de mil novecentos e cinco, presentes os Srs. Teixeira de Mello, Araripe Junior, Alberto de Oliveira, Guimarães Passos, Raymundo Corrêa, Lucio de Mendonça, Machado de Assis, José Verissimo, Filinto de Almeida, João Ribeiro, Inglez de Souza, Arthur Azevedo, Rodrigo Octavio, Medeiros e Albuquerque e Silva Ramos, o Sr. Presidente abre a sessão.

Lida a acta da sessão anterior é approvada. O Sr. Presidente declara que se vai proceder á eleição de um membro para occupar a cadeira vaga pelo fallecimento de Martins Junior.

O Sr. Rodrigo Octavio propõe que antes de se proceder á eleição a assembléa delibere se devem ser aceitos os votos enviados em carta fechada por membros residentes na Capital. Foi decidido por maioria que tais votos se não apurassem, abstendo-se de votar o Sr. Lucio de Mendonça por haver entrado em duvida se o Sr. Salvador de Mendonça se deveria considerar residente na Capital. Opinando a maioria que não, foi apurado o voto do Sr. Salvador de Mendonça, deixando de ser considerados os votos dos Srs. Pedro Rabello, Luiz Murat, Sylvio Romero, e Barão de Loreto. Em seguida, procedeu-se ao escrutinio, verificando-se a existencia de vinte e quatro cedulas, sendo quinze de membros presentes e nove enviadas em carta fechada, de membros não residentes na Capital. A apuração deu o seguinte resultado: João de Souza Bandeira, dezessete votos; Ozorio Duque Estrada, sete votos.

O Sr. Presidente proclama membro da Academia Brazileira o Sr. João de Souza Bandeira.

Os votos enviados por carta foram os dos Srs. Graça Aranha, Barão do Rio Branco, Euclydes da Cunha[100], Joaquim Nabuco, Affonso Arinos, Garcia Redondo, Salvador de Mendonça, Magalhães de Azeredo e Oliveira Lima. O Sr. Presidente declara que tendo occorrido o fallecimento de José do Patrocinio, o praso para apresentação de candidaturas á vaga por ele deixada findará em 31 de julho, devendo a eleição realizar-se na 1a quinzena de outubro. Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente levanta a sessão.

 

 

 

31 de julho de 1905 [101]
 

Presentes: Machado de Assis, José Verissimo, Salvador de Mendonça, Lucio de Mendonça, Silva Ramos, Araripe Junior, João Ribeiro e Rodrigo Octavio.

 

 

 

10 de agosto de 1905 [102]
 

Presentes: Machado de Assis[103], Medeiros e Albuquerque, Inglez de Souza, Silva Ramos, Graça Aranha, Barão do Rio Branco, Olavo Bilac, Guimarães Passos, José Verissimo[104], Filinto de Almeida[105], Lucio de Mendonça[106], Salvador de Mendonça, João Ribeiro, Raymundo Corrêa, Alberto de Oliveira, Alcindo Guanabara[107], Arthur Azevedo, Domicio da Gama[108], Sylvio Romero, Barão de Loreto[109], Affonso Arinos, Souza Bandeira e Rodrigo Octavio.

 

Acta da sessão de 18 de setembro de 1905 [110]
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, João Ribeiro, José Verissimo, Souza Bandeira, Inglez de Souza e Rodrigo Octavio, o Sr. Presidente abre a sessão.

A Academia resolve substituir a contribuição voluntaria para expediente communicada aos membros pela Circular no 29 de 9 de setembro de 1904 pela contribuição fixa de 5$000 mensaes a contar de setembro findo.

O Sr. Rodrigo Octavio apresenta a seguinte proposta: Proponho que a Academia nomeie um de seus membros para se encarregar da organização e publicação dos Boletins.

Approvada esta proposta, foi eleito o Sr. Souza Bandeira para este cargo. Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão.

 

 

 

Acta da sessão de 23 de outubro de 1905 [111]
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, Graça Aranha, Rodrigo Octavio, Inglez de Souza, Souza Bandeira e Silva Ramos, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O Sr. Presidente communica á Academia que tendo sido a presente sessão convocada para se designar o dia em que se deve proceder á eleição para preenchimento da vaga de José do Patrocinio, que ella se effectuará no dia 31 de outubro.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente levanta a sessão.

 

 

 

Acta da sessão de 31 de outubro de 1905 [112]
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, Salvador de Mendonça, Lucio de Mendonça, Coelho Netto, Araripe Junior[113], Alcindo Guanabara, Guimarães Passos, Inglez de Souza, Olavo Bilac, Rodrigo Octavio, João Ribeiro, Arthur Azevedo, Alberto de Oliveira, Raymundo Corrêa, Souza Bandeira, Filinto de Almeida, José Verissimo e Silva Ramos, o Sr. Presidente abre a sessão.

O Sr. Rodrigo Octavio communica que enviou a todos os membros a circular que levava ao conhecimento de cada um a deliberação da Academia de 18 de setembro do corrente anno sobre a contribuição de 5$000 [114] para as despezas de caracter permanente.

O Sr. Presidente declara que tendo sido a presente sessão convocada para a eleição do membro que pode preencher a vaga de José do Patrocínio se vae proceder á eleição entre os candidatos que são os Srs. Domingos Olympio, Mario de Alencar e Padre[115] Severiano de Rezende.

Procedendo-se á eleição e apurados os votos dos dezoito membros presentes e de mais dez residentes fora da Capital, os quaes os enviaram em carta fechada, verificou-se haverem sido suffragados os seguintes candidatos.

Mario de Alencar com 17 votos, Domingos Olympio com 10 votos, Padre Severiano de Rezende com 1 voto.

Á vista do resultado o Sr. Presidente proclama membro da Academia Brasileira o Sr. Mario de Alencar.

Os nove [116] membros que enviaram os seus votos por carta são os Srs. Domicio da Gama, Magalhães de Azeredo, Barão do Rio Branco, Graça Aranha, Joaquim Nabuco, Euclydes da Cunha, Garcia Redondo, Clovis Bevilacqua, Affonso Celso e Oliveira Lima.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente encerra a sessão.

 

 

 

Acta da sessão de 13 de novembro de 1905
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, José Verissimo, Souza Bandeira e Silva Ramos, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O Sr. Presidente communica que na eleição que se realisou para preenchimento da vaga de José do Patrocinio deixou de ser apurado o voto do Sr. Oliveira Lima, para o Sr. Domingos Olympio, o qual só foi encontrado depois de encerrada a sessão, pelo que se verifica que o Sr. Domingos Olympio teve dez votos em lugar de nove.[117]

O Sr. Rodrigo Octavio apresentou alguns artigos addicionaes ao Regimento Interno, relativos á creação da bibliotheca.

Foram aprovados.

Foi resolvido que o 1º Secretario ficaria interinamente dirigindo a bibliotheca até a eleição do membro que ha de ser encarregado desse serviço.

Em seguida o Sr. Presidente annuncia a proxima sessão para 30 de novembro, sendo a ordem do dia: eleição da mesa, de accordo com o artigo 4 do Regimento Interno e encerramento dos trabalhos do anno.

 

 

 

30 de novembro de 1905 [118]
 

Presentes: Machado de Assis, Lucio de Mendonça, Raymundo Corrêa, Souza Bandeira, João Ribeiro, Silva Ramos e Rodrigo Octavio.

 

 

 

Acta da sessão de 5 de maio de 1906
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Souza Bandeira, Euclydes da Cunha, Silva Ramos, João Ribeiro e Inglez de Souza, abriu-se a sessão.

O Sr. Presidente declarou que o objecto da sessão era tomar conhecimento das candidaturas á vaga de Pedro Rabello, e marcar o dia da eleição. Dois candidatos se haviam apresentado: os Srs. Heraclito Graça e Paulo Barreto.

Foi resolvido que a eleição se fará na 2a quinzena de julho.

Procedeu-se em seguida á nomeação de uma commissão incumbida de propor a reforma ou fixação da orthographia da lingua portugueza, sendo designados os Srs. João Ribeiro, José Verissimo e Silva Ramos.

O Sr. Presidente leu a communicação do Sr. Souza Bandeira de sua proxima viagem para Europa e nomeou para substitui-lo na redacção dos boletins o Sr. Alberto de Oliveira.

Resolveu-se finalmente que as sessões ordinarias se realizem ás 5as feiras.

 

Acta da sessão de 30 de julho de 1906
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Olavo Bilac, Medeiros e Albuquerque, Coelho Netto, Affonso Arinos, Lucio de Mendonça, Raymundo Corrêa, José Verissimo, Arthur Azevedo, Salvador de Mendonça, Guimarães Passos, Machado de Assis, Alberto de Oliveira, Euclides da Cunha, João Ribeiro, Rodrigo Octavio e Silva Ramos, o Presidente declara aberta a sessão.

O Presidente declara que se vem proceder á[119] eleição para a vaga de Pedro Rabello.

Realizado o escrutinio, verificou-se haverem entrado na urna 25 votos, obtendo os Srs. Heraclito Graça, dezessete (17), Paulo Barreto, oito (8).

O Sr. Presidente declara eleito membro da Academia o Sr. Heraclito Graça e encerra a sessão.

 

 

 

Acta da sessão de 22 de novembro de 1906 [120]
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Presentes os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Oliveira Lima, José Verissimo, Euclides da Cunha[121] e Silva Ramos, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O Sr. Presidente communica o fallecimento do Barão de Loreto, membro da Academia,[122] e marca o dia 28 de fevereiro como termo do praso para apresentação das candidaturas á vaga por elle deixada, devendo realizar-se a respectiva eleição na segunda quinzena de abril.

 

 

 

Acta da sessão de 18 de dezembro de 1906
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Recepção solemne do Sr. Euclydes da Cunha

Ás 8 ½ horas da noite, presentes os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Medeiros e Albuquerque, Silva Ramos, Sylvio Romero, Euclydes da Cunha, Domicio da Gama, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Arthur Azevedo, Filinto de Almeida, Barão do Rio Branco, Clovis Bevilacqua, Graça Aranha, Mario de Alencar, Raymundo Corrêa, José Verissimo, e com a assistencia do Sr. Presidente da Republica[123], Ministros do Interior e da Industria, senhoras e cavalheiros, o Sr. Presidente da Academia abre a sessão declarando que o fim desta é a recepção solemne do Sr. Euclydes da Cunha, eleito para a cadeira Castro Alves, vaga pelo fallecimento de Valentim Magalhães.

Em seguida deu a palavra ao Sr. Euclydes da Cunha, que leu o seu discurso, que foi respondido pelo Sr. Sylvio Romero.

 

 

 

Acta da sessão de 11 de abril de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, José Verissimo, Raymundo Corrêa, Sylvio Romero, Lucio de Mendonça, Medeiros e Albuquerque, Alberto de Oliveira, e Silva Ramos, o Sr. Presidente abriu a sessão.

A ordem do dia era tomar conhecimento das candidaturas apresentadas á vaga do Barão de Loreto; mas havendo fallecido o Sr. Teixeira de Mello, o Sr. Presidente propoz, com approvação geral, que se suspendesse a sessão como homenagem de pezar pela perda do saudoso companheiro.

 

 

 

Acta da sessão de 25 de abril de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, João Ribeiro, Souza Bandeira, José Verissimo, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Lucio de Mendonça, Raymundo Corrêa e Mario de Alencar, o Sr. Presidente abriu a sessão.

O Sr. Presidente disse que era occasião de se tomar conhecimento das candidaturas á vaga deixada pelo Barão de Loreto.

Estava terminado o praso de apresentação e apenas um candidato se havia apresentado: o Sr. Arthur Orlando, autor de varios livros de philosophia e critica litteraria. Foi marcado para a eleição o dia 27 de junho. Estando tambem vaga a cadeira - Casemiro de Abreu - que era occupada por Teixeira de Mello, o Sr. Presidente marcou aquella mesma data para a terminação do praso de inscripção dos candidatos.

Foi então resolvido que se mandasse publicar em avulso esse projeto[124] afim de ser distribuido pelos academicos, devendo ser discutido por ordem cada um dos seus itens e depois do estudo de todos elles, votada a materia em sessão que seria previamente annunciada, de modo que pudessem communicar o seu parecer os academicos ausentes.

O Sr. Presidente deu para ordem do dia da sessão seguinte o item a e encerrou os trabalhos.

 

 

Acta da sessão de 2 de maio de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, João Ribeiro, Souza Ribeiro, Souza Bandeira, José Verissimo, Silva Ramos, Salvador de Mendonça, Lucio de Mendonça, Euclydes da Cunha e Mario de Alencar, o Sr. Presidente abriu a sessão.

Começou-se a discutir o projecto do Sr. Medeiros e Albuquerque sobre reforma da orthographia.

Pedindo a palavra, o Sr. Salvador de Mendonça propoz que antes de ser iniciado o estudo do item a do projecto, fosse discutido em geral o assumpto, que esse seu parecer era de grande importancia e não podia ser resolvido pela Academia senão depois de muita ponderação. Achava que as bazes da reforma não deviam ser acceitas, porque tendiam a alterar as formas da língua, sem respeito á etymologia, da qual elle se declarava intransigente defensor, e sobre essa materia discorreu longamente, fazendo o historico da formação da lingua portugueza. Fallaram em defesa do projecto do Sr. Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira e João Ribeiro.

 

 

 

Acta da sessão de 9 de maio de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, João Ribeiro, Souza Bandeira, José Verissimo, Mario de Alencar, Euclydes da Cunha, Lucio de Mendonça, Felinto de Almeida e Silva Ramos, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

Sendo a ordem do dia a discussão do parecer de Medeiros e Albuquerque sobre a fixação da orthographia que a Academia deve adoptar definitivamente nas suas publicações, é dada a palavra ao Sr. Salvador de Mendonça que adduz em longa exposição os argumentos em que se baseia na defesa da orthographia etymologica de que é convicto propugnador. Souza Bandeira, Medeiros e Albuquerque, Silva Ramos accentuam[125] que a simplificação que o projecto pretende não acarretará[126] os inconvenientes antevistos pelo orador precedente. O Sr. José Verissimo acha vantagem em continuar em sessões successivas a que possa concorrer maior numero de socios o estudo de cada um dos pontos em que se acha dividido o projecto, e assim resolve a Academia.

O Sr Presidente declara encerrada a sessão, marcando a seguinte para o dia 16 do corrente, sendo a ordem do dia a continuação do estudo do projecto de fixação da orthographia.

 

 

 

Acta da sessão de 16 de maio de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira, José Verissimo, Arthur Azevedo, João Ribeiro, Salvador de Mendonça, Lucio de Mendonça, Euclydes da Cunha, Sylvio Romero e Mario de Alencar, o Sr Presidente abriu a sessão.

Depois da leitura do expediente, feita pelo Secretario Geral, continuava a discussão do projecto da reforma orthographica.

O Sr. Presidente disse que havia sobre a mesa um novo projecto apresentado pelo Sr. Salvador de Mendonça e outros academicos, e passou ao Secretario Geral, para ser lido e submettido á consideração da Academia.

[127] Salvador de Mendonça apresenta um contra-projecto à proposta de Medeiros e Albuquerque. Requer que a Academia, constituida em commissão geral, componha um diccionario etymologico da lingua portuguesa, que será usado em suas publicações oficiaes, e recommendando desde já varias regras ortograficas. Assignam o contra-projecto: Ruy Barboza, Sylvio Romero, Lucio de Mendonça e Salvador de Mendonça, na integra, e, com restrições, Carlos de Laet, Euclydes da Cunha e Mario de Alencar. Falam em seguida João Ribeiro e Medeiros de Albuquerque. (v. longa noticia na "Gazetilha" do Jornal do Commercio, de 12 de julho).

 

Acta da sessão de 31 de maio de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira, José Verissimo, Coelho Netto, Mario de Alencar, Euclydes da Cunha, Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima e Silva Ramos, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

Estando dada para ordem do dia a discussão do projecto sobre fixação da orthographia que a Academia terá de usar nas suas publicações e por não ter comparecido o Sr. Sylvio Romero que pediu a palavra na sessão antecedente, tomaram a palavra sobre o assumpto fazendo considerações geraes alguns dos membros presentes.

