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Espaço Machado de Assis
 
O Espaço Machado de Assis, destinado a exposições do acervo arquivístico e museológico da ABL sobre Machado de Assis, fica localizado no segundo pavimento do Centro Cultural do Brasil. Conta com um espaço informatizado, com oito computadores, especialmente planejado para dar acesso às diferentes bases de dados existentes sobre Machado de Assis. Conta também com pequeno auditório destinado à projeção de documentos audiovisuais, com 16 lugares e tela com retroprojeção. Na sala principal está afixado um painel de 10 metros de autoria de Glauco Rodrigues.

Espaço Machado de Assis
Anexo da ABL – 2º andar Av. Presidente Wilson, 203 – Castelo.
Tel.: (21) 524-8230.
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 13 às 18 horas.

 
 
 
 

 

Revista Veja (Rio) - (10 a 16 de abril de 2000)

Pintura acadêmica
Um retrato de Machado de Assis para a ABL

O pequeno ateliê em Copacabana ganhou ares de Cosme Velho. Há mais de um mês, onze horas por dia, sete dias por semana. Embalado por programas de música clássica, cercado de potinhos, encarapitado em uma escada, o dono da casa trabalha sem descanso para terminar, até o fim da semana, o maior retrato já feito de Machado de Assis: um painel de 4,6 por 2 metros, encomendado pela Academia Brasileira de Letras (ABL). A partir do dia 27, a obra vai enfeitar o Espaço Machado de Assis, no anexo da Academia. O trabalho pesado não tira o sono de Glauco Rodrigues. Aos 71 anos de idade, mais quarenta de Rio, o artista plástico gaúcho já perdeu a conta dos retratos nascidos em seu ateliê. A lista é extensa e variada. Vai do deputado Luís Eduardo Magalhães a Santa Teresinha, passando pelo escritor Antonio Callado e pelo prefeito Pereira Passos.

De Luís Eduardo, morto em 1998, Glauco produziu, em dezembro, um retrato pomposo para que amigos presenteassem o senador Antônio Carlos Magalhães. Santa Teresinha, morta em 1897, inspirou uma tela singela feita a pedido da Cúria Metropolitana para decorar a igreja dedicada à santa, na Tijuca. "Faço muito retrato. Pedem a mim porque não existe mais ninguém que faça. Os mais jovens nem aprendem a desenhar e não gostam disso. Sou um dos últimos", diz o artista. Metódico, dono de uma organização rara entre seus pares, a ponto de fazer estudos quase tão detalhados quanto a obra pronta, Glauco Rodrigues costuma mergulhar na vida de seus retratados. Para pintar Machado de Assis, cercou-se de livros, fotos e desenhos do escritor. "Gosto da natureza humana, de descobrir o que passa na cabeça das pessoas", conta. O modelo da vez é um velho conhecido do artista. Há 25 anos, Glauco pintou Machado de Assis a pedido do então prefeito Marcos Tamoyo, que também encomendou retrato de Pereira Passos, Oswaldo Cruz e do barão de Mauá. As telas estão até hoje no Palácio da Cidade, em Botafogo.

Ainda que o personagem seja o mesmo, as semelhanças entre o painel que Glauco finaliza para a ABL e a tela da prefeitura param por aí. "A concepção é totalmente diferente", observa. O painel teve de ser feito sob a forma de tríptico (com três telas emendadas) para caber no ateliê do artista e é mais ufanista do que o retrato anterior. A ponto de Machado de Assis aparecer de barba e cabelo verdes, contrastando com um céu carregado de amarelo, entre cenas que mostram a casa do autor de Dom Casmurro, no Cosme Velho, e a Rua do Ouvidor, com as livrarias que tanto seduziam Machado. "Quis fazer um retrato em que predominassem as cores da bandeira brasileira. Afinal, trata-se do maior escritor do país. Por isso usei bastante azul, amarelo e verde. Até na barba", conta. "Um retrato pintado não tem comparação com uma fotografia."

Fátima Sá

 
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