O Sr. José Verissimo propõe que nos nomes indigenas habitualmente escriptos com y se conserve este signal.

A Academia reserva este ponto para estudo ponderado.

Na hora do expediente e por indicação apresentada por Coelho Netto, Euclydes da Cunha e Lucio de Mendonça foi proposto socio correspondente da Academia Brasileira em Portugal o escriptor Malheiro Dias. A proposta foi votada por unanimidade.

Não havendo mais nada a tratar o Sr. Presidente designa para ordem do dia a continuação do estudo do projecto de fixação de orthographia e marcando a proxima sessão para o dia 6 de junho[128] e encerra a sessão.

 

Acta da sessão de 20 de junho de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Raymundo Corrêa, Oliveira Lima, Euclydes da Cunha, Lucio de Mendonça, José Verissimo e Mario de Alencar, o Sr. Presidente abriu a sessão.

Deixou de ser lida a acta da sessão anterior, por não ter comparecido o 2º Secretario.

O Sr. Lucio de Mendonça pediu a palavra e disse que devendo chegar a esta cidade,[129] em transito para Buenos Ayres, o Sr. Guglielmo Ferrero, ha pouco nomeado socio correspondente da Academia, achava necessario que a Academia lhe prestasse qualquer[130] homenagem e nesse sentido consultava o Sr. Presidente sobre a conveniencia de designar-se uma commissão que fosse cumprimentar a bordo o escriptor italiano.

Respondeu o Sr. Presidente que já era seu pensamento promover homenagem ao Sr. Ferrero por occasião de sua vinda ao Rio de Janeiro; e assumindo a indicação do Sr. Lucio de Mendonça, nomeava-o e aos Srs. Raymundo Corrêa e Medeiros e Albuquerque para aquella commissão; mas attendendo ao que ponderou o Sr. Medeiros e Albuquerque, resolveu não nomear commissão, ficando ao seu cuidado designar opportunamente quem fosse, em nome da Academia, cumprimentar a bordo o Sr. Guglielmo Ferrero.

Disse em seguida o Sr. Presidente que o 2º Secretario Sr. Silva Ramos, ao qual incumbe substituir o 1º, Sr. Rodrigo Octavio, ausente na Europa, lhe havia communicado não poder comparecer temporariamente ás sessões. Convinha[131] por isso dar-lhe substituto e na conformidade do 2º parágrafo do art. 6º do Regimento Interno, designava para servir interinamente no cargo de 2º Secretario o Sr. Mario de Alencar, o qual acceitou e agradeceu a nomeação. Passando-se á discussão da reforma da orthographia, falou o Sr. Medeiros e Albuquerque sobre os itens f, g, h, i do projecto de que é autor, e propoz que se marcasse dia para a discussão geral e votação do mesmo projecto[132] e do que fôra apresentado pelo Sr. Salvador de Mendonça.

O Sr. José Verissimo, de acôrdo em que fossem sujeitos a votação os dois projectos, propoz ainda que depois de combinadas as regras geraes da orthographia, se fizesse o vocabulario orthographico da Academia, como meio de confirmar e facilitar a divulgação da reforma.

Acceitas as propostas, marcou-se a sessão de 4 de julho para a discussão geral e a de 11 do mesmo mez para a votação dos projectos.

O Sr. Presidente declarou encerrada a sessão e deu para ordem do dia o seguinte: a eleição para preenchimento da vaga do Barão de Loreto, á qual se apresentou candidato o Sr. Arthur Orlando.

 

 

 

Acta da sessão de 27 de junho de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Raymundo Corrêa, Souza Bandeira, Clovis Bevilaqua, Sylvio Romero, Lucio de Mendonça, Affonso Celso, Salvador de Mendonça, José Verissimo, Silva Ramos, Oliveira Lima e Mario de Alencar, o Sr. Presidente abriu a sessão.

Foi lida e approvada a acta da sessão anterior.

O Sr. Presidente disse que achando-se presentes 13 dos membros residentes nesta cidade e por conseguinte attendida a exigencia do art. 3º do Regimento Interno[133], o qual prescreve que nas eleições só se farão com a maioria dos membros residentes na cidade do Rio de Janeiro, ia proceder á eleição para preenchimento da vaga do Barão de Loreto e convidava os Srs. academicos a darem os seus votos.

Reunidas as cedulas em numero de 13, leu-as em voz alta o Sr. Secretario Geral, ao passo que as ia tomando por escripto o Secretario interino. Leu em seguida o Sr. Presidente os votos enviados, em carta, por alguns dos membros residentes fora do Rio de Janeiro, os Srs. Joaquim Nabuco, Garcia Redondo, Augusto de Lima, Magalhães de Azeredo e Graça Aranha, e pelo Sr. Rodrigo Octavio, ausente na Europa. Somaram-se então 19 votos, todos no candidato Sr. Arthur Orlando, que foi julgado eleito.

Passando á outra parte da ordem do dia, o Sr. Presidente declarou encerrado o prazo de inscripção de candidaturas á vaga de Teixeira de Mello e leu cartas em que se apresentaram candidatos os Srs. Virgilio Varzea, Paulo Barreto e Almirante Jaceguay. Para a respectiva eleição foi aprazada a 1a quinzena de setembro.

O Sr. Presidente communicou ainda aos membros presentes o convite dirigido á Academia Brasileira para a sessão solemne da Academia Nacional de Medicina no dia 30 deste mez, e encerrando a sessão, deu para ordem do dia da seguinte a discussão geral dos projectos de reforma orthographica.

 

 

 

Acta da sessão de 4 de julho de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira, Silva Ramos, João Ribeiro, Lucio de Mendonça, Euclydes da Cunha, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima e Mario de Alencar, o Sr. Presidente abriu a sessão.

Foi lida e approvada a acta da sessão anterior.

O Sr. Salvador de Mendonça disse que antes de começar-se a discussão geral dos projectos sobre orthographia, desejava consultar a[134] Mesa sobre o modo por que se ia proceder á votação da reforma. Precisava sabe-lo com antecedencia, pois tinha a apresentar emendas sobre varias proposições do projecto do Sr. Medeiros e Albuquerque com as quaes não concordava, e da solução da consulta dependia a apresental-as já ou na proxima sessão.

Respondeu-lhe o Sr. Medeiros e Albuquerque[135] que a votação, conforme já se resolvera, ia ser feita em 1o lugar para cada proposição de um e do outro projecto e depois para as proposições[136] geraes, a da lettra a do seu projecto e a do art. 1o do Sr. Salvador de Mendonça[137], nas quaes havia opposição de principios. Seguia-se assim uma ordem logica, do particular para o geral e com a vantagem de não impor a preferencia de um ou de outro projecto.

O Sr. Salvador de Mendonça[138] achou satisfatoria a solução e pedindo a palavra disse que ia responder a duas objecções que lhe haviam feito em sessões anteriores os Srs.[139] Medeiros e Albuquerque e João Ribeiro, ambos quanto ao fundamento da orthographia etymologica que elle propuzera. O Sr. Medeiros e Albuquerque havia extranhado que elle, desejando perorar[140] a sua proposta no respeito ás formas historicas da lingua, não tomasse em consideração o periodo anterior á epocha do portuguez classico, que eram nada menos que 14 seculos; parecendo illogico que prevalecessem sobre tão dilatado tempo os poucos seculos posteriores a essa epocha. O Sr. João Ribeiro contestara-lhe as razões de origem, como coisa somenos[141]; affirmando que o portugues tinha uma origem popular e vil, qual era[142] a linguagem deturpada dos legionarios romanos, mescla do que havia de mais baixo na sociedade romana ao tempo da conquista.

Para responder a essas objecções precisava occupar a attenção da casa durante algum tempo, expondo o que sabia e insistindo em factos que já havia exposto. Pedia a indulgencia dos seus companheiros e esperava que o ouvissem com benevola attenção, pois a reforma que se discutia só devia ser votada depois de muita ponderação. Remontando então ao tempo da conquista da peninsula iberica, fez o Sr. Salvador de Mendonça um substancioso e interessante estudo das condições sociaes da peninsula até o seculo XV, e demonstrou[143] como em seu parecer[144] a língua portuguesa só começara no seculo XII, succedendo ao latim erudicto, que[145] era a lingua official do pais, e derivando as suas formas directamente delle mesmo latim erudicto, mais do que do latim popular dos legionarios, que fôra apenas a vasa[146] da invasão romana.

Em seguida ao discurso do Sr. Salvador de Mendonça[147], o Sr. João Ribeiro pediu algumas explicações a respeito de varios pontos sobre os quaes tinha duvidas do projecto do Sr. Medeiros e Albuquerque, e ficou assentado que essas duvidas, como não contrariavam o projecto, podiam ser resolvidas[148] quando se fizesse o vocabulario orthographico.

Não havendo mais quem pedisse a palavra, o Sr. Presidente declarou encerrada a discussão dos projectos sobre orthographia e deu para a ordem do dia da sessão seguinte a votação geral dos mesmos projectos.

 

 

 

Acta da sessão de 11 de julho de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 ½ da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo e Mario de Alencar, o Sr. Presidente abriu a sessão.

Lida e aprovada a ata[149] da sessão anterior, o Sr. Presidente leu o oficio em que o Sr. Heraclito Graça agradeceu a sua eleição de membro da Academia e comunicou tomar posse da sua cadeira, na conformidade do art. 22 do Regimento[150] Interno; e uma carta do Sr. Affonso Celso declarando que o seu voto era favoravel ao projecto do Sr. Medeiros e Albuquerque. Em seguida o Sr. Presidente declarou que iam ser votados os projetos da reforma ortografica.

O Sr. Salvador de Mendonça propoz, e foi aceito, que se fizesse votação nominal, e divididas algumas das proposições dos projetos, conforme indicações dos Srs. Olavo Bilac, Souza Bandeira, João Ribeiro e Medeiros e Albuquerque, procedeu-se á votação que deu o seguinte resultado[151]:

1a proposição - Suprima-se em absoluto o h mediano, salvo nas palavras compostas de outras que tenham o h inicial (deshonra, inharmonico).

Dividida em 2 partes:

1a parte: Suprima-se em absoluto o h mediano, salvo nos grupos lh, nh e ch palatino.

Responderam sim os Srs. João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 17; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima e Euclydes da Cunha.

2a parte [152]: Conserve-se o h nas palavras compostas de outras que tenham o h inicial (deshonra, inharmonico).

Responderam sim os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Heraclito Graça, Silva Ramos, José Verissimo, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha[153], Arthur Azevedo, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 16; responderam não, os Srs. João Ribeiro, Souza Bandeira, Graça Aranha, Guimarães Passos, e Araripe Junior.

Aditivo do Sr. João Ribeiro: Suprima-se tambem o h inicial, salvo na 3a pessoa do singular do verbo haver: ha.

Considerou-se prejudicado pela votação anterior.

2a proposição - Suprima-se em absoluto o w.

Foi aprovado unanimemente.

3a proposição - Suprima-se em absoluto o k, substituido por c antes de a, o e u e por qu antes de e e i.

Responderam sim os Srs. João Ribeiro, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, Raymundo Corrêa, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 12; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça. Oliveira Lima, Heraclito Graça, José Verissimo, Araripe Junior, Affonso Arinos, Euclydes da Cunha e Arthur Azevedo, ao todo 9.

4a proposição - Suprima-se em absoluto o y.

Responderam sim os Srs. João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 17; responderam não[154] os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima e Euclydes da Cunha.

Emenda do Sr. José Verissimo: Conserve-se o y nos nomes geograficos brasileiros.

Responderam sim os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Euclydes da Cunha, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 14; responderam não os Srs. João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Alberto de Oliveira e Magalhães de Azeredo, ao todo 7.

5a proposição -

Dividida em duas partes:

1a parte - Substitua-se o ph por f, o ch com o som de k por qu antes de e e i e por c antes de a, o e u.

Responderam sim os Srs. João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 17; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima e Euclydes da Cunha.

2a parte - Substitua-se o x por cs, s, z ou ss conforme o som que tiver, mantendo-se-lhe apenas o som de consoante palatina como em xadrez, xairel[155], etc.

Responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, João Ribeiro, Heraclito Graça, Souza Bandeira, Graça Aranha, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Magalhães de Azeredo, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 15; responderam sim os Srs. Silva Ramos, José Verissimo, Araripe Junior, Arthur Azevedo, Guimarães Passos e Medeiros e Albuquerque, ao todo 6.

6a proposição - Suprimam-se todas as consoantes geminadas, salvo quando ambas tiverem som, ex. escrever fala e não falla, mas escrever infecção, pois que os dois cc soam distinctamente.

Responderam sim os Srs. João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 18; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça e Oliveira Lima.

7a proposição[156] - Suprimam-se todas as consoantes nulas, desaparecendo portanto a 1a letra dos grupos gm, gn, pt, mn, ct, sc, e outros.

Responderam sim os Srs. João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos Souza Bandeira, Graça Aranha, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 17; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima e Euclydes da Cunha.

8a proposição -

Dividida em 2 partes:

1a parte - Substitua-se por j o g medial, sempre que tiver o som daquela letra.

Responderam sim os Srs. João Ribeiro, Heráclito Graça, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Júnior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos,Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 17; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, e Magalhães de Azeredo.

2a parte - Substitua-se por j o g inicial sempre que tiver o som daquela letra.

Responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Heraclito Graça, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Arthur Azevedo, Magalhães de Azeredo, Machado de Assis, e Mario de Alencar, ao todo 16; responderam sim os Srs. João Ribeiro, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Guimarães Passos e Medeiros e Albuquerque.

9a proposição -

Dividida em duas partes:

1a parte - Substitua-se sempre por s o ç inicial nas poucas palavras que o conservam.

Responderam sim os Srs. João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclides da Cunha, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 18; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça e Oliveira Lima.

2a parte - Sempre que se encontrarem formas de grafia com s ou ç, prefira-se o s: ex. dansa preferivel a dança.

Responderam sim os Srs. Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Arthur Azevedo, Magalhães de Azeredo, Guimarães Passos, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis, Mario de Alencar e João Ribeiro[157], ao todo 16; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Heraclito Graça e Silva Ramos.

10a proposição - Nos ditongos au, eu, iu, que também se escrevem ao, eo, io, prefiram-se as formas em u.

Foi aprovado unanimemente.

11a proposição - Substitua-se sempre por z a letra s quando o z tiver o som, como acontece entre vogaes.

Responderam sim os Srs. Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo,Medeiros e Albuquerque e Machado de Assis, ao todo 13; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos, Arthur Azevedo e Mario de Alencar, ao todo 8.

12a proposição[158] - Excepção feita dos pronomes pessoaes nós e vós e dos tempos dos verbos (amarás, preferis,[159] etc.) marquem-se sempre os finaes agudos em az, ez, iz, oz e uz com z, reservando o s unicamente para o plural das palavras agudas terminadas em a, e, i, o e u.

Responderam sim os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, João Ribeiro, Heraclito Graça, Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Arthur Azevedo Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque e Mario de Alencar, ao todo 18; responderam não os Srs. Silva Ramos, Araripe Junior e Euclydes da Cunha.

13a proposição - Escrevam-se as syllabas breves em ão com am (orgam, orgams,[160] etc).

Responderam sim os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Heraclito Graça, Silva Ramos, José Verissimo, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis e Mario de Alencar, ao todo 17; responderam não os Srs. João Ribeiro, Souza Bandeira, Graça Aranha e Araripe Junior.

14a proposição - Escrevam-se as syllabas longas em ã (manhã) com ã e as breves com an (iman[161], orphan,[162] etc).

Foi aprovada unanimemente.

15a proposição - Suprima-se o signal de sinalefa nas contrações: deste, desta, naquelle, naquella,[163] etc.

Foi aprovada unanimemente.

16a proposição - Escrevam-se os nomes proprios estranjeiros com a graphia de suas linguas.

Aditivo do Sr. João Ribeiro: Conserve-se a graphia de todos os nomes proprios quer de pessoa quer de nomenclatura geographica, que já tenham tido adoptação[164] na lingua portuguêsa.

Foi aprovada unanimemente.

17a proposição - Tomando-se por base a boa pronuncia e, para esse effeito especial, considerando-se boa pronuncia a das classes cultas, como for fixada pela Academia - sempre que nos dicionários da lingua portuguêsa já se encontrarem diversos modos de escrever a mesma palavra, prefira-se a que se aproximar mais da referida pronuncia.

Responderam sim os Srs. Souza Bandeira, Graça Aranha, José Verissimo, Araripe Junior, Raymundo Corrêa, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Euclydes da Ccunha, Arthur Azevedo, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Medeiros e Albuquerque, Machado de Assis, ao todo 14; responderam não os Srs. Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, João Ribeiro, Heraclito Graça, Silva Ramos e Mario de Alencar.

Deixou-se de votar o artigo 1o do projecto do Sr. Salvador de Mendonça porque seu autor o julgou prejudicado pela votação da proposição antecedente.

Terminada a ordem do dia, propoz o Sr. José Verissimo e todos concordaram que a Academia só autorizasse como definitiva a publicação do resultado da votação, depois de ser esta ratificada na sessão seguinte.

O Sr. Presidente declarou encerrados os trabalhos e deu para ordem do dia da proxima sessão a leitura e discussão da presente ata.

 

 

Ata da sessão de 18 de julho de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, João Ribeiro, Souza Bandeira, Silva Ramos, Olavo Bilac, Lucio de Mendonça, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, José Verissimo e Mario de Alencar, o Sr. Presidente abriu a sessão.

O Secretario interino leu a ata da sessão anterior, a qual foi discutida e rectificada nos seguintes pontos:

Pelo Sr. Olavo Bilac: 1a proposição - 1a parte: Em lugar de: Suprima-se em absoluto o h mediano - Suprima-se o h mediano salvo nos grupos lh, nh e ch palatino.

Pelo Sr. João Ribeiro - na 9a proposição - 2a parte: Quanto ao seu voto, que foi afirmativo.

Pelo Sr. Salvador de Mendonça - 12a proposição: Em vez de: "Exceção feita dos pronomes pessoaes nós e vós e dos tempos dos verbos (amarás, preferis etc), marquem-se sempre os finaes agudos em az, ez, iz, oz, e uz com z, reservando-se o s unicamente para o plural das palavras terminadas em a, e, i, o e u." - "Exceção feita dos pronomes pessoaes nós e vós, e dos tempos dos verbos (amarás, preferis etc) e do plural das palavras agudas em a, e, i, o e u, escrevam-se com z os finaes agudos das palavras em az, ez, iz, oz e uz (: rapaz, pedrez, Luiz, noz, arcabuz)."

Pelo Sr. João Ribeiro - 16a proposição Aditivo: Em vez de: "Conserve-se a grafia de todos os nomes proprios, quer de pessoa quer de nomenclatura geografica, que já tenham tido adoptação na lingua portugueza." - "Os nomes proprios de pessoas e de lugares,[165] desde que já tenham forma portugueza, obedecem ás regras adoptadas de simplicação ortografica."

Ponderou em seguida o Sr. João Ribeiro que a substituição do s intervocal com o som de s por z não devia aplicar-se ao prefixo des, convindo que este prefixo tivesse uniforme grafia, quer precedesse vogal quer consoante. O Sr. Medeiros e Albuquerque respondeu que a regra votada era absoluta e que entendia não ser possivel adoptar-se a exceção, nem havia fundamento para ella. Se algum motivo podia haver para que se conservasse o s do prefixo des era o da etimologia; mas não seria logico atendel-o em uma reforma que justamente desprezara as razões da etimologia pelas[166] da fonetica, segundo estava firmado na 17a proposição e decorria das outras proposições anteriores, entre outros[167] a da supressão das letras mudas. O prefixo des não parecia ser mais importante que outros como in que a nova ortografia não respeitava. Julgava que nenhuma inovação se devia fazer, pois a reforma estava votada e não era licito alteral-a em nada.

Replicou o Sr. João Ribeiro que não queria inovar, mas somente aperfeiçoar o que fora adoptado. As regras votadas não eram absolutas, senão normas para o trabalho do vocabulario ortografico[168] que se ia fazer. Convinha que a Academia se houvesse com o maximo cuidado, a maxima ponderação nesse trabalho. O que se estabeleceu não podia prever nem resolver os casos duvidosos que haviam de surgir, e para esses casos era necessaria ainda a discussão, que devia pois continuar. A reforma fora votada, mas não promulgada.

No mesmo sentido se manifestou o Sr. Presidente e atendendo ao adiantado da hora, resolveu encerrar os trabalhos da sessão, dando para ordem do dia da seguinte a continuação da discussão da ata da sessão de 11 do corrente.

 

 

 

Ata da sessão de 25 de julho de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 ½ horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, José Verissimo, Silva Ramos, Felinto de Almeida, Euclydes da Cunha, Salvador de Mendonça, João Ribeiro e Mario de Alencar, o Sr. Presidente declarou aberta a sessão.

Lida e aprovada a ata da sessão anterior, o Sr. Presidente,[169] digo o Sr. Medeiros e Albuquerque advertiu que ainda não fora aprovada a ata da sessão de 11 do corrente. Não via motivo para o adiamento da sua aprovação, depois de ter sido discutida e rectificada. O Sr. Presidente explicou que a aprovação da ata da sessão de 11 do corrente, implicando a ratificação da reforma ortografica então votada, constituiria a ordem do dia da sessão de 17 seguinte e era-o ainda na presente sessão, por não terem sido resolvidas as duvidas e observações sujeridas para a leitura da mesma ata.

Ponderou ainda o Sr. Medeiros e Albuquerque que essas duvidas e observações se referiam não á exatidão da ata, mas á reforma somente; se a ata reproduzia o que se passara na sessão e ninguem o contestava, ela não podia deixar de ser aprovada. O mais, relativo á reforma, era coisa nova, era coisa extranha á sessão de 11.

Declarou então o Sr. Presidente que ia submeter á aprovação da casa a ata da sessão de 11 do corrente, mas entendia que esse ato não importava o encerramento da discussão sobre a reforma ortografica. Votada embora, como fôra, havia ainda casos duvidosos, coisas a rectificar ou coisas a inovar, e era do espirito e de vantagem para a Academia que a reforma saisse o mais acabada possivel, o que dependia da discussão successiva, esclarecida e ponderada.

Foi em seguida aprovada a ata e o Sr. Presidente deu a palavra ao Sr. João Ribeiro para ler uma proposta, de modificação e aditamento á reforma ortografica.

Sobre esse trabalho fizeram algumas considerações os Srs. Salvador de Mendonça, Medeiros e Albuquerque e José Verissimo, e ficando acordado que se submetesse a discussão e a voto a materia da proposta, o Sr. Presidente deu-a para ordem do dia da sessão seguinte e encerrou os trabalhos.

 

 

 

Ata da sessão de 1 de agosto de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

As 4 ½ horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, João Ribeiro, Souza Bandeira, José Verissimo, Inglez de Souza, Araripe Junior, Euclydes da Cunha, Salvador de Mendonça, Silva Ramos, Oliveira Lima e Mario de Alencar, o Sr. Presidente declarou aberta a sessão.

Foi lida e aprovada a ata da sessão anterior e passou-se á ordem do dia, discussão e votação da proposta apresentada pelo Sr. João Ribeiro em aditamento á reforma ortografica. E como alguns dos academicos presentes não conheciam os termos da proposta, procedeu-se á leitura della, combinando-se que em seguida se faria a de cada artigo separadamente para ser logo discutido e votado.

Discutiram-se e votaram-se os Aditamentos A, B e parte do C.

A. Regra do z no lugar do s

Restrições - Adota-se o s dos prefixos des, trans e bis: : desamor, desacompanhado, transeunte, bisavô, bisannual.

Votaram a favor da proposta os Srs. João Ribeiro, Souza Bandeira, José Verissimo, Silva Ramos, Euclydes da Cunha, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Machado de Assis e Mario de Alencar (9); votaram contra os Srs. Medeiros e Albuquerque, Araripe Junior e Inglez de Souza.

B. As palavras estranjeiras, incluzive gregas e latinas, não aportuguezadas, conservam a ortografia de orijem: jus (e não juz), Kyrie (e não quirie), water-proof, boré[170], bis (e não biz).

Foi discutida pelos Srs. João Ribeiro, Medeiros e Albuquerque e José Verissimo, e por acordo geral dividida em 2 partes:

1a parte: quanto ás palavras estranjeiras, excetuadas as latinas. Foi aprovada unanimemente.

2a parte: quanto ás palavras latinas não aportuguezadas:

Votaram a favor os Srs. Inglez de Souza, Araripe Junior, Souza Bandeira, José Verissimo, Euclydes da Cunha, Silva Ramos, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Machado de Assis e Mario de Alencar (11), votou contra o Sr. Medeiros e Albuquerque.

C. Os pronomes, artigos e particulas (as invariaveis de uma, duas e tres silabas) conservam a grafia antiga (i.e. a letra dobrada, o s o h).

Exs.:[171] os, as, dos, das, elle, ella, aquelle, aquillo, nos, vos, tres, quasi, ahi, aliás, des (desde), mas, ah!, oh!, bis!, sus![172]

Nos casos de divergencia grafica, adota-se a simplificação: atravez, apoz.

Foi dividida em 2 partes:

1a parte: quanto aos pronomes e adjetivos demonstrativos: elle, ella, aquelle,[173] etc.

Votaram contra os Srs. Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira, Inglez de Souza, Araripe Junior, José Verissimo, Silva Ramos, Mario de Alencar (7); votaram a favor os Srs. João Ribeiro, Salvador de Mendonça, Machado de Assis e Oliveira Lima (4). Deixou de votar o Sr. Euclydes da Cunha.

2a parte: quanto ás palavras invariaveis:

Votaram a favor os Srs. Silva Ramos, João Ribeiro, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Machado de Assis e Euclydes da Cunha (6); votaram contra os Srs. Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira, Araripe Junior, Inglez de Souza, José Verissimo e Mario de Alencar (6).

Tendo havido empate nessa votação e attendendo ao adiantado da hora, o Sr. Presidente resolveu encerrar os trabalhos da sessão, e marcou para ordem do dia da seguinte a continuação da discussão e votação da proposta do Sr. João Ribeiro.

 

 

 

Ata da sessão de 17 de agosto de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás 4 horas da tarde, presentes os Srs. Machado de Assis, Araripe Junior, Silva Ramos, Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira, José Verissimo, João Ribeiro, Alberto de Oliveira, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima e Mario de Alencar, o Sr. Presidente declarou aberta a sessão.

Foi lida e aprovada a ata da sessão anterior. Em seguida, anunciando o Sr. Presidente que se ia prosseguir[174] na discussão e votação da proposta do Sr. João Ribeiro, pediu a palavra o Sr. Medeiros e Albuquerque, afim de ler uma redacção das regras da reforma ortografica segundo o que propuzera[175] e a Academia havia aprovado. Supunha que era de toda a conveniencia não prolongar-se mais a discussão sobre o assunto. A reforma era conhecida do publico, alguns dos Academicos, colaboradores de jornaes desta cidade,[176] tinham começado a uzal-a nos seus artigos, varios jornaes dos Estados haviam-na já adotado; e parecia-lhe, em bem da reforma e do prestijio da propria Academia, não ser mais oportuno alterar o que fôra aceito. Toda demora na publicação oficial da reforma era prejudicial. E por isso, no intuito de evitar a demora, fizera a redacção que ia ler pedindo para ella preferencia sobre a proposta do Sr. João Ribeiro, o qual annuia a esse pedido. No seu trabalho, apezar de votado na sessão anterior, havia incluido uma das modificações propostas pelo Sr. João Ribeiro, justamente a rejeitada quanto á grafia dos pronomes e excluido[177] outra que fôra aceita quanto á[178] dos prefixos des, trans e bis; e assim procedêra por verificar a dificuldade grande em redijir com clareza para o publico as regras sobre essa ultima modificação. Em todo caso submetia ao juizo dos seus confrades[179] o seu trabalho e acataria o que fosse rezolvido.

Lida a redação, indicou o Sr. Souza Bandeira que o trabalho fosse submetido a votos, salvo nos pontos que contrariavam a votação anterior e que seriam rezolvidos[180] em seguida.

Foi aceita a indicação e aprovada a redação, declarando o Sr. Salvador de Mendonça[181] que o seu voto favoravel se restrinjia ás regras que havia aceitado anteriormente, e que estava autorizado a fazer egual declaração em nome do Sr. Lucio de Mendonça. O Sr. Oliveira[182] disse que acompanhava o Sr. Salvador de Mendonça nessa declaração.

Votaram-se depois as modificações da proposta do Sr. João Ribeiro,

1o quanto á conservação do s nos prefixos des, trans e bis.

Foi rejeitada pelos votos dos Srs. Medeiros e Albuquerque, Araripe Junior, João Ribeiro[183], Alberto de Oliveira, José Verissimo, Mario de Alencar e Silva Ramos.

2o quanto á conservação da letra dobrada nos pronomes elle, ella e aquillo e adjetivos aquelle, aquella.

Foi aprovada pelos votos dos Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, João Ribeiro, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Silva Ramos e Mario de Alencar.[184]

Foi por consequencia julgada aprovada em todos os seus termos a redação definitiva da reforma e autorizada a sua publicação em boletim oficial da Academia.[185]

O Sr. Presidente encerrou em seguida a sessão dando para ordem do dia da seguinte a discussão e votação da proposta do Sr. João Ribeiro, na parte relativa á divizão de silabas e acentuação de palavras.

 

 

 

29 de agosto de 1907 [186]
 

Presentes: Machado de Assis, Mario de Alencar, Euclydes da Cunha, Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira e Oliveira Lima.

 

 

 

Ata da sessão de 12 de setembro de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Estiveram presentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira, Silva Ramos, João Ribeiro, Euclydes da Cunha e Mario de Alencar.

Lida e aprovada a ata da sessão anterior, o Sr. Presidente comunicou haver a Academia recebido das livrarias Garnier e Laemmert[187] o prezente, em exemplares encadernados[188] das obras dos academicos e patronos das cadeiras academicas, das quaes são ellas editoras. Foi então rezolvido que alem do agradecimento feito em carta, se consignasse nesta ata o reconhecimento da Academia ás referidas cazas editoras pela preciosa doação, com que fica iniciada a sua biblioteca.

Passando-se á ordem do dia, foi discutida a proposta aprezentada pelo Sr. João Ribeiro sobre divizão de silabas e acentos graficos, deixando de ser votada por não haver o numero regimental de membros.

O Sr. Presidente fixou o dia 28 do corrente para a eleição dos candidatos á vaga de Teixeira de Mello e encerrou a sessão, dando para ordem do dia da seguinte a votação da proposta do Sr. João Ribeiro.

 

 

 

19 de setembro de 1907 [189]
 

Presentes: Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, João Ribeiro, Araripe Junior, Oliveira Lima e Souza Bandeira.

 

 

 

26 de setembro de 1907 [190]
 

Machado de Assis, secretariado por Medeiros e Albuquerque e Mario de Alencar, preside a sessão no palacio Monroe, ás 9 horas da noite, presente o Presidente da Republica e seus ministros. Medeiros e Albuquerque sauda Guglielmo Ferrero, o qual, em seguida, pronuncia a sua primeira conferencia: A cultura latina no momento atual.

 

 

 

Ata da sessão de 28 de setembro de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Estiveram prezentes os Srs. Machado de Assis, Oliveira Lima, João Ribeiro, Souza Bandeira, Filinto de Almeida, Arthur Azevedo, Inglez de Souza, José Verissimo, Graça Aranha, Araripe Junior, Euclydes da Cunha, Salvador de Mendonça e Mario de Alencar.

Lida e aprovada a ata da sessão anterior, declarou o Sr. Presidente que achando-se prezente a maioria dos membros efetivos rezidentes nesta cidade, segundo requer o Regimento da Academia para as eleições, ia proceder-se á eleição para preenchimento da vaga de Teixeira de Mello. Era candidato a essa vaga o Sr. Almirante Arthur Jaceguay, tendo retirado as suas candidaturas o Sr. Virgilio Varzea, conforme comunicação já conhecida da Academia, e o Sr. Paulo Barreto, que o comunicara[191] na vespera em carta que estava sobre a meza.

Procedeu-se em seguida á votação e reuniram-se 13 cedulas, das quaes doze tinham o nome do Almirante Arthur Jaceguay e uma a do Sr. Paulo Barreto.

Suscitando-se a duvida se podia ser apurado um voto no Sr. Paulo Barreto, foi negativamente rezolvido por 9 votos contra 3, e como regra que não haviam de ser[192] apurados votos em candidatos que dezistissem de o ser com previa declaração á meza da Academia.

Apurados os votos dos membros prezentes, o 2o Secretario passou a ler os remetidos em telegramas pelos Srs. Joaquim Nabuco, Ruy Barboza, Rodrigo Octavio, Aluizio Azevedo, Affonso Arinos, Barão do Rio Branco, Heraclito Graça e Affonso Celso, todos no Sr. Almirante Arthur Jaceguay.

O Sr. Salvador de Mendonça consultou então se não podia ser apurado o voto de que era portador do Sr. Lucio de Mendonça, que por motivo de molestia estava impossibilitado de comparecer á sessão. Foi discutido o cazo, e como no Regimento não houvesse a respeito delle nenhuma dispozição expressa, deliberou-se e foi unanimemente aceito que os votos enviados em carta ou telegrama por academicos rezidentes nesta cidade seriam apurados, a juizo da Academia para cada cazo tendo em consideração o motivo alegado da auzencia. E de acordo com esta regra, foi apurado tambem o voto do Sr. Lucio de Mendonça e contados os sufragios verificou-se ter obtido 23 votos o Sr. Almirante Arthur Jaceguay, sendo 12 de academicos prezentes á sessão e 11 de membros auzentes.

O Sr. Presidente declarou eleito membro efetivo da Academia o Almirante Arthur de Jaceguay e encerrou os trabalhos da sessão.

 

 

 

Ata da sessão de 14 de novembro de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Estiveram prezentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Affonso Arinos, João Ribeiro, Souza Bandeira e Mario de Alencar.

Lida e aprovada a ata da sessão anterior, o Prezidente comunica uma carta dias antes recebida do Sr. Inglez de Souza, tezoureiro, em que este, alegando muitos trabalhos de advocacia, declara[193] não poder continuar a servir no seu cargo, para o qual foi eleito desde a fundação da Academia. Atendendo ao motivo alegado, rezolve-se aceitar a renuncia, consignando-se em ata um voto de louvor e reconhecimento ao Sr. Inglez de Souza pelos seus inestimaveis serviços. Fica exercendo o cargo interinamente até a nova eleição o 2o Secretario, conforme dispõe o Rejimento.

É designado o dia 30 do corrente para a recepção do Sr. Augusto de Lima.

Discute-se em seguida a idea da publicação de uma revista trimestral.

Encerra-se a sessão ás 6 horas da tarde, dezignando o Prezidente para a ordem do dia da seguinte a discussão do plano de uma revista da Academia.

 

 

 

Ata da sessão de 21 de novembro de 1907
 

Presidencia do Sr. Machado de Assis
 

Prezentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Souza Bandeira, Affonso Arinos, João Ribeiro, Silva Ramos, Filinto de Almeida, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima e Mario de Alencar.

Lida e aprovada a ata da sessão anterior. O 2o Secretario lê o Rejimento[194] Interno com as modificações que propõe e são discutidas.

O Sr. Presidente dezigna o dia 28 de dezembro para a recepção do Sr. Arthur Orlando, e encerra a sessão, marcando para ordem do dia da seguinte a votação das modificações propostas no Rejimento Interno, e eleição dos membros da meza e das comissões permanentes.

 

 

 

Ata da sessão de 28 de novembro de 1907
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis [195]
 

Aos 28 de novembro de 1907, prezentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Rodrigo Octavio, Souza Bandeira, João Ribeiro, Silva Ramos, Euclydes da Cunha, Salvador de Mendonça, Oliveira Lima, Filinto de Almeida e Mario de Alencar, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

Lida e aprovada a ata da sessão anterior, o Sr. Presidente dis que se vai proceder á votação das modificações do Regimento Interno e á eleição dos membros da mesa e das comissões permanentes, na conformidade do já que dispõe o mesmo Rejimento e do que foi aprovado quanto ás novas comissões propostas.

O Sr. 2o Secretario lê as modificações do Rejimento e sucessivamente[196] postos a voto são aprovados.

Procede-se em seguida á eleição dos membros da mesa e das comissões apurando-se o seguinte resultado:

Para Prezidente - Machado de Assis, 10 votos; Euclydes da Cunha, 1.

Para Secretario Geral - Joaquim Nabuco, 10 votos; Medeiros e Albuquerque, 1.

Para 1o Secretario - Rodrigo Octavio, 10 votos; Olavo Bilac, 1.

Para 2 o Secretario - Mario de Alencar, 10 votos.

Para Tezoureiro - Felinto de Almeida, 10 votos; Souza Bandeira, 1.

Para Bibliotecario - João Ribeiro, 10 votos, Araripe Junior, 1.

Para as Comissões[197]:

 

 

de Contas Inglez de Souza, 8

Raymundo Corrêa, 8

Coelho Netto, 8.

 

Almirante Jaceguay, 3; Arthur Orlando, 3; Carlos de Laet, 2; Filinto de Almeida 1.

 

de Bibliografia Araripe Junior, 9

Olavo Bilac, 8

Arthur Azevedo, 8

 

Alberto de Oliveira, 2; Sylvio Romero, 2; Coelho Netto, 2; Mario de Alencar, 1; Souza Bandeira, 1.

 

 

de Publicações Salvador de Mendonça, 10

Euclydes da Cunha[198], 9

Alberto de Oliveira, 8

 

Oliveira Lima, 2; Rodrigo Octavio, 1; Sylvio Romero, 2; João Ribeiro 1; Olavo Bilac 1; Arthur Orlando 1.

 

 

de Lexicografia João Ribeiro, 10

Heraclito Graça[199], 10

Silva Ramos, 9

 

Coelho Netto, 1.

 

 

de Redacção José Verissimo, 9

Graça Aranha, 7

Souza Bandeira, 7

 

Oliveira Lima, 1, Euclydes da Cunha[200] 1, Olavo Bilac 1, Almirante Jaceguay 1.

 

O Sr. Presidente proclama eleitos os mais votados, e designa o Sr. Medeiros e Albuquerque para substituir o Sr. Joaquim Nabuco no cargo de Secretario Geral. Em seguida declarou finda a sessão e encerrados os trabalhos do corrente ano[201].

 

 

 

Ata da sessão de 4 de abril de 1908
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos quatro dias do mez de abril, presentes os Srs. Machado de Assis, Almirante Arthur Jaceguay[202], Filinto de Almeida, Rodrigo Octavio, Euclydes da Cunha, José Verissimo e Silva Ramos, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O Sr. 1o Secretario lê o expediente, constante de oficios e remessas de varias associações.

Não havendo ordem do dia, por ser esta a primeira reunião do corrente ano, e ninguem pedindo a palavra, o Sr. Presidente encerra a sessão.

 

 

 

Ata da sessão de 18 de abril de 1908
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos dezoito dias de abril de 1908, presentes os Srs. Machado de Assis, Almirante Arthur Jaceguay, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

Depois de lido o expediente pelo 1o Secretario, pede a palavra o Sr. Almirante Arthur Jaceguay e justifica algumas indicações que propõe.

O Sr. Presidente diz que as indicações serão oportunamente discutidas; quanto á que trata da reunião e publicação das obras ineditas ou não publicadas[203] em volume dos patronos das cadeiras da Academia, é já um dos fins desta declarados em seus estatutos, e como o Sr. Almirante Arthur Jaceguay manifesta o desejo de colijir a obra de Francisco Octaviano, pode tomar a si essa incumbencia, e mais tarde a Academia providenciará sobre a sua publicação em volume.

Nada mais havendo a tratar, o Sr. Presidente encerra a sessão.

 

 

 

Ata da sessão de 9 de maio de 1908
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis [204]
 

Aos 9 de maio de 1908, prezentes os Srs. Machado de Assis, Rodrigo Octavio, Filinto de Almeida, Souza Bandeira, João Ribeiro, Almirante Arthur Jaceguay, Euclydes da Cunha, Silva Ramos e Mario de Alencar, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O Sr. 1o Secretario lê o expediente que consta de uma circular da Commissão de Propaganda no Brasil do 4o Congresso Científico (1o Pan Americano) a realizar-se em dezembro proximo em Santiago do Chile.

O Sr. Mario de Alencar propoe[205] que seja designada uma commissão para compor o vocabulario da Academia Brasileira, de acordo com a reforma ortografica. Discutida a proposta pelos Srs. Silva Ramos, João Ribeiro e Souza Bandeira, é aprovada e o Sr. Presidente designa para fazerem parte da comissão os Srs. João Ribeiro, Souza Bandeira e Medeiros e Albuquerque.

Nada mais havendo a tratar, o Sr. Presidente encerra a sessão ás 5 ½ horas da tarde.

 

 

 

Ata da sessão de 30 de maio de 1908
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 30 dias de maio de 1908, prezentes os Srs. Machado de Assis, José Verissimo, Euclydes da Cunha, Almirante Arthur Jaceguay e Mario de Alencar, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O 2o Secretario lê as atas de sessão de 4 e 18 de abril, as quaes foram aprovadas[206].

O Sr. Almirante Arthur Jaceguay declara que não figurando na ata da sessão de 18 de abril as indicações que apresentou, vai lel-as novamente para que fiquem registradas[207] e sejam oportunamente votadas.

Indicações:

1o A Academia elejerá comissões de tantos membros quantos entender necessarios para cada cazo, incumbidos de colijir e coordenar as obras ineditas dos patronos de suas cadeiras, afim de serem publicadas sob a rubrica de edição da Academia.

2o - Fará sempre parte da commissão o academico cuja cadeira tiver por patrono o autor da obra a colijir-se.

3o - A Academia determinará, entre as obras que lhe forem aprezentadas, prontas a ser dadas ao prelo, a ordem em que devam sair a lume.

4o - A Academia deliberará sobre a parte material das obras a serem publicadas com a sua rubrica, isto é, sobre a qualidade do papel, tipo de impressão e formato dos livros a serem dados á publicidade; no que, sempre que fôr possivel, deverá haver uniformidade.

Considerando que a Academia Brazileira de Letras é uma instituição de natureza popular, como o são todas as agremiações conjeneres nos paizes democraticos, ella aceita gostozamente a condição de ser mantida pelos recursos da Nação, os quaes outra[208] couza não são mais do que o produto das contribuições diretas ou indiretas do povo; por isso não hezito em requerer dos poderes publicos competentes hajam de subvencional-a anualmente com o quantitativo necessario á constituição, no fim de determinado numero de anos, de um patrimonio que dar-lhe possa existencia condigna com os seus elevados instintos.

Esse quantitativo não deverá ser inferior ao minimo dos subsidios conferidos a outras associações nacionaes, como: A Academia Nacional de Medicina, e o Instituto dos Advogados.

Na concessão da subvenção anual proposta[209] haverá a restricção de não poder ser empregada, nos dez primeiros anos de sua efetiva outorga, a outro objeto que não seja a formação do patrimonio da Academia, cessando na hipoteze de tal patrimonio atinjir, por meio de donativo particular, á soma de 100.000$000rs.

A forma de requerimento, feito em nome da Academia, deverá ser preferido para obtenção do favor indicado, á de iniciativa graciosa de algum amigo da instituição, membros do Congresso Nacional, será um procedimento mais digno da respeitabilidade della e dos seus nobres dizignios.[210]

[211]

 

Ata da sessão de 6 de junho de 1908
 

Prezidencia do Sr. Medeiros e Albuquerque
 

Aos 6 de junho de 1908, presentes os Srs. Medeiros e Albuquerque, Almirante Arthur Jaceguay, João Ribeiro, Rodrigo Octavio e Mario de Alencar, o Sr. Medeiros e Albuquerque, Secretario Geral, assume a presidencia e declara aberta a sessão.

O 2o Secretario lê a ata da sessão anterior, que é aprovada.

O Sr. João Ribeiro comunica haver iniciado o trabalho de vocabulario, na parte que lhe coube e promete apresental-o pronto e a tempo de ser incluido no 1o volume da Revista da Academia. E a proposito,[212] ponderando que por estar auzente o Sr. Graça Aranha, um dos membros da comissão de redação, tem havido grande demora na publicação do 1o numero da Revista,[213] oferece-se para substituil-o provisoriamente.

O Sr. Presidente declara que não ha inconveniente, senão vantajem em aceitar-se o oferecimento e acredita que o Sr. Graça Aranha só terá que louvar a sua substituição, dado o intuito e o caracter provisorio della.

Nada mais havendo que tratar, encerra a sessão e dá para ordem do dia da seguinte a discussão das indicações do Sr. Almirante Arthur Jaceguay[214].

 

 

 

Ata da sessão de 13 de junho de 1908
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 13 dias de junho de 1908, prezentes os Srs. Machado de Assis, Almirante Arthur de Jaceguay[215], Souza Bandeira, Graça Aranha, Rodrigo Octavio, Euclydes da Cunha[216], João Ribeiro e Mario de Alencar, o Sr. Prezidente declara aberta a sessão.

É lida e aprovada a ata da sessão anterior.

São discutidas as indicações aprezentadas pelo Sr. Almirante Arthur Jaceguay; o Sr. Souza Bandeira, considerando embora prejudicada[217] a 1a indicação á vista do que dispõe o Regimento Interno, propõe que seja incumbido o Sr. Almirante Arthur Jaceguay[218] de colijir a obra de Francisco Octaviano[219], afim de ser entregue á commissão de publicações e oportunamente publicada. A respeito da 2a indicação, falam os Srs. Machado de Assis, Graça Aranha e Almirante Arthur Jaceguay[220]. Posta a votos é rejeitada. Discute-se em seguida o titulo que deve ser dado á publicação da Academia, ficando adotada contra os votos dos Srs. Almirante Arthur Jaceguay[221] e João Ribeiro a denominação de Revista da Academia Brasileira[222].

Não havendo mais nada a tratar, o Sr. Presidente declara encerrada a sessão.

 


Ata da sessão de 20 de junho de 1908
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Aos 20 dias de junho de 1908, ás 4 ½ horas da tarde, prezentes os Srs. Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, José Verissimo, Graça Aranha, Filinto de Almeida e Mario de Alencar, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

É lida e aprovada a ata da sessão anterior.

O Sr. José Verissimo diz que a comissão de redação da Revista, da qual faz parte, ponderou as dificuldades da publicação de um periodico nos moldes adotados pela Academia, e reconheceu ser impossivel realizal-a. Por esse motivo propõe, em nome da mesma comissão, que em vez da Revista seja publicado o antigo Boletim, modificando-se-lhe apenas o formato e a distribuição da materia, e acha conveniente recomeçar-se a sua publicação reproduzindo os numeros anteriores.

O Sr. Presidente declara que a proposta importa alteração do Rejimento e na conformidade do que este dispõe só pode ser rezolvida por votação e com a prezença de dez membros no minimo. Achando-se prezentes apenas seis, dará o assunto para ordem do dia da sessão seguinte; e como ninguem peça a palavra, encerra a sessão.

 

 

 

Ata da sessão de 1 de agosto de 1908
 

Prezidencia do Sr. Machado de Assis
 

Ás quatro horas da tarde do dia 1 de agosto de 1908, prezentes os Srs. Machado de Assis, José Verissimo, Euclydes da Cunha, Filinto de Almeida, Araripe Junior e Mario de Alencar, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

O expediente consta de uma carta do Sr. Rodrigo Octavio, 1o Secretario, pedindo seis meses de licença e de um oficio do Comité Alfred de Vigny, de Paris, solicitando o concurso da Academia Brazileira para o monumento que se trata de levantar ao poeta francez.

É lida e aprovada a ata da sessão anterior.

O Sr. Presidente diz que na forma do Rejimento compete ao 2o Secretario substituir ao 1o nos seus impedimentos, mas havendo o Sr. Mario de Alencar alegado não poder atualmente acumular as duas funções, dezigna para substituir o 1o Secretario o Sr. Euclydes da Cunha, e este declara aceitar a dezignação.

O Sr. José Verissimo propõe e é aprovado que a Academia, tomando na devida consideração o oficio do Comité Alfred de Vigny, abra uma subscrição entre os seus membros afim de obter donativos para o monumento projetado, podendo aceitar os de outros escritores e admiradores do grande poeta francez.

Discute-se, na ordem do dia, a proposta anterior do Sr. José Verissimo relativa á publicação do Boletim, deixando de ser votada por falta de numero.

O Sr. Euclydes da Cunha pede a palavra para ler o esboço de um vocabulario technico; por ser tarde é adiada a continuação da leitura e o Sr. Presidente declara encerrada a sessão, marcando para ordem do dia da seguinte a discussão da proposta do Sr. José Verissimo sobre o Boletim e a continuação da leitura do vocabulario technico do Sr. Euclydes da Cunha[223].

 
 
III - ATAS DAS SESSÕES
COMPLEMENTARES DO ANO DE 1908,
POSTERIORES À MORTE DE MACHADO DE ASSIS

 

de 3 de outubro de 1908

a 30 de novembro de 1908

 

Ata da sessão de 3 de outubro de 1908
 

Prezidencia do Sr. Euclydes da Cunha
 

Aos tres dias de outubro de 1908, presentes às 4 horas da tarde os Srs. Euclydes da Cunha, Rodrigo Octavio, Graça Aranha, João Ribeiro, Barão do Rio Branco, Silva Ramos, Inglez de Souza, José Verissimo, Raymundo Corrêa, Alberto de Oliveira, Coelho Netto, Souza Bandeira, Guimarães Passos, Arthur Azevedo e Mario de Alencar. O Sr. Euclydes da Cunha, 1º Secretario interino, assume a prezidencia, em substituição ao Sr. Medeiros e Albuquerque, que se acha auzente, e convida o Sr. Silva Ramos para ocupar o lugar de 2º Secretario.

O Sr. Euclydes da Cunha abre a sessão e diz que, como Prezidente dos trabalhos da Academia, no 1º dia em que esta se reune depois da morte de Machado de Assis, fôra seu dever comemorar devidamente a grande perda que acabava de sofrer não só a Academia, como as letras e a cultura brasileira. Sente-se porem profundamente emocionado e não deseja perturbar o ecco das palavras magnificas pronunciadas pelo Sr. Ruy Barboza junto ao cadaver do grande morto[224]. Anceia por transferir o encargo da prezidencia ocupada tantos anos pelo brilho daquella figura imortal. Limita-se pois a interpretar o sentimento da Academia agradecendo ao Sr. Presidente da Republica, ao Sr. Ministro do Interior e demais poderes da Nação, á Imprensa, ás Corporações, á mocidade escolar as manifestações do seu pesar pelo falecimento de Machado de Assis e de admiração pela sua obra. Agradecia tambem ás bondozissimas senhoras que tão carinhozamente cuidaram delle, nos seus ultimos dias e ainda depois de morto, aos distintos clinicos que com tanto dezinteresse e desvelo o trataram, Drs. Miguel Couto, Antonio Nogueira e Jayme Smith de Vasconcellos, e que lhe conservaram o corpo para que lhe pudessem ser feitos os funerais solenes, Drs. Afranio Peixoto e Alfredo de Andrade.

O 1º Secretario lê no expediente telegramas e cartas e oficios de pezames, enviados por:

Cons. Affonso Penna, Prezidente da Republica; Max Fleuiss, 1º Secretario perpetuo do Instituto Historico; Garcia Redondo; Thomas Pompeu; Barão de Studart e Pedro Queiros, do Instituto do Ceará e Academia Cearense; Dr. Carlos Barboza, Presidente do Estado do Rio Grande do Sul; Caribé da Rocha Mendes, diretor do Colegio Victor Hugo; Dr. Augusto Pinto Lima; Dr. Augusto Lima; Dr. Alfredo Backer, Presidente do Estado do Rio de Janeiro; Dr. Godofredo Cunha; Angelo Sangirardi, Prezidente do Centro de Estudantes Catolicos de S. Paulo; Meza do Congresso do Estado do Espirito Santo; Academia Maranhense; Sociedade Literaria do Colegio Militar; Centro Literario Brasileiro; Centro Calliope do Ceará; Club Literario Nina Rodrigues, do Maranhão; Alunos da Academia do Comercio, do Rio de Janeiro; Diegues Junior, de Maceió; Alunos do 2º ano da Academia do Comercio de Santos; Gazeta do Comercio, de Porto Alegre; Mocidade Sanjoanense, de S. João da Boa Vista; Hermes Fontes; Carlos de Campos, Presidente da Camara de Deputados de S. Paulo; Guglielmo Ferrero; Flexa Ribeiro; Diretoria da Liga Maritima Brazileira; B. F. Ramiz Galvão; Ad. Silva; Bellarmino Carneiro; Retiro Literario Portuguez; Academia Nacional de Medicina; Associação dos Empregados do Comercio, do Rio de Janeiro; Centro de Academicos; Dr. Francisco M. da Costa Simões.

O Sr. José Verissimo comunica os pezames enviados pelo Sr. Leopoldo de Freitas, o Sr. Souza Bandeira,[225] os do Sr. Enrico Corradini; o Sr. Barão do Rio Branco os telegramas recebidos do Sr. Conselheiro Camêlo Lampreia, Ministro de Portugal em Copenhagen, e dos Srs.[226] Joaquim Nabuco, Magalhães de Azeredo e Oliveira Lima; e o Sr. Mario de Alencar o telegrama em que o Sr. Garcia Redondo o incumbiu de represental-o no enterro de Machado de Assis.

O 2º Secretario lê a ata de ultima sessão de 1o de agosto, a qual é aprovada.

O Sr. Rodrigo Octavio pede a palavra para comunicar á Academia que o Sr. Machado de Assis em declaração verbal na ante-vespera de sua morte legou á Academia os seus livros, papeis e recordações literarias. Tendo sido essa declaração feita em presença de testemunhas, achou conveniente reduzil-a a escrito, que fez assinar pelas mesmas testemunhas, porem como é de regra, procede-se em juizo na ocasião oportuna. O Prezidente nomeia para tratar desse objeto uma comissão composta dos Srs. Rodrigo Octavio, Souza Bandeira e Inglez de Souza.

O Sr. José Verissimo propõe: 1o que a Academia reuna e publique com o titulo - Machado de Assis - In memoriam os artigos e noticias da Imprensa desta Capital e dos Estados sobre Machado de Assis e sua morte, a escolha de uma comissão para este fim nomeada, bem como e oração pronunciada junto ao esquife pelo Sr. Ruy Barboza;

2º que se promova a ereção de um monumento a Machado de Assis nesta capital, sua cidade natal, nomeando-se para esse fim uma comissão de 20 membros, dos quaes 7 pelo menos da Academia.

Essa comissão, para cuja prezidencia de honra será convidado o Sr. Tavares de Lyra, Ministro do Interior, tomará a si obter os fundos necessários e todos os mais encargos para a satisfação do seu mandato.

Ambas as propostas são aprovadas.

O Sr. Presidente declara que se vai proceder á eleição para Presidente da Academia. Recolhidas as cédulas, em número de 15, verifica-se ter sido votado unanimemente o Sr. Ruy Barboza, havendo ainda sobre a meza o voto enviado pelo Sr. Conde de Affonso Celso, que foi apurado, e o do Sr. Almirante Arthur Jaceguay, que o deixou de ser, na conformidade do Regimento.

O Sr. Euclydes da Cunha proclama eleito o Sr. Ruy Barboza por 16 votos para o cargo de Prezidente da Academia Brazileira, durante o periodo que vai até o fim de novembro, e declara que vai convocar sessão extraordinaria para posse do novo presidente, por ser urgente esse ato, em virtude da disposição testamentaria do Sr. Machado de Assis. Nada mais havendo a tratar, encerra os trabalhos.

 

 

 

Ata da sessão de 6 de outubro de 1908
 

Prezidencia dos Srs. Euclydes da Cunha e Ruy Barboza [227]
 

A 6 de outubro de 1908, prezentes às 4 horas da tarde os academicos Alcindo Guanabara, Araripe Junior, Coelho Netto, Barão do Rio Branco, Euclydes da Cunha, Graça Aranha, João Ribeiro, Mario de Alencar, Guimarães Passos, Raymundo Corrêa, Alberto de Oliveira, Rodrigo Octavio, Ruy Barboza, Salvador de Mendonça, Silva Ramos e Souza Bandeira, assume a prezidencia o Sr. Euclydes da Cunha, na qualidade de 1º Secretario interino, e declara aberta a sessão.

O Sr. Mario de Alencar, 2º Secretario, lê o expediente que consta de oficios e telegramas de pezames pelo falecimento de Machado de Assis, e em seguida a ata da sessão anterior, de 3 do corrente mez, a qual é aprovada sem discussão.

O Sr. Euclydes da Cunha diz que o fim da presente sessão é dar-se posse do cargo ao Prezidente eleito Sr. Ruy Barboza, e depois de algumas palavras relativas ao exercicio interino que lhe impuzeram as circunstancias, convida o novo prezidente a assumir o seu cargo.

Deixa então a cadeira de prezidente, que é ocupada pelo Sr. Ruy Barboza.

O Sr. Ruy Barboza diz que se felicita da simplicidade com que é feita a transferencia do cargo que vem agora ocupar, honrado pela confiança dos seus confrades. A maneira descerimonioza[228] com que é recebido permite-lhe dizer em breves e simples palavras que não havia aspirado a essa eleição e ainda depois[229] de eleito dezejara declinar a honroza incumbencia. As suas ocupações na politica e na advocacia há muito que o tinham afastado dos cuidados das boas letras ás quaes[230] entretanto se sentia atrahido pela propria inclinação. Era quasi extranho no seio da Academia. Por isso ao ser surpreendido pela sua eleição, o seu primeiro impulso, que cedeu foi recuzal-a, mas rezolveu aceital-a[231] apezar de[232] verificar que os sufrajios dados ao seu nome, embora unanimes, podiam não reprezentar a vontade da maioria dos academicos. Justamente por estar afastado da Academia, e ser o cargo de prezidente um posto de confiança, só quizera ocupal-o si essa confiança fosse expressa pelo maior numero. Não era um movimento de orgulho, mas de reflexão, do desejo de continuar a harmonia mantida pelo seu antecessor. As ponderações que lhe fizeram, e os termos da disposição do Regimento, que não consente a dilatação do provimento do cargo, dissuadiram-no do seu propozito. Restava-lhe agradecer aos seus confrades o seu voto e declarar-lhes que procuraria dezempenhar a sua incumbencia com dedicação, esperando delles que o coadjuvassem para sustentar o prestijio da Academia e realizar os fins a que ella se destina.

Nada mais havendo a tratar, declara encerrada a sessão e dezigna para ordem do dia da seguinte, em 17 do corrente:

I - Nomeação da comissão do monumento a Machado de Assis (proposta do Sr. José Verissimo, aprovada em sessão de 3 do corrente).

II - Nomeação da comissão incumbida e colijir e publicar os artigos e noticias sobre Machado de Assis, com o titulo de Machado de Assis - In memoriam (proposta do Sr. José Verissimo, aprovada em sessão de 3 do corrente).

III - Discussão do projeto de publicação da Revista da Academia, criada pelo Rejimento, segundo modificação aprovada em 1907;

IV - Posse dos membros eleitos para as diversas comissões e respectiva distribuição de trabalho.

 

 

 

Ata da sessão de 17 de outubro de 1908
 

Prezidencia do Sr. Ruy Barboza
 

A 17 de outubro de 1908, prezentes às 14 horas da tarde os academicos Ruy Barboza, José Verissimo, Euclydes da Cunha, Rodrigo Octavio, Alberto de Oliveira, Inglez de Souza, Souza Bandeira, Guimarães Passos, Mário de Alencar e Sílva Ramos. O Sr. Ruy Barboza assume a prezidencia e declara aberta a sessão.

É lido o expediente que consta de Circular do Instituto Historico e Geographico Parahibano, comunicando a posse da Diretoria e dos membros de Comissões eleitos para o ano social de 1918-1919; de Oficio da Associação Paulista dos Cirurgiões de S. Paulo, dando pezames pelo fallecimento de Machado de Assis; de um cartão de D. Maria Antonieta Ribeiro, diretora do Colégio Maria Antonieta, de S. Paulo de Muriahé,[233] remetendo um numero de periodico A Estrea, orgam das alunas do referido colégio, no qual figura uma noticia sobre Machado de Assis; comunicação do Sr. Sylvio Romero de que se tivesse comparecido à sessão de 3 do corrente, votaria no Sr. Ruy Barboza para Prezidente da Academia. E comunicação do Sr. Olavo Bilac de não poder comparecer à presente sessão.

O Sr. Ruy Barboza, digo, Mário de Alencar, 2º Secretário, lê a ata da sessão anterior, a qual é aprovada sem discussões.

O Sr. Ruy Barboza, Prezidente, diz que achando-se auzentes o Sr. Joaquim Nabuco, Secretário Geral, e o Sr. Medeiros e Albuquerque, Secretário Geral interino designado pelo seu antecessor, incumbe-lhe, na forma do art. 6º § 2º, prover-lhes a[234] substituição, e designa para exercer o cargo o Sr. Euclydes da Cunha.

Passando à ordem do dia, diz que se vai discutir a execução da proposta do Sr. José Verissimo relativa à comissão de 21 membros encarregada de levantar o monumento de Machado de Assis.

O Sr. José Verissimo ponderando que devem fazer parte da comissão 7 membros da Academia e 14 pessoas estranhas é de parecer que se combine primeiro a relação das pessoas que possam e queiram aceitar a incumbencia, para se fazer a nomeação dos 21 membros.

O Sr. Rodrigo Octavio propõe que sejam desde já nomeados os 7 membros academicos, e estes se encarreguem da escolha e consultas dos restantes. Posta a votos é aprovada essa indicação, e o Sr. Presidente nomeia os Srs. José Verissimo, Rodrigo Octavio, Souza Bandeira, Graça Aranha, Mario de Alencar, Euclydes da Cunha, e indo a nomear o setimo membro, lembra o Sr. José Verissimo com aprovação unanime que o setimo membro seja o proprio Sr. Ruy Barboza, o qual declara aceitar a nomeação, visto que este é feito pela Academia.

Para a comissão incumbida de coligir e publicar os artigos e noticias da Imprensa sobre o titulo Machado de Assis - In memoriam, o Sr. Presidente nomeia os Srs. José Verissimo, Alberto de Oliveira e Mario de Alencar.

Sobre a questão[235] da Revista da Academia, falam os Srs. Souza Bandeira, José Verissimo e Rodrigo Octavio; o Sr. Presidente atendendo à relevancia do assunto, acha que essa discussão deve continuar, convindo serem ouvidos outros academicos e nesse sentido, consultados[236] os prezentes, adia a[237] materia para a proxima sessão.

A ultima parte da ordem do dia não poude ser executada por não terem comparecido todos os membros das comissões.

O Sr. Rodrigo Octavio aprezenta a seguinte indicação que é lida e aprovada:

"Indico que a Academia envie um oficio ao Sr. Rodolpho Bernardelli[238], agradecendo os trabalhos de levantamento da mascara de Machado de Assis. Faço essa indicação porque ao ilustre escultor não se fez referencia no agradecimento dirigido pelo Prezidente interino às pessoas que prestaram serviços por razão da moléstia e morte do nosso caro antigo Prezidente."

Sala das sessões, 17 de outubro de 1908.

Em seguida pede a palavra o Sr. José Verissimo para ler esta proposta:

"A Academia Brazileira, considerando que o seu fim principal é a cultura da língua e da literatura nacional e geralmente promover e fomentar,[239] quando lhe couber, a cultura a que a língua portugueza serve de expressão:

Considerando que o seu membro, Sr. Oliveira Lima aprezentou ao Congresso dos Americanistas, que se acaba de reunir em Viena, a seguinte moção:[240]

"J'ai l'honneur de proposer qu'à l'occasion des futurs Congrés le portugais soit inclus parmi les langues admises. C'est à dire à l'égal du français, de l'anglais, de l'allemand, de l'espagnol et de l'italien. L'exclusion actuelle ne se comprend vraiment pas, des qu'il s'agit de reunions intellectuelles consacrées à des études americanistes, à l'égard de la langue parlée par la plus peuplée des nations latines du Nouveau Monde, disons par environ 24 millions d'habitants.

Au point de vue philosophique, le passé littéraire du portugais n'est pas inferieur à celui de Calderon. C'est de plus une langue parlée dans tous les continentes où les Portugais se sont établis à um moment glorieux pour leur nationalité et fécond comme mil autre pour l'histoire de l'humanité.

En Amérique, l'italien, que est une des langues admises au Congrès, n'est parlé que par des colons européens dont les fils deviennent des nationaux des differents pays où leurs pères se sont établis, tandis que le portugais est parlé par une nation entière dont l'étendue est de beaucoup la plus considérable du monde latin américan, presqu'égale à celle des Etats Unis.

Il y a encore à rappeler que le portugais transplanté au Brésil au seizième siècle et qui est, au 20e siècle, avec l'espagnol et l'anglais, une des trois langues du Noveau Monde (exception faite pour Haiti et pour une partie du Canada attachés par leur langage à la France) il y a subi une nouvelle culture, la littérature bresilienne étant, au dire de critiques impartiaux, la plus importante de l'Amerique, du moins de l'Amerique latine. Frapper cette langue d'exclusion c'est porter attente à la pensée même dont elle est l'expression.

Le portugais est ainsi une langue universellement plus répandue que l'italien, incomparablement plus americaine que le français ou l'allemand et aussi localement traditionelle que l'espagnol. Elle ne peut pas conséquent être injustement traitée comme inexistante et comme inferieure aux autres, que favorise actuelment leur privilège."

Considerando que esta moção, aprovada unanimemente por aquelle Congresso é um grande passo para tirar a nossa lingua da especie de izolamento em que injustificadamente vive, e dar-lhe direito de cidade nas assembleas cultas do estranjeiro, a par dos idiomas mais ilustres;

Considerando que este fato é da maior relevancia para a divulgação da lingua portugueza, e glorioso para o nosso paiz que, pela iniciativa do nosso confrade, concorreu para elle;

Considerando o muito que elle interessa a esta Academia, orgam da cultura da lingua portugueza no Brazil;

resolve inserir na sua ata, por extenso, a citada moção, declarar que o Sr. Oliveira Lima bem mereceu dessa cultura e desta Academia pela sua iniciativa e encarregar a sua secretaria de comunicar-lhe oficialmente estas rezoluções."

O Sr. Prezidente diz que está em discussão a proposta e cazo ninguem queira falar vai submetel-a a votação. É aprovada unanimemente.

Nada mais havendo a tratar, o Sr. Presidente declara encerrada a sessão e dá para ordem do dia seguinte:

I - nomeação dos membros que faltam à comissão promotora do monumento de Machado de Assis;

II - continuação da discussões sobre a Revista da Academia Brazileira;

III - distribuição de trabalhos às comissões;

IV - discussões do metodo a adotar para o trabalho preparativo do dicionario da lingua portugueza.

 

 

 

Ata da sessão de 31 de outubro de 1908
 

Prezidencia do Sr. Euclydes da Cunha
 

Aos 31 de outubro de 1908, prezentes ás 4 horas da tarde os Srs. José Verissimo, Graça Aranha, Rodrigo Octavio, Souza Bandeira, Silva Ramos, Filinto de Almeida, Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha, Mario de Alencar, e auzente com participação de cauza o Sr. Ruy Barboza, Presidente, assume a prezidencia o Sr. Euclydes da Cunha, Secretario Geral interino e declara aberta a sessão.

O Sr. Mario de Alencar, 2o Secretario, lê a ata da sessão anterior, a qual é aprovada sem reclamação, e em seguida o expediente que consta de carta do Sr. General E. Dantas Barreto aprezentando-se candidato á vaga de Arthur Azevedo, e de condolencias pela morte de Arthur Azevedo enviadas pelo Grupo Dramatico Arthur Azevedo, de Itapetininga[241], no Estado de S. Paulo, e pelo Dr. Francisco M. da Costa Simões, e do Sr. João Elyseu de Mello pela morte de Machado de Assis.

O Sr. Euclydes da Cunha diz que antes de dar começo á ordem do dia lhe incumbe o dever de oficialmente comunicar o falecimento de Arthur Azevedo. A Academia fez-se representar no seu enterro por uma comissão composta dos Srs. Rodrigo Octavio, José Verissimo, Souza Bandeira, Graça Aranha, Raymundo Corrêa, delle proprio e de Coelho Neto, o qual falou em nome de todos, e enviou uma corôa funebre. Para a sua vaga na Academia fica, na conformidade do Rejimento, aberta a inscrição pelo prazo de dois mezes, a partir desta data até o último dia de dezembro, devendo a eleição realizar-se depois de 15 de abril de 1909[242].

O Sr. Filinto de Almeida propõe que a Academia faça colijir e publicar as poezias de Arthur Azevedo.

Discutem a proposta os Srs. José Verissimo, Alberto de Oliveira e Silva Ramos, o qual diz haver lido nos jornais que já fôra rezolvida por alguns admiradores e amigos de Arthur Azevedo publicarem o volume dos seus versos, em beneficio da viuva e filhos, parecendo-lhe pois que sem o consentimento da familia não é licito á Academia fazer a mesma publicação.

Pede em seguida a palavra o Sr. Rodrigo Octavio e dá conta do que tem ocorrido em relação ao testamento de Machado de Assis. A Academia está habilitada a ajir em juizo para haver o legado da biblioteca, que lhe foi deixada por declaração verbal de ultima hora, pois que já se acha rejistrada como sociedade civil, formalidade esta que não fôra cumprida anteriormente por motivos conhecidos de todos os prezentes. É de parecer todavia que a Academia não deve pleitear o legado, mas aguardar que o testamenteiro ultime o processo de inventario para com elle entrar em acordo sobre a posse do mesmo, sendo preferivel a aquizição da biblioteca à reclamação judiciaria, que alem de dispendioza e moroza tornará publica uma questão que convem não passe da intimidade dos interessados.

São desse parecer os Srs. José Verissimo, Souza Bandeira, Mario de Alencar, Alberto de Oliveira e Euclydes da Cunha, e por indicação do Sr. Rodrigo Octavio,[243] depois de aprovado o seu alvitre, o Sr. Euclydes da Cunha[244] dezigna os Srs. José Verissimo e Mario de Alencar para em nome da Academia tratarem com o testamenteiro o modo de se haver a posse do legado.

Estando adiantada a hora, ao Sr. Euclydes da Cunha diz achar conveniente adiar para a sessão seguinte a ordem do dia da presente e com a anuencia de todos declara encerrada a sessão.

 

 

 

Ata da sessão de 14 de novembro de 1908
 

Prezidencia do Sr. Ruy Barboza
 

Aos 14 dias de novembro de 1908, prezentes às 4 horas da tarde, os Srs. Ruy Barboza, Euclydes da Cunha, Souza Bandeira, Silva Ramos, Raymundo Corrêa, José Verissimo, Inglez de Souza, Rodrigo Octavio e Filinto de Almeida, o Sr. Ruy Barboza assume a prezidencia e declara aberta a sessão.

Havendo faltado, com participação de cauza, o Sr. Mario de Alencar , 2o Secretario, dezigna o Sr. Presidente para substituil-o o Sr. Rodrigo Octavio, o qual lê a ata da sessão anterior, que é aprovada, e em seguida o expediente. [245]

O expediente consta de :

Oficio do Gremio Gymnasial Dezesseis de Setembro, com sede em São Paulo, comunicando haverem sido lançadas em ata nas sessões de 1 e 31 de outubro ultimo votos de pezar pelo falecimento de Machado de Assis e Arthur Azevedo e ter sido rezolvido realizar-se a 30 do corrente mez uma sessão solene em comemoração a Machado de Assis;

Copia da ata de audiencia do Juiz Municipal da Estrella do Sul, em Minas, realizada a 3 do corrente e na qual foi consignado um voto de magua pela morte de Machado de Assis;

Oficio do Sr. Carlos Porto-Carrero, da Academia Pernambuco, aprezentando-se candidato a esta Academia na vaga de Arthur Azevedo.

O Sr. Presidente comunica ter recebido tambem do Sr. Vicente de Carvalho uma carta em que se aprezenta candidato à mesma vaga.

Passando-se á ordem do dia, o Sr. José Verissimo propõe para a comissão do monumento a Machado de Assis os nomes dos Srs. José Carlos Rodrigues, Henrique Chaves, Ramos Paes, Léo de Affonseca, Barão de Vasconcellos, Comendador[246] Marinhas, Arthur Napoleão, José Vasco Ramalho Ortigão, Rodolpho Macedo, José Martins Pollo e Dezembargador[247] Enéas Galvão, os quaes perfazem com os dos sete membros da Academia já dezignados, o numero de 18. O Sr. Souza Bandeira propõe que para completar a comissão sejam preferidos os membros da Academia e,[248] aceita essa proposta, o Sr. Prezidente nomeia os propostos pelo Sr. José Verissimo e mais os Srs. Inglez de Souza, Almirante Arthur Jaceguay e Alcindo Guanabara, e manda ler pelo Secretario a relação completa dos membros da comissão, que fica composta dos Srs. Ruy Barboza, José Verissimo, Rodrigo Octavio, Souza Bandeira, Graça Aranha, Euclydes da Cunha, Mario de Alencar, Inglez de Souza, Almirante Arthur Jaceguay, Alcindo Guanabara, José Carlos Rodrigues, Henrique Chaves, Ramos Paes, Léo de Affonseca, Barão de Vasconcellos, Comendador Marinhas, Arthur Napoleão, José Vasco Ramalho Ortigão, Rodolpho Macedo, José Martins Pollo e Enéas Galvão.[249]

O Sr. José Verissimo informa que está pronto o trabalho para a publicação do In memoriam de Machado de Assis, devendo brevemente serem entregues os originaes á Imprensa Nacional.

Entrando em discussão a Revista da Academia, o Sr. Souza Bandeira propõe que a comissão de redação fique autorizada a contratar particularmente com a casa editora, que mais vantajens ofereça a publicação da Revista. É aprovada a proposta, sendo adiada a discussão sobre o molde a adotar para a mesma revista.

A respeito do trabalho preparativo do dicionario, falam os Srs. Rodrigo Octavio e Euclydes da Cunha, ficando adiada a discussão.

Terminada a ordem do dia, o Sr. Inglez de Souza pede a palavra para lembrar uma proposta que fez ha anos, para que a Academia procure obter por acordo com a Biblioteca Fluminense[250] a administração desta com o uzo e gozo do respectivo predio para a sua instalação. Fica rezolvido que esta proposta seja discutida em ordem do dia da proxima sessão.

E nada mais havendo a tratar, o Sr. Presidente encerra a sessão e dá para a proxima a seguinte ordem do dia:

I - Proposta do Sr. Inglez de Souza, relativa à Biblioteca Fluminense.

II - Discussão sobre o molde da Revista da Academia.

III - Discussão sobre o trabalho preparatorio do dicionario da lingua portugueza.

IV - Eleição da meza e dos membros das comissões permanentes.

 

 

 

Ata da sessão de 30 de novembro de 1908
 

Prezidencia do Sr. Euclydes da Cunha
 

Aos 30 dias de novembro de 1908, prezentes às 4 horas da tarde os Srs. José Verissimo, Salvador de Mendonça, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac, Euclydes da Cunha, João Ribeiro, Barão do Rio Branco, Raymundo Corrêa, Rodrigo Octavio, Silva Ramos, Filinto de Almeida, Souza Bandeira, Coelho Netto, Guimarães Passos e Mario de Alencar, e faltando com participação de cauza o Sr. Ruy Barboza, assume a prezidencia o Sr. Euclydes da Cunha, Secretario Geral interino, e declara aberta a sessão.

O Sr. Mario de Alencar, 2o Secretario, lê a ata da sessão anterior, a qual é aprovada e em seguida o expediente, que consta de um cartão de pezames da Sra. Julia Cortines, pelo falecimento de Machado de Assis; de carta do Diretor do Museu Nacional convidando a Academia a fazer-se representar no desembarque do Sr. Charles Richet; de oficios do Centro Calliope, de Fortaleza,[251] e da Biblioteca Publica ilegível enviando pezames pela morte de Arthur Azevedo.

Passando-se à ordem do dia, indica o Sr. José Verissimo, com a aprovação da maioria, que seja adiada a discussão das materias constantes della e se proceda à eleição da meza e das comissões.

Havendo sobre a meza os votos enviados pelos Srs. Garcia Redondo, Graça Aranha e Lucio de Mendonça para os membros da meza, o Sr. Euclydes da Cunha diz que de acordo com o que acaba de ser rezolvido, vae-se proceder á eleição.

Feita a votação verifica-se o seguinte resultado:

Para Prezidente: Ruy Barboza, 18 votos.

Secretario Geral: Joaquim Nabuco, 18 votos.

1o Secretario: Olavo Bilac, 15 votos; Rodrigo Octavio, 2; Alberto de Oliveira, 1.

2o Secretario: Mario Alencar, 17 votos.

Thezoureiro: Filinto de Almeida, 17 votos; João Ribeiro, 1.

Bibliotecario: Raymundo Corrêa, 17 votos; João Ribeiro, 1.

Para a comissão de bibliografia: Rodrigo Octavio, Euclydes da Cunha e Salvador de Mendonça, 14 votos; José Verissimo 2, Sylvio Romero[252],1.

Para a comissão de redação[253]: Souza Bandeira, Graça Aranha e Medeiros e Albuquerque, 15;

Para a comissão de publicação[254]: Alberto de Oliveira, Coelho Netto e Araripe Jr., 15;

Para a comissão de lexicografia[255]: Heraclito Graça, 15; João Ribeiro e Silva Ramos, 14; Sylvio Romero, 1; José Verissimo, 1.

Comissões de Contas: Inglez de Souza, Clovis Bevilacqua 15, Almte. Arthur Jaceguay 14; José Verissimo 1.

O Sr. Euclydes da Cunha proclama então eleitos os membros da meza e das comissões permanentes.

O Sr. José Verissimo pediu a palavra para comunicar o dezempenho da comissão que a elle e ao Sr. Mario de Alencar foi incumbida pela Academia de entender-se com a familia do Major Bonifacio da Costa, legataria de Machado de Assis. Diz que receberam, e já fizeram transportar para a Academia papeis manuscritos, originais, e de correspondencias, retratos com dedicatorias, pequenos quadros oferecidos por amigos de Machado de Assis, a secretaria e cadeira que lhe serviram desde 1874 e varias obras com dedicatorias.

Nada mais havendo a tratar, o Prezidente declara encerrada a sessão e findos os trabalhos do corrente ano.

 


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[1] O redator das atas do período de 15 de dezembro de 1896 a 16 de maio de 1898 adota uma grafia de base etimológica.

[2] Esta identificação, aqui adotada uniformemente em todas as atas, só começa a ser escrita como subtítulo a partir da sessão de 4 de janeiro de 1897.

[3] A redação da Revista Brasileira funcionava na Travessa do Ouvidor no 81. No original, as aspas estão colocadas antes da palavra Redacção.

[4] A abreviatura do tratamento Senhor e Senhores oscila na grafia do redator, que às vezes emprega Sr e Snr , mas também adota o sobrescrito Sro , Snro, Sres e Srs . Optamos por usar Sr. e Srs.

[5] No original, sem esta vírgula.

[6] No original, sem esta vírgula.

[7] Das atas manuscritas pelo primeiro redator, esta é a única que contém assinatura, havendo à esquerda da folha, embaixo, seu reconhecimento em cartório. Há também, na parte superior, dois carimbos do Registro Especial de Títulos e Documentos - com data de 10 de outubro de 1908. Na ata da sessão de 31 de outubro de 1908, há referência a esse tardio cumprimento formal.

[8] O art. 21 do atual Regimento (de 15 de outubro de 1998) concede o prazo de um ano para a posse.

[9] A marcação desse dia tinha o intuito de fazer coincidir a data de inauguração da Academia com a então data oficial do descobrimento do Brasil. No entanto, a sessão só se realizou no dia 20 de julho.

[10] Antiga sede da Secretaria de Justiça, na Rua do Passeio.

[11] O discurso de Machado de Assis está transcrito na íntegra no capítulo "Textos Conexos".

[12] No original, commições.

[13] No original, commições.

[14] O doador anônimo seria o doutor Antônio Coelho Rodrigues, jurisconsulto e professor da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, que em carta a Machado de Assis escreveu: "(...) o Dr. Coelho Rodrigues cumprimenta e avisa, da parte de um anônimo, que tem para as despesas de instalação da sua nova Academia 100$000 - 18.12.1896." Na resposta, Machado revela sua convicção de que o doador incógnito é o próprio Coelho Rodrigues: "A Diretoria incumbiu-me de agradecer a valiosa oferta (...) é muito provável que todos participem de minha suspeita de que a pessoa é V. Exa, cujo ato generoso fica assim realçado pela modéstia." (cf. F. Neves: A Academia Brasileira de Letras:notas e documentos para a sua história).

[15] No original, falta a identificação da presidência no cabeçalho.

[16] No original, propõe.

[17] No original, Louis Pilate de Brinn Gaubast, que nunca chegou a ser eleito sócio correspondente da Academia.

[18] Embora não esteja consignado na ata, Machado de Assis anunciou, nessa última sessão de 1897, "o programa dos trabalhos do ano vindouro" e "a exposição justificativa deste programa", como obrigavam dois dos artigos do regimento interno. O discurso de Machado de Assis está transcrito na íntegra no capítulo "Textos Conexos".

[19] Atual sede do Colégio Pedro II, na Av. Marechal Floriano.

[20] O redator das atas do período de 6 de junho de 1898 a 2 de junho de 1901 adota uma grafia simplificada. A assinatura de Rodrigo Otávio, aposta pela primeira vez apenas na ata da sessão de 26 de setembro de 1898, difere da que consta do Termo de Abertura.

[21] Segue-se um parágrafo (marcado com quatro riscos em diagonal) que reescreve trecho anterior, desde "Em seguida" até "que offici" (sic).

[22] No original, apenas Nabuco.

[23] No original, apenas Araripe.

[24] Segue-se um trecho de seis linhas riscadas de forma integral. Apesar de a margem esquerda estar danificada, nela há uma anotação, com outra caligrafia, onde está escrito: Riscado por José Vicente, candidato á vaga. Esta mesma anotação será repetida nas três atas subseqüentes.

[25] No original, uma comissão a qual se dê o encargo.

[26] Segue-se um trecho de duas linhas riscadas de forma integral. Numa ressalva, colocada na margem esquerda, consta: Riscado por José Vicente, candidato á vaga.

[27] A partir deste ponto, o redator adota, na maioria das ocorrências, a grafia presidente, sem maiúscula.

[28] Divisa cunhada na medalha comemorativa do cinqüentenário da Academia, em 1946. O emblema Ad immortalitatem, também usado como ex-libris da Academia, foi adotado em 1923 por proposta do então Presidente, Afrânio Peixoto.

[29] No original, o Sr.

[30] O trecho sugerido por José Veríssimo está em Os Lusíadas (Canto X, estrofe 155, verso 2):

Pera servir-vos, braço às armas feito; / Pera cantar-vos, mente às Musas dada; / Só me falece ser a vós aceito, / De quem virtude deve ser prezada. / Se me isto o Céu concede, e o vosso peito / Dina empresa tomar de ser cantada, / Como a pressaga mente vaticina, / Olhando a vossa inclinação divina.

[31] A reunião não ocorreu em 22 de agosto, mas em 26 de setembro.

[32] No original, apenas Pederneiras.

[33] No original, R. Amoedo.

[34] Em heráldica, usa-se a palavra dístico como divisa de um escudo.

[35] O verso sugerido por José Veríssimo e Lúcio de Mendonça está em Crisálidas, "Versos a Corina", Fragmento de III: Que valem glórias vãs? A glória, a melhor glória / É esta que nos orna a poesia da história; / É a glória do céu, e a glória do amor, / É Tasso eternizando a princesa Leonor; / É Lídia ornando a lira ao venusino Horácio; / É a doce Beatriz, flor e honra do Lácio, / Seguindo além da vida as viagens do Dante; / É do cantor do Gama o hino triste e amante / Levando à eternidade o amor de Catarina; / É o amor que une Ovídio à formosa Corina; / O de Cíntia a Propércio, o de Lésbia a Catulo; / O da divina Délia ao divino Tibulo, / Esta a glória que fica, eleva, honra e consola; / Outra não há melhor, / Se faltar esta esmola, / Corina, ao teu poeta, e se a doce ilusão, / Com que se alenta e vive o amante coração, / Deixar-lhe um dia o céu azul, tão tranqüilo, / Nenhuma glória mais há de nunca atraí-lo, / Irá longe do mundo e dos seus vãos prazeres, / Viver na solidão a vida de outros seres, / Vegetar como o arbusto, e murchar, como a flor, / Como um corpo sem alma ou alma sem amor.

Este verso está inscrito na base da estátua de bronze de Machado de Assis, feita por Humberto Cozzo e colocada à porta do Petit Trianon, no Rio de Janeiro. Inaugurada em 1929, a estátua foi iniciativa de Coelho Neto, então Presidente da ABL, e os recursos para sua realização foram fruto de doações oriundas de todo o país, estimuladas pelo famoso texto panfletário Apelo à Nação, de sua autoria (em 4 de março de 1926), onde se lê: Assim, resolveu a Academia lançar um apelo a todas as instituições do País e, individualmente, a quantos veneram a alta memória do Mestre exímio para que, com o auxílio de todos, se possa levar a termo a obra de reconhecimento que se deve pôr de pé.

[36] No original, Regimento.

[37] A reunião não ocorreu no dia 3 e, sim, no dia 1o de outubro.

[38] Segue-se um trecho de cinco linhas riscadas de forma integral. A margem esquerda está danificada, mas a anotação é provavelmente a mesma, Riscado por José Vicente, candidato á vaga.

[39] A caligrafia é a mesma do restante da ata - e distinta dos documentos assinados por Rodrigo Otávio. Esta afirmação se refere a todas as atas transcritas pelo segundo redator.

[40] No original, apenas Sessão em 1 de outubro de 1898.

[41] Segue-se, no mesmo parágrafo, um trecho de três linhas riscadas de forma integral. Numa anotação, colocada na margem esquerda, lê-se: Riscado por Jose Vicente Sobrinho, candidato á vaga (A Noticia, de 3.10.1898). José Vicente de Azevedo Sobrinho (1875-1924) é autor do livro Efemérides da Academia Brasileira de Letras (até 1920), cuja primeira edição foi publicada em 1926. A segunda edição, atualizada até 1940 por Fernando Nery, foi publicada em 1946. Em 1972, na terceira edição, foi adotado o procedimento de expor muito objetiva e sucintamente cada informação, o que se repetiu na última das edições, de 1994.

[42] No original, sem esta vírgula.

[43] No original, com á (e não a).

[44] No original, A. Azevedo.

[45] No original, apenas Nabuco.

[46] Émile Zola (autor da célebre carta "Eu Acuso!") era um arrebatado defensor do capitão do exército francês Alfred Dreyfus, de origem judaica, acusado e condenado injustamente de alta traição. O Caso Dreyfus, como ficou conhecido, gerou polêmica em várias partes do mundo. A declaração de Eduardo Prado, perseguido pelo Governo da República em conseqüência de suas veementes campanhas políticas pela imprensa e nos livros, é na verdade uma crítica aos que não se manifestavam em sua defesa.

[47] No original, indefezos.

44a No original, Ata da sessão em.

[48]b Situada na rua do Ouvidor, perto da Livraria Garnier, a Biblioteca estava fechada para o público.

[49] No original, apenas Carducci.

[50] No original, apenas Mommsen.

[51] No original, apenas Ibsen.

[52] Acrescentado posteriormente, com outra caligrafia (e precedido de vírgula em vez de ponto).

[53] A sessão é solene por ser a de Recepção do Sr. João Ribeiro, como consta do subtítulo do cabeçalho original.

[54] Situado na Praça Tiradentes.

[55] No original, antesala.

[56] No original, sem esta vírgula. Campos Sales foi Presidente da República de 1898 a 1902.

[57] No original, Regimento.

[58] No original, lê-se 30 de agosto de 1899, por engano do redator. Cf.: "E o certo é que a Academia levou quase um ano - de 10 de agosto de 1899 a 23 de junho de 1900 - para voltar a reunir-se, ainda uma vez, debaixo das telhas da Revista Brasileira." (Academia Brasileira de Letras: 100 anos, p. 34.)

[59] No original, apenas Carducci.

[60] No original, falta a identificação da presidência no cabeçalho. Na segunda linha do cabeçalho, como subtítulo lê-se Recepção do Sr. Domicio da Gama.

[61] Localizado na Rua Luís de Camões.

[62] No original, Ata da sessão em 11 de abril de 1900, digo, 1901.

[63] No original, sem as aspas de fechamento.

[64] Nesse mesmo dia, Machado de Assis proferiu discurso na inauguração da herma do poeta, no Passeio Público. O discurso está transcrito na íntegra no capítulo "Textos Conexos".

[65] Não constam dos arquivos da ABL as atas das reuniões de 13 de junho e 29 de agosto de 1901, estando apenas registrados o local e os nomes dos presentes, além de um recorte do Jornal do Commercio (de 15/06/1901) dando notícia da sessão de 13/06. Dele, destacamos os trechos que especificam o assunto abordado: "(...) o Sr. Medeiros e Albuquerque propoz que fosse nomeada uma commissão para estabelecer varias regras tendentes a fixar a ortographia que deve a Academia usar em seu Boletim. (...) A proposta do Sr. Medeiros e Albuquerque foi approvada após curto debate em que fizerão observações os Srs. Silva Ramos, José Virissimo, Rodrigo Octavio e Inglez de Souza. O Sr. Presidente nomeou para constituir a commissão os Srs. Medeiros e Albuquerque, Silva Ramos e José Virissimo, cujo trabalho, depois de impresso, será distribuido por todos os membros da Academia para ser devidamente estudado e resolvido assumpto de tanta relevancia."

[66] Neste endereço funcionava o escritório de advocacia de Rodrigo Otávio, Primeiro Secretário da Academia.

[67] O redator das atas do período de 12 de setembro de 1901 a 23 de outubro de 1905 adota uma grafia de base "etimológica".

[68] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, estando apenas registrados os nomes dos presentes.

[69] No original, falta a identificação da presidência no cabeçalho.

[70] No original, apenas Domicio.

[71] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, estando apenas registrados os nomes dos presentes. Há ainda um trecho de cinco linhas, praticamente ilegível, que menciona uma proposta de que novo dispositivo regimental estipulasse prazo para retirada de candidatura.

[72] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, estando apenas registrados os nomes dos presentes e dos designados para receber os novos acadêmicos.

[73] No original, apenas Magalhães, obviamente Gonçalves de Magalhães, patrono da cadeira número 9.

[74] No original, responder o discurso.

[75] No original, Acta da sessão de 5 de fevereiro de 1903.

[76] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, estando apenas registrados os nomes dos presentes e o resultado da eleição de Euclides da Cunha.

[77] No original, na página anterior, lê-se também: Faltam as atas das sessões de 21 de setembro e de 31 de dezembro de 1903 (vide livro de ponto). Assina J. Vicente, que é o redator das anotações referentes à sessão de 21 de setembro.

[78] No original, apenas Verissimo.

[79] No original, apenas Filinto.

[80] No original, apenas Lucio.

[81] No original, apenas Raymundo.

[82] No original, apenas Alcindo.

[83] No original, apenas Loreto.

[84] O prédio, fronteiro ao Passeio Público, abrigaria também a Academia de Medicina, o Instituto dos Advogados do Brasil e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Com o passar do tempo, perdeu a denominação de Edifício do Cais da Lapa, passando a chamar-se Silogeu Brasileiro. Apenas no ano de 1905 pôde a Academia instalar-se no novo endereço. No Livro de Atas da ABL, com data de 10 de setembro de 1904, está redigida a seguinte informação: É levado ao conhecimento do Presidente da Academia haver a Academia de Medicina, em sua ultima sessão, approvado a seguinte proposta, apresentada pelo Sr. Aloysio de Castro: "Proponho que a Academia Nacional de Medicina ponha, temporariamente, a sua installação ao dispôr da Academia de Letras, até que esta se estabeleça na dependencia que lhe foi cedida pelo Governo."

[85] No original, encarrega á mesa.

[86] A data está riscada com dois traços, e na margem esquerda está escrito o número 9, indicação do dia correto do reunião seguinte.

[87] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, estando apenas registradas, além dos nomes dos presentes, as anotações transcritas.

[88] No original, apenas Machado.

[89] No original, apenas Arinos.

[90] No original, apenas Loreto.

[91] No original, apenas Rodrigo.

[92] No original, apenas Lima.

[93] No original, apenas Filinto.

[94] Constam do Livro de Atas da ABL duas redações da ata desta reunião, com caligrafias distintas e textos idênticos. Permanece a caligrafia do terceiro redator e aparece um novo redator, cuja tarefa prosseguirá até julho de 1911. A folha com a segunda redação da ata, onde pela primeira vez aparece a expressão sessão ordinária, está riscada diagonalmente da esquerda para a direita, de cima para baixo. Por isso, nossas anotações se restringem ao texto do terceiro redator.

[95] Nos dois originais, falta a identificação da presidência no cabeçalho, a qual que só voltará a ocorrer na ata de 18 de novembro de 1907.

[96] No original, Euclydes Cunha.

[97] No original, sem estas aspas de fechamento.

[98] No original, apenas Nabuco.

[99] Constam do Livro de Atas da ABL duas redações da ata desta reunião, com caligrafias distintas e textos idênticos. A folha com a segunda redação da ata, onde não mais aparece a expressão sessão ordinária, está riscada diagonalmente da esquerda para a direita, de cima para baixo. Por isso, nossas anotações se restringem ao texto do redator mais antigo.

[100] No original, Euclydes Cunha.

[101] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião. Na página com este cabeçalho, há uma relação nominal anotada verticalmente na margem esquerda: Machado, J. Verissimo, Salvador, Lucio, Silva Ramos, J. Ribeiro, R. Octavio. Além disso, há a transcrição de notícia publicada no Jornal do Commercio de 3 de agosto de 1905, onde se lê: A Academia Brasileira já se acha funcionando em sua Casa. Ficou resolvido que as sessões ordinarias se realizem ás segundas-feiras, ás 3 horas da tarde. Isto significa que, doravante, o local das reuniões é o Edifício do Cais da Lapa, depois chamado Silogeu Brasileiro.

Desse prédio, a Academia só sairia em 1923, quando seu Presidente, Afrânio Peixoto, promoveu junto ao Embaixador de França, Alexandre Conty, depois acadêmico correspondente, a doação pelo Governo de seu país do palácio dito Pequeno Trianon, construído para a Exposição do Centenário do Brasil, na avenida Presidente Wilson. A doação foi feita pelo Chefe do Governo, Raymond Poincaré, e pelo Presidente da República, Alexandre Millerand.

O novo prédio, dividido em dois blocos (um de 30 andares, outro de 5), foi inaugurado em julho de 1979, junto à sede do Petit Trianon.

[102] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, estando apenas registrada sua finalidade de recepcionar Sousa Bandeira. Segue-se a indicação dos nomes dos presentes.

[103] No original, apenas Machado.

[104] No original, apenas Verissimo.

[105] No original, apenas Filinto.

[106] No original, apenas Lucio.

[107] No original, apenas Alcindo.

[108] No original, apenas Domicio.

[109] No original, apenas Loreto.

[110] Constam do Livro de Atas da ABL duas redações da ata desta reunião, com caligrafias distintas e textos idênticos. A folha com a segunda redação da ata está riscada diagonalmente da esquerda para a direita, de cima para baixo. Continuamos restringindo nossas anotações ao texto do redator mais antigo.

[111] Constam do Livro de Atas da ABL duas redações da ata desta reunião, com caligrafias distintas e textos idênticos. A folha com a segunda redação da ata também está riscada diagonalmente da esquerda para a direita, de cima para baixo. Continuamos restringindo nossas anotações ao texto do redator mais antigo.

[112] Desta ata em diante, só há um redator, cuja tarefa prosseguirá até depois da última ata consultada para os fins desta edição. Sua grafia segue, quanto às primeiras reuniões, o mesmo modelo do terceiro redator, prevalecendo os princípios de uma base "etimológica". No ano de 1907, quando se implementa a discussão sobre a reforma ortográfica, este quarto redator passa a registrar uma grafia "híbrida", com oscilações entre o sistema "etimológico" e o "simplificado".

[113] No original Jor, abreviatura que o quarto redator das atas utilizará apenas mais uma vez.

[114] No original, 5$000rs.

[115] No original, Pdre.

[116] O total de membros que votaram por carta é de dez (e não nove). Isto justifica igual correção que fizemos no último parágrafo da página anterior, em que, no original, se lê: e de mais nove residentes fora da Capital.

[117] Na ata da sessão anterior, o número de votos (10) atribuídos a Domingos Olímpio está correto. O equívoco estava na identificação do número de membros que votaram por carta.

[118] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, havendo apenas a relação nominal dos presentes: Machado, Lúcio, Raimundo, Sousa Bandeira, João Ribeiro, Silva Ramos e Rodrigo Otávio.

[119] No original, proceder a eleição.

[120] Antes desta ata, há uma página reservada para a sessão de 14 de agosto de 1906, em que tomou posse Mário de Alencar. Nela, só estão escritos o cabeçalho e a finalidade.

[121] No original, Euclydes Cunha.

[122] No original, sem esta vírgula.

[123] Afonso Pena foi Presidente da República de 1906 a 1909.

[124] O projeto de reforma ortográfica, cuja comissão fora formada na sessão de 5 de maio de 1906.

[125] No original, "accentuaram" com um risco sobre as letras "ra".

[126] No original, encarretará, com a anotação na margem esquerda da correção por a e uma marca de revisão riscando a sílaba en. A caligrafia do revisor e a do redator são distintas.

[127] O texto integral deste parágrafo, cuja caligrafia difere do restante da ata, identifica os acadêmicos por apenas um nome: Mendonça, Medeiros, Ruy, Sylvio, Lucio, Salvador, Laet, Euclydes. As exceções são Mario de Alencar e João Ribeiro.

[128] No Livro de Atas da ABL não há referência a essa reunião.

[129] No original, sem esta vírgula.

[130] No original, qualque.

[131] No original, com inicial minúscula.

[132] Segue-se um trecho riscado onde se lê: propoz ainda que depois de.

[133] No original, Reg. interno.

[134] No original, consultar á Mesa.

[135] No original, apenas Medeiros.

[136] No original, preposições.

[137] No original, apenas Salvador.

[138] No original, apenas Salvador.

[139] No original, o Sr.

[140] No original, perurar.

[141] No original, somenas.

[142] No original, qual em.

[143] No original, demostra.

[144] No original, com vírgula aqui.

[145] No original, mais do que, com um risco sobre mais do.

[146] Aqui, com o sentido figurado de "degradação moral".

[147] No original, apenas Salvador.

[148] No original, resolvidos.

[149] Embora tenha grafado, no cabeçalho, Acta, o redator passa, deste ponto em diante, a adotar a grafia sem o c.

[150] No original, Reg. interno.

[151] As sublinhas originais do texto nem sempre mantêm coerência interna. Seguimos o princípio de acrescentar ou retirar as sublinhas que contrariam o método adotado pelo redator para cada item.

[152] No original, 1a proposição - 2a parte.

[153] No original, Euclydes Cunha.

[154] No original, com vírgula aqui.

[155] "Cobertura de besta (ê), feita de tecido ou de couro, sobre a qual se põe a sela ou a albarda; gualdrapa, sobreanca" (Dicionário Aurélio).

[156] No original, a 8a proposição foi transcrita antes da 7a.

[157] No original, Machado de Assis e Mário de Alencar, João Ribeiro. Na ata de 18 de julho de 1907, João Ribeiro solicita que seu voto conste como afirmativo.

[158] No original, deste ponto em diante, o redator passa a empregar o substantivo proposta, em vez de proposição.

[159] No original, sem esta vírgula. A vírgula antes de etc. segue o critério de padronização, pois o redator, às vezes, a utiliza.

[160] No original, sem esta vírgula.

[161] No original, firman, cuja terminação an é tônica (longa e não breve, nos termos do texto), o que contraria a regra proposta. Cf. o verbete do dicionário de Morais:

firmã, firmão ou formão (do persa farmen): decreto, provisão, alvará, carta régia, emanada de um soberano ou autoridade muçulmana. O mesmo que formão, mais correto, forma empregada sempre pelos escritores antigos, em vez de firmão, influenciada pelo francês firman, que o foi buscar ao turco. (vol. 5, p. 212 e 282)

[162] No original, sem esta vírgula.

[163] No original, sem esta vírgula.

[164] No original, adeptação, em vez de adoptação,derivado de adoptar.

[165] No original, sem esta vírgula.

[166] No original, pelos.

[167] No original, entre outros.

[168] Pela primeira vez, o redator não emprega a grafia orthographico.

[169] No original, sem esta vírgula.

[170] Palavra de origem tupi, variante de toré: trombeta indígena.

[171] No original, o redator sublinhou sublinhou treze dessas palavras, organizando-as em duas colunas. A abreviatura de exemplos, nos manuscritos, é sempre Ex.

[172] A interjeição sus! (do latim sus!, "para cima") expressa um sentimento de incentivo, ânimo. Em desuso no português atual, equivale a Eia! Ânimo! Vamos!

[173] No original, sem esta vírgula.

[174] No original, proseguir.

[175] No original, propozera.

[176] No original, sem esta vírgula.

[177] No original, e excluindo outrora que fôra aceito quanto a dos prefixos.

[178] No original, quanto a dos prefixos.

[179] Segue-se um trecho riscado onde se lê: sobre essa ultima modificação.

[180] No original, rezolvidas.

[181] No original, com vírgula aqui.

[182] No original, apenas Oliveira. Estando presentes os acadêmicos Alberto de Oliveira e Oliveira Lima, é impossível identificar a quem se refere o redator. Pelos antecedentes das votações, é lícito porém supor que se trate de Oliveira Lima, que acompanha o voto de Salvador de Mendonça em todas as dezessete proposições aprovadas na sessão de 11de julho de 1907. Alberto de Oliveira vota diferente em doze delas (as cinco restantes tiveram aprovação unânime).

[183] Lapso do redator. João Ribeiro não poderia ter votado contra sua própria proposta. Na ata de 18 de julho de 1907, consta como sua a iniciativa de manter o s do prefixo des-. Na sessão de 1 de agosto de 1907, João Ribeiro vota a favor da grafia com s nas palavras derivadas com os prefixos des-, trans- e bis-. No entanto, mudaram de idéia os acadêmicos José Veríssimo, Mário de Alencar e Silva Ramos: eram a favor da conservação do s na sessão de 1 de agosto, e votaram contra a conservação na sessão de 17 de agosto. A conclusão é que o resultado da votação desta sessão foi a rejeição da proposta de João Ribeiro por 6 votos contra 5 (de Souza Bandeira, Oliveira Lima, Machado de Assis, Salvador de Mendonça e João Ribeiro).

[184] A conservação da letra dobrada nos pronomes pessoais e demonstrativos havia sido derrotada (por 7 a 4) na sessão de 1 de agosto. Nesta nova sessão, recolocada em votação e com a mudança de opinião de Medeiros e Albuquerque, Silva Ramos e Mário de Alencar, é a conservação que vence por 7 a 4.

[185] Cinco folhas à frente, consta a seguinte anotação com data de 11 de setembro: "O Ministro da Justiça, Augusto Tavares de Lyra, declara por aviso que deverá ser tolerada nos exames de preparatorios, sem prejuizo da nota de aprovação, o uso da ortografia adoptada pela Academia Brasileira."

[186] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, havendo apenas a relação nominal dos presentes.

[187] A Garnier, a Laemmert e a Francisco Alves eram as principais livrarias - e editoras - do Rio de Janeiro. A primeira publicava sobretudo obras literárias; a segunda, livros científicos; a terceira, produções didáticas.

[188] No original, encadernadas.

[189] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, havendo apenas a relação nominal dos presentes: Machado, Medeiros, João Ribeiro, Araripe, Oliveira Lima e Sousa Bandeira.

[190] Não consta dos arquivos da ABL a ata desta reunião, havendo a anotação desse parágrafo na folha que se segue à da ata do dia 28 de setembro. Na mesma folha, há outras anotações de notícias referentes à visita ao Rio do escritor Guglielmo Ferrero, que também proferiu outras conferências, "a convite da Academia, da qual é membro correspondente". A saber: "A corrupção e o progresso no mundo antigo e no mundo moderno" (dia 30/09); "Cleópatra e Antônio" (dia 2/10); "Júlia e Tibério" (dia ilegível/10) e "Nero" (dia ilegível/10). No dia 31/10, no hotel Alexandria, "offerece a Academia um banquete a Ferrero, em que é saudado por Machado de Assis". O discurso de Machado de Assis está transcrito na íntegra no capítulo "Textos Conexos". Era Presidente da República o Sr. Afonso Pena.

[191] No original, comunicava.

[192] Lapso do redator, que escreveu não haviam apurados. Como se pode confirmar no penúltimo parágrafo desta ata, a contagem final apurou doze votos "de academicos prezentes á sessão", não mencionando o décimo-terceiro voto (anulado por ter sido atribuído a um candidato que retirara sua inscrição).

[193] No original, e declara.

[194] Doravante o redator passa a grafar esta palavra ora com j ora com g, o que reflete sua vacilação diante das novas normas de ortografia adotadas pela Academia, que determinavam a mudança de g para j nestes casos. Optamos por não uniformizar a grafia e a transcreveremos como estiver no original.

[195] Conforme anotado anteriormente, só nesta ata volta a haver a identificação da presidência (com z) da sessão, a qual ocorrera pela última vez na ata de 1 de agosto de 1904.

[196] No original, sucessivamentes.

[197] No original, o redator também recorreu ao uso de chaves.

[198] No original, Euclydes Cunha.

[199] No original, apenas Heráclito.

[200] No original, Euclydes Cunha.

[201] Houve ainda duas reuniões no ano de 1907: a de 5 de dezembro, para a posse de Augusto de Lima (embora a ata de 14 de novembro designasse o dia 30 de novembro), e a de 28 de dezembro, para a posse de Artur Orlando. O Livro de Atas da ABL tem duas folhas em branco, apenas com as indicações do cabeçalho e da finalidade. Como o 2o Caderno de Presença está desaparecido, não é possível relacionar os nomes dos acadêmicos que compareceram às sessões. A recepção de Artur Orlando foi feita por Oliveira Lima (fonte: Efemérides da Academia, 1946).

[202] No original, desta sessão em diante, identificado como Almirante Jaceguay (e não Almirante Arthur Jaceguay ou Arthur Jaceguai). Nesta edição, seguiremos identificando-o como Almirante Arthur Jaceguay.

[203] No original, publicados.

[204] No original, falta a identificação da presidência no cabeçalho.

[205] No original, propos.

[206] No original, aprovados.

[207] Lapso do redator. No original, para que fiquem rejeitados e sejam oportunamente votados, ou seja, "rejeitar indicações para, depois, votá-las", evidente contra-senso.

[208] No original, outro.

[209] No original, segue-se, riscada, a palavra poderá.

[210] [SIC]

[211] No original não há nenhum registro sobre o que se seguiu ao pronunciamento do Almirante Artur Jaceguai.

[212] No original, sem esta vírgula.

[213] No original, sem esta vírgula.

[214] No original, apenas Sr. Jaceguay.

[215] No original, apenas Jaceguay.

[216] No original, Euclydes Cunha.

[217] No original, prejudicados.

[218] No original, apenas Sr. Jaceguay.

[219] No original, apenas Octaviano

[220] No original, apenas Jaceguay.

[221] No original, apenas Jaceguay.

[222] O primeiro número da Revista da Academia foi publicado no ano de 1910.

[223] No original, Euclyides Cunha.

[224] O discurso de Rui Barbosa está transcrito na íntegra no capítulo "Textos Conexos".

[225] No original, do Sr. Souza Bandeira e sem esta vírgula.

[226] No original, do Sr.

[227] No original, do Sr.

[228] No original, desceremonioza.

[229] No original as palavras ainda e depois sobrescrevem duas palavras (dizer em). A seguir, riscada, vem a palavra breves. Parece que o redator reescrevia o trecho dizer em breves e simples palavras.

[230] No original, as quaes.

[231] No original, o redator registrou de novo recuzal-a. A repetição está riscada e corrigida, com outra caligrafia, para aceita-la. Optamos por registrar no texto o verbo aceitar, mantendo a forma vigente de redação do pronome enclítico.

[232] Lapso do redator. No original, ao verificar. Relido o restante do parágrafo, fica claro que Rui Barbosa aceitou a eleição, apesar de verificar que não teve a maioria dos votos dos acadêmicos (e não, naturalmente, ao verificar isso).

[233] No original, sem esta vírgula.

[234] No original, prover-lhes à substituição.

[235] No original, antes da palavra questão, aparece riscada a palavra quantia.

[236] No original, consulta os prezentes.

[237] No original, adia á materia.

[238] No original, Bernadelli.

[239] No original, sem esta vírgula.

[240] A moção está traduzida no capítulo "Textos conexos".

[241] No original, Itapetining.

[242] Observe-se que nas atas anteriores não há referência à abertura de inscrições para a vaga ocupada por Machado de Assis. Em 1 de maio de 1909 ocorreram as eleições para preenchimento das duas vagas. Para suceder Machado de Assis, foi eleito Lafaiete R. Pereira com 20 votos, contra Alberto Faria (2 votos), barão de Paranapiacaba (1 voto) e 3 votos em branco. Para o lugar de Artur Azevedo, foi eleito Vicente de Carvalho com 25 votos, contra Dantas Barreto (3 votos) e Carlos Porto-Carrero (1 voto).

[243] No original, sem esta vírgula.

[244] No original, Euclydes Cunha.

[245] No original, e em o expediente.

[246] No original, Comdor.

[247] No original, Dezor.

[248] No original, a vírgula está antes da conjunção.

[249] No original, a relação de vinte e um nomes está numerada verticalmente.

[250] No original, com vírgula aqui.

[251] No original, sem esta vírgula.

[252] No original, apenas Sylvio.

[253] No original, apenas redação.

[254] No original, apenas publicação.

[255] No original, apenas Lexicografia. Depois, apenas Heráclito, Sylvio e Verissimo. Os demais com o nome completo.

 


Esta edição crítica e anotada foi transcrita da obra Actas da Academia Brazileira de Lettras, sendo Presidente o sr. Machado de Assis (1896-1908), tese de concurso para Professor Titular de Língua Portuguesa do Instituto de Letras da UERJ, de autoria de Claudio Cezar Henriques (claudioc@ax.apc.org)